Piauí - Teresina

Estudante alvejado em tiroteio que matou cabo Valdir revela tensão

“Estou com a bala alojada na nuca e ela não vai ser retirada, porque se retirar pode ocorrer algum risco, pois ela está em uma região muito delicada”, informou Mateus de Sá.

THAIS SOUZA

- atualizado

O estudante de 18 anos, identificado como Mateus de Sá Oliveira, vítima de bala perdida após assalto a um funcionário da clínica Ortomed, que resultou na morte do policial cabo Valdir Valerevelou momentos de tensão do tiroteio que ocorreu nessa última terça-feira (07) na avenida Jóquei Clube, zona leste de Teresina.

Em entrevista ao GP1, Mateus Sá informou que no momento que iniciou a troca de tiros ele estava sentado do lado da janela do ônibus coletivo. “Eu estava no ônibus voltando para casa depois que saí da faculdade. ‘Aí’ o ônibus parou no semáforo na frente da Nassau, no Jóquei, e iniciou a troca de tiros. Eu fui atingido logo no primeiro. Na hora que foi atingido todo mundo se abaixou. Quando eu fui ver, já estava perdendo muito sangue e não sabia de nada que estava acontecendo”, disse.

  • Foto: Mateus de SáMateus Sá foi atingido com um tiro na nucaMateus Sá foi atingido com um tiro na nuca

Além disso, Mateus relatou que foi socorrido e logo em seguida o encaminharam ao Hospital de Urgência de Teresina (HUT). “Na hora eu não percebi que tinha sido uma bala, porque estava sangrando muito. As pessoas que começaram a falar que tinha sido somente os estilhaços de vidro do ônibus. Só descobri que fui baleado no hospital, quando fizeram a avaliação. Estou com a bala alojada na nuca, e ela não vai ser retirada. Voltei para casa no mesmo dia, os médicos falaram que é melhor ficar com a bala porque se retirar pode ocorrer algum risco, pois ela está em uma região muito delicada”, informou.

Mateus de Sá Oliveira é estudante do 1° período do curso de odontologia. Natural da cidade de São João do Piauí, ele mora em Teresina com familiares mais próximos.

Relembre o caso

O policial militar cabo Valdir, foi assassinado a tiros, na última terça-feira (07), na avenida Jóquei Clube, zona leste de Teresina. O PM passava próximo a Clínica Ortomed, em seu veículo, quando presenciou dois criminosos realizando um assalto. Ele seguiu os acusados e trocou tiros com os bandidos próximo ao local onde teve início a ocorrência. O Cabo Valdir foi atingido com um tiro na perna e outro no peito.

O corpo do policial foi velado na igreja evangélica Assembleia de Deus, no bairro Vale do Gavião e enterrado na cidade de Olho D’Água.

Ao todo, cinco pessoas foram presas e uma adolescente apreendida, em operações conjuntas das Polícias Militar e Civil, suspeitas de participação no crime. São elas: José Santos Torres Neto, conhecido como Zé Neto, Regifran Marques Santos, Luis José de Oliveira Neto, Wilberson de Sousa Silva, Juliano Kelson Mourão da Silva e a estagiária da clínica Ortomed. 

Segundo a polícia, Wilberson atuou como motorista do carro Versa prateado que deu apoio a dupla que estava na moto. Luis José estava dentro do veículo dando apoio a Wilberson. Regifran atuava clandestinamente como mototaxista. Em depoimento à polícia, ele contou que foi convidado por Zé Neto para ajudar na fuga de Wilberson e Luís José após a ação. A estagiária da clínica é acusada de ter repassado informações privilegiadas aos assaltantes.

O último envolvido a ser preso se entregou à Polícia Civil, na noite dessa sexta-feira (10), Juliano Kelson Mourão da Silva, quando os policiais da Delegacia de Homicídios foram até a cidade de Timon e o encontraram dentro de casa, no bairro Parque Piauí.

Segundo do delegado Barêtta, responsável pela Delegacia de Homicídios, o caso foi finalizado e o inquérito deve ser concluído na próxima semana. “Vamos cumprir nosso mandado [de prisão] e concluir o inquérito na próxima semana para encaminhar ao poder judiciário”, pontuou.