O empresário João Freitas Filho, presidente das Indústrias Dureino S.A. ao ler as declarações do secretário estadual de Meio Ambiente, Dalton Macambira, contra as práticas da sua empresa, nos enviou o seguinte e-mail:
"Venho por meio da presente, em resposta à nota postada na sua coluna em 12/11/2008, consignar meu veemente protesto às leviandades e às aleivosias externadas pelo Secretário de Meio Ambiente do Estado do Piauí, Sr. Dalton Macambira, no que diz respeito às Indústrias Dureino, empresa que presido.
O propósito deste Senhor, que, estranhamente, vem conseguindo manter-se no noticiário como protagonista de ações incompatíveis com a função que deveria desempenhar, qual seja, a de proteger o meio ambiente, aparentemente deve ser o de desviar a atenção da sociedade.
A discussão referente à implantação da multinacional Bunge Alimentos em Uruçuí, no sul do Piauí, vem se arrastando há mais de cinco anos, gerando polêmica em todo este período. E toda esta polêmica concentra-se em um único item relevante, tem sido objeto de discussão: a utilização de lenha (árvores nativas) para queima em suas caldeiras, diferentemente da totalidade de seus concorrentes no Brasil, inclusive a Dureino.
Afirmar que a empresa que dirijo tem "procedimento" semelhante ao da Bunge é, no mínimo, uma leviandade, quando não uma demonstração de completa ignorância daquilo que - ao menos em tese - deveria ser do domínio do Sr. Secretário. De fato, ao contrário da Bunge, utilizamos exclusivamente matriz energética renovável, como, p. ex., casca de castanha de caju, reciclamos 100% da água utilizada em nosso processo industrial, temos zero de efluentes, controle de gases e coleta seletiva de lixo.
Estamos em razão destas práticas requerendo o reconhecimento de créditos de carbono, que, em conformidade com a legislação ambiental mais recente, é outorgada como forma de premiar empresas que adotem práticas sustentáveis e que preservem o meio ambiente.
Agora, diante desta provocação, recordo-me que me posicionei publicamente contra a implantação desta indústria nos moldes em que pretendia, justamente pela insustentabilidade do projeto, na forma em que foi acatada pelos órgãos ambientais piauienses. É minha concorrente, sim. E por isso tenho razões para me levantar contra práticas a meu ver insustentáveis, consistentes na utilização de matriz energética que lhe permite reduzir artificialmente seus custos, praticando, assim, concorrência desleal.
Outras acusações que pesam sobre o empreendimento da Bunge não cabem ser questionadas por mim, mas ainda não consegui compreender o porquê do desprestígio demonstrado por algumas de nossas autoridades à indústria local, evidenciado pela canalização de todos os esforços de agentes públicos como o Sr. Dalton Macambira para defesa intransigente dos interesses de empreendimentos de fora que pretendem se instalar no Estado - como se advogado fosse - ainda que à custa da coerência e da imparcialidade que se esperaria de pessoas investidas em tão nobres funções.
Acredito que as crescentes denúncias conta a gestão do Sr. Macambira podem tê-lo levado a este ato leviano e irresponsável, de, para justificar suas ações para o público perante o qual ele de há muito já perdeu a credibilidade, querer transferir a terceiros uma responsabilidade exclusivamente sua.
No que toca o alegado financiamento dos movimentos ambientais do Piauí, é uma idéia tentadora, tanto que proporei aos meus sócios fixar um percentual sobre os lucros de todas nossas atividades a ser destinado a finalidade, afinal, somos daqui, e é aqui criamos nossos filhos e, portanto, pretendemos que as futuras gerações não sejam refugiadas pelas anunciadas mudanças do clima. Eis aí um assunto que deveria despertar a atenção do Sr. Macambira".
Indústrias Dureino S.A.
João Freitas
Caro Colunista Judson Barrros,
A propósito, estou encaminhando cópia da gravação das referidas declarações do Sr. Macambira para meus advogados, para que eles analisem a pertinência e a adequação da adoção de eventuais medidas judiciais e extrajudiciais em face dele.
Indústrias Dureino S.A.
João Freitas Filho
Presidente
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