Política

Delação de Cunha atinge diretamente Temer e ministros

O ex-deputado já elaborou mais de cem anexos para colaborar com a Justiça; Cada anexo é uma espécie de arco factual diferente apresentado pelo colaborador.

SUYNARA OLIVEIRA

- atualizado

O ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que está preso desde 2016, está negociando um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal (MPF) que deve atingir o Governo Federal, trazendo à tona crimes do presidente Michel Temer (PMDB) e de dois de seus principais ministros, Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral). As informações foram publicadas na coluna da jornalista Mônica Bergamo, no site do jornal Folha de S.Paulo.

Segundo a jornalista, o ex-deputado já elaborou mais de cem anexos para colaborar com a Justiça. Cada anexo é uma espécie de arco factual diferente apresentado pelo colaborador.

  • Foto: Theo Marques/Fotoarena/Estadão ConteúdoEduardo Cunha Eduardo Cunha

Padilha e Moreira, junto com Temer, integravam o grupo que comandava a bancada do PMDB na Câmara dos Deputados, da qual Cunha foi integrante – e, segundo as investigações, um dos responsáveis pela arrecadação de recursos de campanha.

Cunha deve concluir a sua parte na negociação entregando documentos e revelando crimes seus e de terceiros até o final da próxima semana. Ainda segundo a reportagem, o ex-deputado teria evidências concretas dos fatos que está relatando.

Caso seja confirmado, a delação de Cunha viria em um momento delicado para o governo Temer. O presidente já enfrenta uma denúncia por corrupção passiva, apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), e tenta convencer os parlamentares, que são responsáveis por analisar o futuro da acusação, de que o governo está firme e de que as acusações contra ele são infundadas.