Piauí - Teresina

Bebê piauiense que esperou 5 meses por cirurgia morre em Recife

Arthur ficou cinco meses em uma fila de espera para realizar uma cirurgia, que não é feita em nenhum hospital público do Piauí.

RAISA BRITO

- atualizado

Morreu, na noite de quinta-feira (11), no hospital Procardio, em Recife (PE), o bebê Arthur Costa Gomes, de 8 meses. Ele tinha síndrome de down e era portador de cardiopatia congênita, uma alteração na estrutura do coração presente antes mesmo do nascimento.

Em entrevista ao programa 70 minutos, da TV Meio Norte, na noite desta sexta-feira (12), a mãe do Arthur, Alessandra Oliveira, falou sobre o caso: "A morte do meu pequeno foi de maneira muito trágica, ele quando nasceu passou 1 mês internado na maternidade, saí de lá e dei entrada no TFD, que é Tratamento Fora de Domicílio, fiquei esperando e ele só foi chamado agora, dia 10 de abril, e quando foi ontem foi realizado o procedimento. Ele já estava com hipertensão pulmonar, e foi o que matou ele, a pressão do pulmão dele tava muito alta, e não teve como corrigir mais. Segundo os médicos, foram feitos os exames e ele não iria suportar, me falaram que era de altíssimo risco, mas a gente na esperança de reverter o quadro aceitamos entregar para o centro cirúrgico, mas não recebi mais como era, já estava uma pedra, gelado, isso é o que mata a gente", relatou.

  • Foto: Divulgação Arthur e os pais Arthur e os pais

"O médico falou que era pra ele ter sido operado com 3 meses de idade e foi operado com quase 9, dia 22 ele ia completar 9 meses, então já tava bem avançada a hipertensão pulmonar, não tinha mais como reverter nada", explicou.

Entenda o caso

Desde o dia 7 de novembro de 2016, Arthur estava numa fila de espera para realizar uma cirurgia, que não é feita em nenhum hospital público do Piauí. A família precisou entrar na Justiça para conseguir que o bebê fizesse a cirurgia em Recife.

No dia 15 de fevereiro, a juíza de direito Maria Luiza de Moura Mello e Freitas, da 1ª Vara da Infância e Juventude de Teresina, concedeu liminar determinando que a secretaria estadual da Saúde providenciasse a cirurgia. No entanto, a internação de Arthur foi marcada para o dia 10 de abril e na época, a mãe dele, Alessandra Oliveira, afirmou que ele não poderia esperar todo esse tempo pela cirurgia.

“No dia 16 de fevereiro foi feita uma consulta com o cardiologista, ele reajustou a medicação, porque o cansaço dele [Arthur] tá incontrolável, além de começar a apresentar outros tipos de doenças, aí o cardiologista sugeriu que fossem feitos novos exames. A gente fez o ecocardiograma ontem e foi detectado que ele já está com hipertensão pulmonar, tá no início, mas já tem um pouco de hipertensão pulmonar, então o cardiologista pediu pra gente agilizar porque não tem como esperar mais”, contou a mãe na época.


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