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Cármen Lúcia pede investigação após gravação de delatores da JBS

“Agride-se, de maneira inédita na história do país, a dignidade institucional deste Supremo Tribunal Federal e a honorabilidade de seus integrantes”, disse a ministra.

RAISA BRITO

- atualizado

A ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), informou nesta terça-feira (5) que pediu uma “investigação imediata”, com data de início e fim, de menções feitas pelos delatores da empresa JBS, Joesley Batista e Ricardo Saud, a membros da Corte.

Numa gravação entregue pela empresa, na última quinta-feira (1º), como complemento à delação premiada, Joesley e Saud conversam sobre ministros do STF. No diálogo, ocorrido em março, eles falam sobre as negociações que faziam para fechar o acordo de colaboração.

“Agride-se, de maneira inédita na história do país, a dignidade institucional deste Supremo Tribunal Federal e a honorabilidade de seus integrantes”, disse a ministra, em pronunciamento em vídeo divulgado pelo STF.

Entenda

Por terem omitido os episódios citados na conversa durante os depoimentos prestados como parte da delação premiada, os delatores poderão ter os benefícios de acordo cassados, conforme Rodrigo Janot anunciou nesta segunda-feira (04). Os dois delatores devem ser ouvidos novamente pela Procuradoria para explicar os episódios a que se referem na gravação.

A gravação foi feita durante o processo de negociação da delação premiada de Joesley e Saud com a Procuradoria. Além dos ministros do Supremo, são citados ainda pelos delatores, o ex-procurador da República Marcelo Miller, que trocou a assessoria do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, por um escritório de advocacia contratado pela JBS. Os delatores dão a entender que no mesmo período em que auxiliava Janot na Lava Jato, Miller já trabalhava para a JBS.

Assista ao pronunciamento da presidente Cármen Lúcia


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