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22/04/2012 - 17h59
Emcontros

Encontro entre João Gordo e Brujeria marca noite do Abril Pro Rock

Vocalista do Ratos de Porão foi convidado pelo grupo mexicano.

O Abril Pro Rock (APR) é uma vitrine para bandas que ainda não são conhecidas do público, mas também é um festival que, tradicionalmente, busca trazer atrações que não viriam ao Recife se não fosse por ele. Neste ano, três grupos estrangeiros levaram ao delíro os fãs da noite mais pesada do festival: Cripple Bastards (Itália), Brujeria (México) e Exodus (Estados Unidos).

A primeira das três a se apresentar foi a Cripple Bastards. Conhecidos na cena de trash metal mundial, desde 1988 Giulio The Bastard busca manter viva e forte a cultura hardcore, contando com apoio de Schintu The Wretched, Der Kommissar e Al Mazzotti. Morando em Patos, na Paraíba, o lojista José Roberto do Nascimento, de 34 anos, comemorou ao ver a sua música favorita (Itália de Merda) ser cantada pelo grupo. "O som e o vocal agressivos foram o que me chamou a atenção para começar a ouvir essa banda", lembra José Roberto.

Apesar de ter vindo de Maceió (AL) para ver os mexicanos do Brujeria, a advogada Ana Gomes, 30 anos, gostou do som dos italianos. "Foi uma surpresa boa, nunca tinha ouvido falar deles", conta Ana. "Foi tudo que eu esperava deles, o show foi ótimo", acredita Sandney Farias da Cunha, mais um alagoano que veio para o Abril.

Sempre polêmicos, os mexicanos do Brujeria fizeram a alegria do público fiel, que esperava há anos por um show da banda por aqui. Com letras em espanhol e canções que falam de satanismo, anticristianismo, tráfico de drogas, sexo e imigração, seus integrantes usam máscaras e assinam as canções com pseudônimos. E levam um público mais "radical" ao delírio com suas convocações para fazer parte do "exército Brujeria".

Juan Brujo (John Lepe), Fantasma (Pat Hoed), Pinche Peach, Hongo (Shane Embury) e Podrido fazem um som extremo, provocando sempre o público. Para o estudante Guilherme Brito, 21 anos, curtir a banda significa liberdade. "Eles lutam pela liberdade, as letras provocam as pessoas, instigam", defende. Os fãs fiéis apreciaram ainda mais quando o grupo convidou o vocalista do Ratos de Porão, João Gordo, para cantar uma das músicas. "Encontro memóravel", definiu o autônomo João Antunes, 32 anos.

Fã da banda há anos, o professor universitário Carlos Marçal, 41 anos, já tinha conferido o show na terra natal da banda, o México. "Foi uma fase minha de viajar muito. Os caras têm um nível de profissionalismo incrível", acredita Carlos. Uma cabeça ao lado da bateria e munições na alça dos instrumentos fazem parte da cara da banda, que conversou com o público durante todo o show, misturando um pouco de espanhol e português. Para encerrar a noite, a banda não podia deixar de lado a irreverência. O hit "Macarena" virou "Marijuana" e fez o público bater a cabeça, mesmo no ritmo caribenho.

Quem fechou a segunda noite do Abril Pró Rock foram os americanos do Exodus, uma das maiores bandas de trash metal do mundo. Formada em 1980 e liderada por Gary Holt (guitarraista), a banda conta ainda com Rob Dukes (vocalista), Lee Altus (guitarrista), Jack Gibson (baixista) e Tom Hunting (bateristas). A bióloga Thâmara Araújo, 26 anos, se lembra muito bem da última visita da banda, em 2004. "Eles tocaram só meia hora, porque tinham um show na Argentina. Esse show foi muito melhor".

Apesar de também ter gostado da apresentação dos norte-americanos, Paula Quirino, professora de 26 anos, não tem dúvidas sobre qual foi o melhor show da noite. "O Brujeria foi simplesmente perfeito. O Exodus é muito bom, mas ele é mais trash metal, é outro público. Eles misturaram muito as coisas nesse ano", acredita Paula.

A mistura não incomodou o estudante Artur Lima, de 21 anos. Como é músico, ele aproveitou a noite para curtir representantes de vários estilos, mas vibrou mesmo foi quando a última banda subiu ao palco. "Exodus é a minha referência, tanto de atitude, quanto de som. Essa não é a melhor fase dele, mas ainda é muito bom", pondera Artur, dizendo preferir as canções lançadas nos anos 1980.

Cada um com suas preferências, mas a noite mais pesada do Abril Pró Rock reuniu 7 mil fãs das mais diversas vertentes do rock e do metal, superando e muito as expectativas da própria organização do evento, que tinha estimado em 3 mil pessoas. Nessa noite, Pernambuco não foi a terra nem do frevo, nem do maracatu. Foi a terra do rock.

Fonte: G1

Keywords: show, banda, abril pro rock


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