Piauí - Teresina

CRIA nega irregularidades após investigação do Ministério Público

"Funcionamos em uma casa cedida em comodato pelo governo do estado, nossa estrutura física é adequada, tendo sala para a equipe técnica, sala da coordenação (...)", diz nota.

RAISA BRITO

- atualizado

CRIA envia direito de resposta e nega irregularidades

O CRIA (Centro de Reintegração Familiar e Incentivo à Adoção) enviou, na tarde desta sexta-feira (11), direito de resposta sobre matéria publicada, na quinta-feira (10), intitulada “Ministério Público do Estado investiga irregularidades no CRIA”.

Entre as irregularidades encontradas estão:espaço físico condizente somente em parte com as orientações técnicas do MDS/SUAS, para funcionamento dos Serviços de Famílias Acolhedoras, vez que carece de 01 sala para equipe técnica, que não existe sala destinada ao atendimento individual ou familiar e inexistência de pessoal da equipe técnica condizente com o mínimo estabelecido pelas Orientações Técnicas do MDS/SUAS para funcionamento dos serviços de famílias acolhedoras, que estipula dois profissionais para o acompanhamento de até 15 famílias de origem e 15 famílias acolhedoras.

Em nota, a coordenadora Francimélia Nogueira afirma que o CRIA funciona em uma casa cedida em comodato pelo governo do estado, e que a estrutura física é adequada, tendo sala para a equipe técnica, sala da coordenação, sala para atendimento individual, sala para reunião, recepção, cozinha, banheiros adaptados, e salão para atividades maiores.

Quanto à predominância da adoção à reintegração familiar, o instituto afirma que este é um contexto que se dá em todo o Brasil, uma vez que as famílias estão cada vez mais desestruturadas.

Confira abaixo direito de resposta na íntegra

O CRIA é uma instituição sem fins lucrativos, fundado há 08 anos, com o objetivo de contribuir para a construção de uma nova cultura da adoção, de forma a garantir às centenas de crianças e adolescentes que vivem em instituições de acolhimento o direito à vida em família.

A instituição teve como motivação a minha experiência pessoal com a adoção, ao adotar a minha filha caçula. Quando se conhece de perto, fica impossível ficar indiferente ao sofrimento destas crianças e adolescentes crescendo dentro de abrigos.

Ao longo destes 08 anos já tivemos a alegria de tirar dos abrigos mais de 70 crianças e adolescentes. Ressaltando que todos eles saíram das instituições com a devida autorização judicial, uma vez que a guarda provisória, de responsabilidade do juizado, demora para ser liberada, a instituição recebe da magistrada um documento autorizando a transferência do acolhimento institucional para o familiar.

Destes que já passaram pelo CRIA, muitos foram adotados, outros reintegrados às famílias de origem, outros perdemos para o mundo lá fora... adolescentes despreparados pelo pouco que tiveram na vida institucionalizada, que caem nas garras da marginalidade, quase crianças ainda, pedindo socorro. Pedidos que não ecoaram na nossa racionalidade de adultos.

O Cria sobreviveu por mais de 06 anos só com recursos próprios, contribuição dos sócios fundadores, contribuições de voluntários que acreditam no nosso trabalho, venda de camisetas, eventos, bazar permanente na própria instituição. Já avançamos nesse quesito e hoje temos convênios que nos dão subsídios de várias ordens para um trabalho mais abrangente.

A nossa equipe técnica é composta de 03 assistentes sociais, incluindo a mim que atuo também como coordenadora, e 01 psicóloga. Contratadas por 30 horas semanais. Uma das assistentes sociais é cedida pela FAEPI Faculdade Evangélica do Piauí. As profissionais participam ativamente de todas as atividades que lhes são inerentes.

Funcionamos em uma casa cedida em comodato pelo governo do estado, nossa estrutura física é adequada, tendo sala para a equipe técnica, sala da coordenação, sala para atendimento individual, sala para reunião, recepção, cozinha, banheiros adaptados, e salão para atividades maiores.

Desde sua fundação, o CRIA tem reunido esforços para desenvolver trabalhos em prol do direito à convivência familiar e comunitária, especialmente através da execução do Programa Família Acolhedora, que consiste em cadastrar e capacitar famílias para receberem em suas casas crianças ou adolescentes em situação de risco social, por um período provisório, até que seja possível a reintegração familiar e na sua impossibilidade, o encaminhamento para adoção.

O CRIA desenvolve ainda outros projetos com vistas a contribuir para a garantia do direito à convivência familiar e comunitária, são eles: Projeto Adoções Necessárias, que consiste na busca ativa por famílias para adoção através de ações como exposições fotográficas, palestras e reuniões de sensibilização com pretendentes à adoção; Projeto Fortalecendo Vínculos, que consiste no acompanhamento psicossocial de crianças que foram reintegradas às suas famílias de origem; Projeto Papo da Adoção, que reúne pretendentes e adotantes visando a preparação para o exercício da maternagem/paternagem, e,Projeto Escola de Família, que previne a ruptura de vínculos familiares através de ações socioeducativas e apoio familiar no âmbito escolar.

O CRIA realiza ainda AÇÕES como Manhã de Lazer, que oportuniza às crianças e adolescentes que vivem em instituições de acolhimento, o acesso ao lazer e à convivência comunitária e o Incetivo ao Apadrinhamento Afetivo, que visa oferecer suporte emocional através de vínculos personalizados.

Atualmente o CRIA acompanha 11 famílias acolhedoras, sendo 08 adolescentes e 03 crianças. Fazem parte do Projeto Fortalecendo Vínculos, 10 famílias de origens. Estando, portanto, condizente com o mínimo estabelecido pelas Orientações Técnicas do MDS/SUAS para o funcionamento do Programa Família Acolhedora.

Quanto à predominância da adoção à reintegração familiar citada no texto, este é um contexto que se dá em todo o Brasil, uma vez que as famílias estão cada vez mais desestruturadas e há uma enorme parcela cuja drogadição por parte dos pais é a causadora da institucionalização de crianças e adolescentes, sendo este um difícil e demorado problema a ser tratado. A adoção só é realizada após uma busca à família extensa, e em nome do melhor interesse da criança é justo que ela tenha o seu direito constitucional à convivência familiar e comunitária garantido e seja inserida em família substituta, no caso, adotiva.