Piauí - Teresina

Conheça a história de Dona Lurdinha: Uma mãe de 200 crianças

Maria de Lourdes Oliveira, uma senhora de 58 anos que mora no bairro Satélite, fez da sua vida um espaço de acolhimento a pequenos e jovens.

ANDREIA SOARES

- atualizado

Conheça a história de Dona Lurdinha: Uma mãe de 200 filhos

Criança é criança em qualquer lugar do mundo, e independente da classe social, raça ou cor, só quer brincar e ser feliz. Foi pensando nelas que Dona Lurdinha, como é conhecida Maria de Lourdes Oliveira, uma senhora de 58 anos que mora no bairro Satélite, zona leste de Teresina, fez da sua vida um espaço de acolhimento a pequenos e jovens.

Tudo começou em 1995, quando a Igreja Católica Santa Terezinha do Menino Jesus, organizou vários grupos de cristãos para desenvolverem ações missionárias com caráter emergente na sociedade, na qual, despertou em Dona Lurdinha, principalmente após saber da morte de dois jovens da comunidade por conta do crime, a vontade de ajudar crianças e adolescentes para oferecer a elas a oportunidade de um futuro melhor.

  • Foto: Marcelo Cardoso/GP1 Centro de Apoio a Criança e ao adolescente Dr Onesima  Centro de Apoio a Criança e ao adolescente Dra. Onesima Nascimento

Durante mais de 30 anos trabalhando na Maternidade Dona Evangelina Rosa, Dona Lurdinha conheceu a doutora Onesima Nascimento, a primeira reumatologista do Piauí e a maior incentivadora de seu projeto, o Centro de Apoio à Criança e ao Adolescente (Caca), que inclusive recebeu o nome da médica, como forma de homenagem e gratidão. Em 2003, Dra. Onesima faleceu, mas o Dr. Nascimento, esposo dela, continua ajudando o projeto até hoje. E foi com a ajuda dele, dos filhos e do marido de dona Lourdinha, que foi construída a sede, onde antes era a casa da família da idealizadora.

O espaço conta com três salas de aula, dois banheiros (um feminino e um masculino), uma secretaria, uma cozinha e um pátio e oferece esporte, lazer, evangelização e acompanhamento escolar para cerca de 200 crianças e adolescentes. “Isso para mim é uma fonte de vida, nem todo mundo entende o porquê, às vezes tem os aperreios, mas quando eu comecei a juntar menino debaixo da árvore e trabalhar a evangelização, muita gente me ajudou e, enquanto tiver um criança com fome ou uma pessoa acamada, eu vou continuar ajudando”, contou.

  • Foto: Marcelo Cardoso/GP1 Crianças adoram a Dona LurdinhaCrianças adoram a Dona Lurdinha

Atualmente, o Caca funciona nos três turnos, de segunda-feira a sábado e conta com 18 membros voluntários, ofertando aulas de violão, canto, dança, capoeira e reforço. Entre os voluntários, está Vilane Maria, de 26 anos, que atua no projeto como estagiária de serviço social. “Desde que entrei aqui me surpreendi e me surpreendo com muitas coisas, porque essa instituição é só amor. A dona Lurdinha não mede esforços para ajudar essas crianças e as famílias delas, que já entram aqui com muitas dificuldades, seja financeira ou desestrutura familiar. Todo dia tem acolhida com evangelho e reflexão, às vezes, tem reunião com as mães para falar do desenvolvimento dos filhos, mas infelizmente na primeira reunião que eu estive presente, apenas nove mães vieram”, destacou.

Uma das beneficiadoras do projeto é a Maria Luiza, que tem 11 anos e é órfão de pai desde os cinco. Para quem era uma menina tímida, hoje vive rodeada de amigos que ganhou no Caca. “Antes eu tinha muita vergonha e era sozinha, mas a tia Lurdinha me falou que eu não precisava ter vergonha, porque sempre vai ter alguém que vai me compreender e me ajudar, aí eu comecei de pouquinho ir me soltando e consegui muitos amigos”, contou. Assim como Maria Luiza, dona Lurdinha viu ela e outras crianças do Caca nascer, na época em que trabalhava como técnica de enfermagem na maternidade.

  • Foto: Marcelo Cardoso/GP1 Dona Lurdinha e sua filha Maria Luiza e Dona Lurdinha 

Mesmo após 21 anos de uma vida doada a quem precisa, dona Lurdinha continua sonhando em ajudar ainda mais. “Penso em transformar isso em um lugar onde as crianças que precisam, possam dormir aqui também. O terreno inclusive já foi doado pela ONG Moradia e Cidadania, que negociou com a prefeitura e repassou para a gente”, revelou. 

Para se manter, o projeto conta com a ajuda financeira da Mesa Brasil, uma instituição que arrecada alimentos e distribui para projetos sociais e da ONG Moradia e Cidadania, uma organização não governamental de âmbito nacional, desenvolvida em parceria com a Caixa Econômica Federal. Além disso, as vendas de tempero produzidos pela própria dona Lurdinha, muitas vezes feitos com sobra de alimentos, também ajudam a pagar as contas do local. Em questões de assistência, o Caca recebe o apoio do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd) e da prefeitura municipal, através do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS). 

O Centro de Apoio fica localizado na rua Santa Quitéria, nº: 4474, do bairro Satélite. Qualquer pessoa pode incentivar as ações de educação e cidadania destes jovens, por meio de doações, como alimentos e materiais escolares, ou através de visitas assistenciais, como palestras, rodas de conversas ou assitência à saúde e ao bem-estar.


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Conheça a história de Dona Lurdinha: Uma mãe de 200 crianças
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