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06/08/2012 - 18h12
EUA

Homem suspeito de tiroteio em templo nos EUA era ligado a grupos racistas

Ele entrou atirando em templo Sikh no Wisconsin, matou seis e foi morto.

O atirador que matou seis pessoas em um templo Sikh no sul do Wisconsin era um ex-recruta norte-americano, disse o Pentágono nesta segunda-feira (6).

Um grupo monitor de extremistas contou que o suspeito tinha ligações com grupos racistas.

O atirador, identificado como Wade Michael Page, de 40 anos, matou seis pessoas e deixou três gravemente feridas, incluindo um policial, no templo Sikh de Oak Creek, subúrbio de Milwaukee, no estado do Wisconsin no domingo, enquanto os fieis se preparavam para os serviços religiosos da manhã.

Um policial, o primeiro que chegou à cena do tiroteio, matou a tiros o atirador pouco depois do ataque.

Segundo o chefe de polícia de Wisconsin, John Edwards, Page, de 40 anos, era um ex-soldado, que serviu entre 1992 a 1998.

Em dado momento, Page esteve alocado na base de Fort Bragg, na Carolina do Norte.

O Pentágono afirmou que ele tinha condecorações por bom comportamento, mas a agência Reuters apurou que ele teria sido expulso do exército por aparecer embriagado no serviço.

'Terrorismo doméstico'
Autoridades disseram no domingo que estavam tratando o ataque como um ato de terrorismo doméstico.

Wade tinha sido um membro da banda racista skinhead End Apathy, com sede em Fayetteville, no estado da Carolina do Norte, em 2010, disse Heidi Beirich, diretora do projeto de inteligência do Southern Poverty Law Center, em Montgomery, no estado do Alabama.

Wade também tentou comprar mercadorias da Aliança Nacional, um grupo neonazista, em 2000, disse ela.

"Isso é tudo que sabemos sobre Wade. Nós ainda estamos procurando em nossos arquivos", afirmou.

A agente especial Teresa Carlson, chefe do escritório de investigações da polícia federal americana em Milwaukee, confirmou nesta segunda-feira que Page é alvo de uma investigação de "terrorismo doméstico".

"A definição de terrorismo doméstico é o uso de violência para ganhos sociais ou políticos. Claramente estamos lidando com algo assim", emendou.

Ela também confirmou que ele tinha ligação com "grupos supremacistas brancos".

Carlson disse que o FBI sempre esteve alerta para a ocorrência de ataques após episódios violentos, como o massacre da sessão do filme "Batman" no Colorado, em 20 de julho.

Mas ela destacou que os investigadores não tinham indícios específicos de que qualquer ato violento estivesse sendo planejado.

O FBI também divulgou uma foto de uma "pessoa de interesse" no caso, que teria sido vista no local dos disparos durante o incidente.

Mas a polícia federal dos EUA reafirmou que continua trabalhando com a hipótese de que Page agiu sozinho.

Serviço militar
Page, que entrou no exército com 20 anos e o abandonou seis anos mais tarde sem ter realizado operações no exterior, também foi um reputado paraquedista. Ele esteve baseado em Fort Bliss (Texas, sul) e em Fort Bragg (Carolina do Norte, sudoeste).

Como especialista em operações de guerra psicológica, seu trabalho consistia em reunir informação e influenciar as pessoas de forma favorável aos interesses americanos.

"Estou verdadeiramente surpreso. Era um cara de tipo tranquilo...", declarou a uma jornalista da France Presse um vizinho de Wade Michael Page, John Hoyt.

"As únicas coisas negativas que o ouvi falar foram sobre a guerra, sobre a namorada dele e sobre o presidente Bush - Bush filho - porque ele tinha começado uma guerra."

Wade Michael Page também teria assegurado que foi enviado duas vezes para o Iraque, o que, de acordo com os dados dos serviços prestados pelo atirador revelados pelo Pentágono, parece improvável: ele entrou para o Exército um ano após o início da primeira Guerra do Golfo, e deixou muito antes da invasão do Iraque pelos Estados Unidos, em 2003.

Hoyt também confirmou ter visto - como testemunhas do tiroteio relataram - uma tatuagem evocando o 11 de Setembro no ombro de Wade Michael Page.

Arma
Uma autoridade do Escritório de Álcool, Armas de Fogo e Explosivos disse que a arma usada no ataque foi comprada legalmente, mas não revelou o nome do comprador.

Wisconsin tem algumas das leis de armas mais permissivas no país.

O Estado aprovou uma lei em 2011 permitindo que os cidadãos carregassem uma arma escondida.

Jagjit Singh Kaleka, irmão do presidente do templo, que estava entre os seis Sikhs mortos, disse que não tinha ideia do motivo do ataque.

Sikhismo
O sikhismo, ou siquismo, é uma religião monoteísta fundada em fins do século XV no Punjab (região dividida entre o Paquistão e a Índia) pelo Guru Nanak (1469-1539).

Mundialmente, há 30 milhões de seguidores. Apenas nos EUA, eles são entre 250 mil e 500 mil. Os Sikhs são majoritários apenas no Punjab.

Nos EUA, especialmente depois do 11 de Setembro, os Sikhs, que usam barba e turbante, muitas vezes foram confundidos com muçulmanos e agredidos.

Mas eles não são nem muçulmanos, nem hinduístas.

Há uma comunidade sikh na região onde ocorreu o ataque deste domingo.

O templo Sikh de Wisconsin foi fundado em outubro de 1997, congregando cerca de 20 a 25 famílias, segundo seu site. Atualmente, tem entre 350 e 400 membros.

A sede atual, palco do ataque deste domingo, foi inaugurada em 2006.

Fonte: G1

Keywords: eua, ataque, atirador, templo, wisconsin, michael page, wade michael, terrorismo doméstico, sikh


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