Piauí

Artesanato é sinônimo de amor para os artistas do Piauí

O artesanato piauiense comercializa por ano, cerca de um milhão de reais.

ANDREIA SOARES

Artesanato é sinônimo de amor para os artistas Piauienses

Fazer arte é dom, aprendizado ou hereditariedade? A resposta pode variar de artesão, ou melhor dizendo, de artista para artista, mas uma coisa há em comum entre todos eles, o amor pelo que fazem. Foi essa a resposta dada ao GP1 pelos três personagens entrevistados que vivem do artesanato, aqui em Teresina. 

Palha, madeira, cerâmica, sementes, tinta, linha, são inúmeros os tipos de matérias-primas utilizadas para a confecção dos produtos, como esculturas, quadros, tapetes, bolsas, artigos de decoração, peças utilitárias, entre outros.

Por ano, segundo o diretor do Programa de Desenvolvimento do Artesanato Piauiense (PRODART), Jordão Costa, o artesanato piauiense tem uma participação ativa e importante para a economia. “São cerca de 1.300 artesões em Teresina e 5.532 em todo o Estado, além de embelezar os ambientes, o artesanato é responsável por 3% do PIB estadual, comercializando por ano, em torno de um milhão de reais”, afirmou.

Josielton Sousa, de 31 anos, expõe seus trabalhos na Central de Artesanato Mestre Dezinho (Centro da Capital) e conheceu o artesanato aos 11. Até hoje, ele trabalha com o que considera um meio de vida, esporte e lazer. “Eu trabalho com madeira há 20 anos e até quando eu estou de folga, eu estou fazendo artesanato. Eu amo o que faço e descobri isso por meio de um cliente na oficina de lanternagem e pintura onde eu trabalhava. Ele era artesão e em uma das entregas que eu fui fazer na casa dele conheci o ateliê que tinha no quintal. Então ele me ensinou e estou aqui até hoje. Para mim, arte pode ser um dom, mas a pessoa só sabe se tem esse dom, se tentar”, frisou.

  • Foto: Lucas Dias/GP1Josielton Sousa O Sousa

“Eu me realizo quando estou produzindo”, é assim que há 35 anos, a artesã Maria do Socorro se sente ao fabricar bolsas, tapetes, chinelos, quadros, enfeites, artigos de decoração, e diversos outros produtos no Mercado Velho, também localizado no Centro de Teresina. Ela que aprendeu com os pais, já repassou para a filha, Janaína Moura, que hoje trabalha com ela no mercado e ainda tem uma oficina de artesanato em casa. “Na verdade, eu comecei pela necessidade, depois que fiquei desempregada, mas foi se tornando amor, prazer, depois que comecei a receber minhas primeiras encomendas e poder ajudar no sustento da minha família. Meu filho e meu marido também me ajudam”, enfatizou.

Mesmo não colocando a ‘mão na massa’, Rita Pereira, vive do artesanato piauiense. Isso porque ela é funcionária de uma cerâmica localizada em São Raimundo Nonato, que vende produtos aqui na capital, também no Mestre Dezinho. Ela ressaltou ainda que essa empresa comercializa produtos inclusive para outros países. “São produtos característicos da região, têm jarros, pratos, peças utilitárias, miniaturas de animais, muitas coisas. É tudo muito bonito, mas infelizmente pouco valorizado pelas próprias pessoas daqui, quem sempre vem são turistas, ministros, políticos e famosos. A Vera Fischer estava aqui um dia desses”, contou.  

Mas como nem tudo é alegria, as condições para se viver do artesanato em Teresina, ainda precisam ser evoluídas. O Mercado Velho, por exemplo, há três anos deveria ter sido entregue reformado (sendo um ano do término do prazo e dois anos de atraso). Enquanto isso, os artesões se dividem em minúsculos espaços na parte superior do prédio. A obra teve início em agosto de 2013. Já a Central de Artesanato Mestre Dezinho, não possui mais bebedouros e os banheiros são fechados, ou seja, quem precisar usar, tem que ir atrás do guarda que tem a chave ou dos próprios lojistas, que também tem chave, mas precisam abandonar a loja para acompanhar o cliente.

PRODART

Criado pelo Governo do Estado, o PRODART surgiu ainda no Governo Lucídio Portela Nunes, através do Decreto nº 3.926, de 09 de janeiro de 1981, com o objetivo de fomentar a atividade artesanal, promover o trabalhador artesão e valorizar a cultura local. “Propiciamos feiras e adquirimos espaços de exposição em eventos locais, nacionais e internacionais aos nossos artesãos, e oferecemos também cursos de capacitação para novos artesãos”, destacou Jordão Costa.

Além disso, com o programa, os artesões piauienses passaram a usufruir de seus direitos trabalhistas, desde a emissão de carteira de artesão válida em todo o país e a isenção do ICMS. O que ainda falta, segundo ele, é a aprovação da PL 7755/2010 para a validação a aposentadoria. “Esse projeto de Lei está em fase de regulamentação, e eu espero que em no máximo dois ou três anos, seja reconhecido”, complementou o diretor.

No Piauí, existem quatro centrais de artesanato, nas quais são de responsabilidade do programa, sendo a Central de Artesanato Mestre Dezinho, em Teresina e, outras três localizadas nos municípios de Floriano, Pedro II e Parnaíba.

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