Política

Antonio Palocci afirma que tramou com Lula contra a Lava Jato

Sobre as recentes declarações de Palocci, o ex-presidente, por meio de suas redes sociais, divulgou uma nota negando todos os fatos alegados pelo ex-ministro.

BÁRBARA RODRIGUES

- atualizado

No depoimento realizado pelo ex-ministro Antonio Palocci nesta nesta quarta-feira, 6 de setembro, para o juiz Sérgio Moro, em Curitiba, ele afirmou que tramou junto com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva(PT) barrar as investigações da Lava Jato. Segundo o Estadão, todas as informações cedidas por Palocci no depoimento, tem como objetivo conseguir fechar um acordo por meio de uma delação premiada.

Palocci foi ministro da Fazenda e da Casa Civil, nos governos de Lula e Dilma Rousseff, e está preso desde setembro de 2016, onde já foi condenado a 12 anos e 2 meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro na Lava Jato. No depoimento ele revelou que tentou barrar as investigações.

  • Foto: Cassiano Rosário/Futura Press/Estadão ConteúdoAntonio Palocci Antonio Palocci

“Tentei ajudar para que não andassem as investigações da operação Lava Jato”, afirmou. Questionado pelo juiz Sergio Moro se isso teria ocorrido juntamente com o ex-presidente Lula, ele disse que “sim”.

“Em algumas oportunidades, eu me reuni com o ex-presidente Lula e com outras pessoas no sentido de buscar, vamos dizer, criar obstáculos à evolução da Lava Jato. Posso citar casos se o senhor desejar”, disse Palocci. Após essa informação o juiz disse que não era necessário citar os casos, pois “não era objeto específico” da ação penal.

O ex-presidente Lula é acusado nesse processo por crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Segundo oEstadão, o Ministério Público Federal acredita que as propinas pagas pela empreiteira chegaram a R$ 75 milhões em oito contratos com a Petrobras. Desse valor está um terreno de R$ 12,5 milhões para Instituto Lula e a cobertura vizinha à residência de Lula em São Bernardo no valor de R$ 504 mil.

Outras acusações

Alvo da operação Lava Jato, ele confirmou que praticou crimes na Petrobras e revelou que o Partido Trabalhadores recebeu R$ 300 milhões da Odebrecht. O advogado de Palocci, Tracy Reinaldet, ainda relatou dois encontros que incriminam o ex-presidente Lula, onde foi fechado um acordo entre a Odebrecht e o governo do ex-presidente, para beneficiar a empresa nos contratos com a Petrobras, em troca de propinas.

Lula se pronuncia

Sobre as recentes declarações de Palocci, o ex-presidente, por meio de suas redes sociais, divulgou uma nota negando todos os fatos alegados pelo ex-ministro.

Confira a nota na íntegra:

"A história que Antonio Palocci conta é contraditória com outros depoimentos de testemunhas, réus, delatores da Odebrecht e provas e que só se compreende dentro da situação de um homem preso e condenado em outros processos pelo juiz Sérgio Moro que busca negociar com o Ministério Público e o próprio juiz Moro um acordo de delação premiada que exige que se justifique acusações falsas e sem provas contra o ex-presidente Lula. Palocci repete o papel de réu que não só desiste de se defender como, sem o compromisso de dizer a verdade, valida as acusações do Ministério Público para obter redução de pena e que no processo do tríplex foi de Léo Pinheiro.A acusação do Ministério Público fala que o terreno teria sido comprado com recursos desviados de contratos da Petrobrás, e só por envolver Petrobrás o caso é julgado no Paraná por Sérgio Moro. Não há nada no processo ou no depoimento de Palocci que confirme isso. Sobre a tal “planilha”, mesmo Palocci diz que era um controle interno do Marcelo Odebrecht e que “acha” que se refere a ele. Ou seja, nem Palocci conhecia a tal planilha, quanto mais Lula.

Palocci falou de uma série de reuniões onde não estava e de outras onde não haveriam testemunhas de suas conversas. Todas falas sem provas. Marcelo por sua vez diz ter pedido que seu pai contasse para Lula e Emílio negou ter contado isso para Lula.

O réu Glauco da Costa Marques reafirmou em depoimento ser o proprietário do imóvel vizinho ao da residência do ex-presidente e ter contrato de aluguel com a família do ex-presidente, e que está recebendo o aluguel. Uma relação de locador e locatário não se confunde com propriedade oculta.

Processos fora da devida jurisdição com juiz de notória parcialidade, sentenças que não apontam nem ato de corrupção nem benefício recebido, negociações secretas de delação com réus presos que mudam versões de depoimento em busca de acordos com o juízo explicitam cada vez mais que os processos contra o ex-presidente Lula na Operação Lava Jato em Curitiba não obedecem o devido processo legal.

O Instituto Lula reafirma que jamais solicitou ou recebeu qualquer terreno da empresa Odebrecht e jamais teve qualquer outra sede que não o sobrado onde funciona no bairro do Ipiranga em residência adquirida em 1991. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirma que jamais cometeu qualquer ilícito nem antes, nem durante, nem depois de exercer dois mandatos de presidente da República eleito pela população brasileira."

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