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Tradição e fé marcam festividades juninas no bairro São João

 

A tradicional Festa de São João em Santa Filomena teve início na madrugada de ontem, segunda-feira (15). Com uma extensa programação, os organizadores esperam a visitação de milhares de pessoas, vindas inclusive de cidades vizinhas como Alto Parnaíba (MA) e Tasso Fragoso (MA).

A abertura oficial das comemorações ocorreu às 4 horas da manhã, com uma animada alvorada, sempre ao som de músicas apropriadas para o período, quando dezenas de devotos percorreram várias ruas, até chegarem na Capela de São João para tomarem o ‘Café da Manhã’, custeado pela própria comunidade católica.

No meio da tarde, capitães se dirigiram para a localidade Boqueirão do Recreio, em busca do mastro de São João, um tronco de Pindaíba medindo cerca de 20 metros. O mastro foi erguido - levando a bandeira do santo em sua extremidade - bem no centro do antigo campo velho, onde se realizam os festejos, sob os olhares atentos de muitos curiosos.

Às dezenove e trinta horas, se realizou a Santa Missa na Capela de São João Batista, celebrada pelo Padre José Manoel. Logo após, ao lado do mastro, houve uma homenagem póstuma aos três jovens irmãos — os gêmeos Evanio e Evanessa Rodrigues da Silva, 18, e Gleicia Rodrigues da Silva, 16 — que morreram na tarde de 22 de junho de 2008, na BR-020 (Brasília), em um violento acidente automibilístico.

Em seguida, as pessoas presentes foram contempladas com a apresentação da Quadrilha “Os Novos Caipiras”, reverenciando a memória das irmãs Evanessa e Gleicia, ex-integrantes do grupo de danças.

Como tudo começou - Dedicação, crença e conhecimento popular – que se manifesta nas crendices – formam a trindade que alimenta há mais de 100 anos a tradição da festa junina no Bairro São João, em Santa Filomena, o ponto mais ocidental do Piauí.

A novena é rezada na Capela de São João, sob a coordenação de Nelsa Maria de Sousa, a 'Dona Nelsa' (foto), uma senhora com 82 anos, de muita fé e crença no santo. Segundo ela, o festejo vem desde o final do século XIX, e foi idealizado pelo seu avô, um afro-descendente que veio das caatingas da Bahia, daí a denominação “catingueiros” dada à maioria dos moradores do bairro São João.

Os elementos ligados à religiosidade e sabedoria do povo do Bairro São João atravessa todo o ritual dos festeiros, indo desde a alvorada, percorrendo algumas ruas no final da madrugada do dia 15 de junho, até a derrubada do mastro, que acontece sempre na manhã do dia 25.

Nas casas das famílias festeiras, ainda que de forma involuntária, essa vertente do sincretismo se configura na principal característica das homenagens. Os cânticos religiosos se misturam a orações, histórias de fé em milagres operados por São João Batista que, segundo a Bíblia, batizou Jesus Cristo no rio Jordão. Também se juntam outros elementos da cultura popular como fogueira, içamento do mastro, dança de quadrilhas juninas e fogos de artifício.


A puxada do Mastro - É a cerimônia de levantamento do mastro de São João, com música e foguetório. Além da bandeira de São João, o mastro pode ter as de Santo Antonio e São Pedro, muitas vezes com frutas, fitas de papel e flores penduradas. O ritual teve origem em cultos pagãos, comemorativos da fertilidade da terra, que eram realizados no solstício de verão, na Europa.

De acordo com crendice popular, se a bandeira vira para o lado da casa do anfitrião da festa no momento em que é içada, é sinal de boa sorte. O contrario, indica desgraça. E caso aponte em direção a uma pessoa essa será abençoada.

Os fogos de artifício – Já os foguetes, dizem alguns, eram utilizados na celebração para “despertar” São João e lhe chamar para as comemorações de seu aniversário. Na verdade os cultos pirolátricos são de origem portuguesa. Antigamente em Portugal, se acreditava que o estrondo de bombas e rojões tinha como finalidade espantar o diabo e seus demônios na noite de São João.

O precursor de Jesus - A Igreja Católica o consagrou santo. Segundo essa igreja, João Batista nasceu em 29 de agosto, em 31 A.D., na Palestina, e morreu degolado por Herodes Antipas, a pedido de sua enteada Salomé (Mt 14.1-12). A Bíblia, em Lucas 1.5-25, relata que o nascimento de João Batista foi um milagre, visto que seus pais, Zacarias e Isabel, na ocasião, já eram bastante idosos para que pudessem conceber filhos.

João Batista foi o precursor de Jesus e veio para anunciar a chegada do Messias. Sua mensagem era muito severa, conforme registrado em Mateus 3.1-11. Quando chamaram sua atenção para o fato de que os discípulos de Jesus estavam batizando mais do que ele, isso não lhe despertou quaisquer sentimentos de inveja (Jo 4.1). Ao contrário, João Batista se alegrou com a notícia e declarou que não era digno de desatar a correia das sandálias daquele que haveria de vir, se referindo ao Salvador (Lc 3.16).

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Escrito por José Bonifácio em 16/06/2009 às 07h57

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