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Eu vou sentir saudades da propaganda eleitoral gratuita

Nuvem de lágrimas

Lá em casa, nós – eu, a mulher e nossa cachorrinha - temos um compromisso: só almoçamos juntos, só dormimos juntos e também só sorrimos e choramos juntos. É bem verdade que a cachorrinha, que “sorri latindo”, não entende a hora de chorar. Mas, como na canção do Zeca Baleiro, eu choro até com beijo de novela. Aí me encarrego de puxar o chororô. A mulher me acompanha e a cachorrinha arrocha a chorar também.
E a ultima sessão de choro foi na quarta feira, com o fim do Horário Eleitoral Gratuito para prefeito. Me emocionei demais quando vi os candidatos a prefeito agarrando e beijando pela última vez uns meninozinhos sujos, daqueles que só quem gosta é remela e mosquito. E deu pra ver que a beijação era com gosto mesmo!
Meu coração começou a apertar quando comecei a me lembrar que só daqui a dois anos, nas próximas eleições, é que estes meninos vão ter novamente a chance de ser afagado por um candidato.
Mas, pra falar a verdade, eu desatei a chorar mesmo foi só em pensar na saudade que vou sentir do sorriso do Nazareno. Tô com 35 anos de idade, e sou capaz de jurar com a mão na Bíblia que nunca tinha visto o Nazareno tão sorridente, tão simpático e tão pop. E olha que desde que eu me entendo por gente ele é sempre candidato a alguma coisa.

Agonia no juízo

Eu sei que o Horário Eleitoral Gratuito na TV e no rádio não foi criado pra maltratar ninguém. Isso aí o Jornal Nacional e as novelas já fazem a fulote. A propaganda eleitoral é para esclarecer o eleitor, divulgar as propostas dos candidatos e orientar o voto. Mas, infelizmente, não foi o que aconteceu comigo. No meu juízo, o furdunço foi tão grande com tanta propaganda e tanta pesquisa eleitoral que eu tô é ariadim. Não tô nem sabendo mais direito se babado é bico ou se morreu Maria Preá.
Quando eu tava assistindo a propaganda do PSDB, eu era capaz de jurar que Teresina era impriauzinha o Principado de Mônaco, com ruas largas, educação e saúde de primeiro mundo, praças limpas e um povo rindo à toa, de tanta felicidade. Chegava a pensar que “a minha terra era o céu, se há um céu sobre a terra”, como canta o poeta Da Costa e Silva.
Com pouco, quando eu dava fé, entrava o programa do Nazareno. Aí eu cuidava que viver em Teresina era mesmo que morar em Cabul, capital do Afeganistão, ou em Bagdá, no Iraque. Ou mesmo praquelas bandas do Oceano Indico varridas pelo Tisunami. Desgraça pura!
Este sentimento só não ficava pior quando entrava a Lurdes Melo, o Alexis Leite ou o Avelar, porque o programa deles era curtim feito garupa de jumento. Não dava tempo pra esculhambar a cidade, já que tinham que falar mal do Silvio Mendes e ainda dizer o nome e o número deles.
Ei poooovo enganadoooor!

Porca do Dente de Ouro

O Piauí não é rico apenas de gente que mata ou morre pelo poder. É rico também em lendas. São famosas a lenda do Anel de São Gonçalo e da Velha Dum Peito Só, em Oeiras; o Curandeiro das Sete Cidades, em Piracuruca; a Maria Macaca, em União; o Peba-João, na região de Picos; o Veado Baião, em Ribeiro Gonçalves; o Pinto Pelado, em Demerval Lobão; o Boi da Dona Briolanja, em Alto-Longá, dentre outros.
Mas, das cidades piauienses, talvez pela maior população, a mais rica em lendas é Teresina. Tem o Cabeça-de-Cuia, monstro que costuma aparecer na superfície das águas em noite de lua cheia; o Pé-de-Anjo, assombração que aparece para os boêmios, e a Dona Redonda, mulher gorda que de tanto comer explodiu.
Mas a lenda da capital que eu mais gosto é aquela de uma moça de lá das bandas da Catarina, na beira do Rio Poty, que, brigando com a mãe, e num momento de fúria, deu uma dentada nos peitos da veinha. O peito ficou sem um tampo. Agora a moça... Foi castigada e virou a famosa Porca do Dente de Ouro. E é uma porcona velha e grande que anda grunindo, fuçando e arrastando os peitos no chão por toda a Teresina, com um enorme dente de ouro saindo do fucinho.
As outras lendas eu só sei de ouvir falar. Mas esta da porca é verdade. Eu juro! E eu digo isso porque vejo ela toda vez que eu tomo umas e outras.
Da última vez que estivemos juntos, eu e a porca, tive o cuidado de avisá-la que neste domingo, dia da eleição, tem alimentação em fartura pra ela, e que ela não deixe de aparecer pelas bandas do TRE pra merendar os candidatos que vão virar xerém.

Reforma Ortográfica

Tem coisa que a gente prepara o começo mais não sabe que diabos é que vai dar no fim.
Veja só este negócio de reforma ortográfica. No Brasil, a discussão começou ainda no governo do José Sarney, sabido em tempo integral, escritor nas horas vagas, membro da Academia Brasileira de Letras e governista - independente do governo, se é militar ou se é civil, se é de esquerda, de centro ou de direita.
Só que o Sarney, embora nunca tenha deixado o governo, saiu da Presidência. O Collor teve um governo mais curto do que coice de leitoa e não mexeu nas regras da língua. O Itamar não teve topete para bancar a dita reforma. O Fernando Henrique, poliglota e intelectual com a grife da Universidade de Sorbone, em Paris, ao invés de integrar a língua nos países lusófonos, se interteu entregando as estatais de comunicação e outras mais ao capital estrangeiro.
O certo é que a reforma veio bolando de lá pra cá e caiu nas mãos do Lula. E ele passou a caneta Montblanc na lei, sancionando-a. Agora, qualquer intelectual metido a besta que quiser escrever certo, vai ter que ler na cartilha do Lula e seguir direitinho as regras da reforma assinada por ele, que entende tanto de gramática quanto eu entendo de foguete da NASA.
É a vida, camarada!

Quero compartilhar com você esta alegria: a minha ida para o Réveillon em Paris já tá garantida. Agora me ajude a voltar! Compre o meu livro “O Encomendador de Almas” que está à venda nas Livrarias Universitária e Piauiense, na Banca do Tomás (Praça João Luis) e na Banca do Aeroporto

 

Escrito por Danilo Damásio em 02/10/2008 às 14h45

Leia mais no blog do(a) Danilo Damásio

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