Piauí - Teresina

Gilberto Paixão diz que Greve Geral vai fechar comércio

“A Greve Geral vem num momento muito necessário no país, quando a classe trabalhadora está sendo ameaçada e quase concretizando-se uma retirada de direitos", declarou.

RAISA BRITO

- atualizado

No próximo dia 28 de abril, acontece em todo o Brasil, o movimento Greve Geral contra as reformas da Previdência e Trabalhista. Em Teresina, evento vai acontecer no Centro e a intenção é fechar todo o comércio.

O ex-vereador de Teresina e representante do Sindicato dos Comerciários, Gilberto Paixão (PT), esteve na sede do GP1, na tarde desta quarta-feira (19), e falou sobre o movimento paredista.

“A Greve Geral vem num momento muito necessário no país, quando a classe trabalhadora está sendo ameaçada e quase concretizando-se uma retirada de direitos. Nós começamos nossa discussão por conta da reforma da previdência e agora a reforma trabalhista e outras reformas que virão que certamente vão prejudicar o trabalhador”, declarou.

  • Foto: Marcelo Cardoso/GP1Gilberto Paixão Gilberto Paixão

Para Paixão: “A gente sempre teve a visão como sindicalista, como petista, de que o que está exposto desde o início dessa cassação da Dilma é a insatisfação da burguesia, porque perderam o poder de comandar o país, perderam o poder de estar fazendo o que eles querem que é tirar os direitos, claro que incomoda ver o aumento no numero de emprego, naturalmente quando há emprego no mercado a mão-de- obra valoriza, e claro que os custos aumentam, enfim a questão da qualidade de vida também do trabalhador melhora porque a partir do momento que você dá condição para uma empregada doméstica dela poder ter sua carteira assinada, ter o seu salário mensal, ter direito a jornada mensal de trabalho de 44 horas, direito ao repouso ao domingo, isso tem incomodado bastante, isso é uma conquista da classe trabalhadora com ajuda do Governo Federal e incomoda muito mais ver que as condições do trabalhador lhe oferecem oportunidade dele se vestir bem, morar bem, como foi o investimento do Minha Casa Minha Vida, investimento na área de qualificação profissional, enfim, oportunidade para os jovens estarem cursando faculdade em pé de igualdade com os filhos de ricos e isso terminou incomodando demais a burguesia”.

Segundo o petista, os ricos não aceitam que investimentos sejam feitos para melhorar a vida dos menos favorecidos: “Era de se esperar que num país que tivesse em crescimento, embora os ricos também tenham sua margem de lucro acrescida, infelizmente eles não admitem que haja investimento, que esses recursos que são alocados para investimento social como o Bolsa Família deixem de ser aplicados na riqueza de quem tem mais, a ambição empresarial é muito grande, a ambição da classe abastada é muito grande”, disse.

De acordo com o ex-vereador, “era natural que haveria uma insatisfação futura de não aceitar continuação de um Governo de esquerda e isso naturalmente viria da forma que veio, porque se fosse pelas vias legais jamais a burguesia iria implementar um presidente no país ou melhorar sua representação no Congresso e o que está escancarado aí com relação a corrupção é isso, é o poder econômico de desvio de dinheiro público pra poder implementar essa vontade deles e foi o que aconteceu no último processo eleitoral, eles elegeram uma bancada muito forte, quer dizer o trabalhador que ia ser eleito no Congresso Nacional com ideologia deixou de acontecer porque o dinheiro da corrupção entrou muito forte, elegeu uma bancada muito forte que também veio a se unir para cassar a presidente Dilma”.

“A gente sabia que a cassação não seria pra atingir somente a presidente Dilma, o pano de fundo não era Lula, presidente Dilma, nem também o PT, mas sim os direitos trabalhistas e isso veio no pacote”, criticou.

Paixão ainda criticou o presidente Michel Temer: “(...) o presidente que é ilegal, um presidente que está aí cheio de processos, envolvido com a corrupção até o pescoço, um Congresso viciado que não tem representatividade, e o Poder Judiciário que também tem contribuído para que venha a se fazer uma reforma, mas não para o bem da população brasileira, não para o bem da classe trabalhadora”.

“O Brasil ainda é um país colonial que não avançou no seu pensamento, na sua forma de ver a mão-de-obra, então é preciso que se respeite aquilo que foi conquistado a duras penas, com muitos companheiros que tombaram em defesa da CLT, de um 13º salário, de um salário mínimo, direito de uma previdência que promova a aposentadoria e hoje o que nós estamos vendo de forma estarrecida é um Governo ilegal cassando e cortando todo esse direito da classe trabalhadora”, afirmou.

  • Foto: Marcelo Cardoso/GP1Gilberto Paixão Gilberto Paixão critica Governo Michel Temer

Para Paixão só existe uma solução: “Só temos uma saída como sempre tivemos desde a ditadura militar que é nos organizar, através da Central Única dos Trabalhadores, dos movimentos sindicais e sociais, que é ir pra rua pra ser respeitado e ser ouvido e é o que nós queremos fazer mais uma vez sair das trincheiras, agora vamos partir para o ataque e o ataque é desfraldar as bandeiras de lutas e ir para as ruas e fazer o paredismo. O País não pode, só por vontade de alguns parlamentares que não tem representatividade e de um presidente, tirar aquilo que nós almejamos que é a valorização da mão-de -obra”.

Programação

No dia 28 será realizada uma greve de paralisação: “Vão parar tudo, comércio, aqui em Teresina já organizamos, pela manhã teremos atividade na Praça Rio Branco onde vamos fazer rádio calçada, vamos ter várias representações do movimento sindical, concentrando essa atividade pra mostrar a insatisfação para a população, depois vamos sair em caminhada pelo centro de Teresina, vamos fechar o comércio, vamos paralisar ônibus pra mostrar pro Congresso que estamos insatisfeitos com as atitudes dele, na parte da tarde temos outra atividade que é partindo da avenida Frei Serafim, vamos fazer uma grande caminhada voltando para o centro comercial”, explicou.