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Delator diz que Infraero formou cartel para obra em aeroportos

Ex-presidente da Infraero, Carlos Wilson, exigiu repasse de 3% dos contratos para PT e PTB.

NAYRANA MEIRELES

- atualizado
  • Foto: DivulgaçãoInfraeroInfraero

O ex-executivo da Odebrecht Benedicto Junior afirmou em depoimento que a empreiteira participou, em 2003, de um cartel para fraudar a concorrência por obras em aeroportos da Infraero.

De acordo com informações do G1, Junior fez a afirmação ao Ministério Público Federal (MPF) dentro do acordo de delação premiada no âmbito da Lava Jato. As informações estão em um documento entregue pelo delator ao MPF durante as negociações para fechar o acordo de delação premiada.

Segundo o delator, o cartel foi organizado pelo então presidente da Infraero, Carlos Wilson. Como contrapartida, Wilson exigiu o pagamento pelas empresas de 3% do valor dos contratos, em forma de doações eleitorais oficiais e via caixa dois para o PT e o PTB. Junior afirma que “quase 20 empresas” participaram do cartel, entre elas as “5 maiores empresas do mercado de construção”: Camargo Corrêa, Odebrecht, OAS, Andrade Gutierrez e Queiroz Galvão.

No entanto, segundo ele, Wilson determinou que “as 5 grandes empresas acomodassem algumas empresas pequenas, para evitar eventuais ações judiciais, que poderiam atrapalhar a concorrência”. O delator, que afirma ter participado de “algumas” das reuniões entre “as empresas interessadas no cartel”, informou aos investigadores que havia previsão de que a Infraero faria concorrência para obras em 12 aeroportos, mas que apenas seis foram licitadas. As obras licitadas foram nos aeroportos de Guarulhos, Congonhas, Vitória, Macapá, Goiânia e Santos Dumont.

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