Piauí - Teresina

HUT abre sindicância para investigar negociação irregular de órgãos

A denúncia partiu de familiares do treinador Valter Maranhão, que morreu no Hospital de Urgência de Teresina.

RAYANE TRAJANO

- atualizado

Após a morte do treinador Valter Maranhão, ocorrida na última quarta-feira (12), a família procurou o Hospital de Urgência de Teresina para informar que estavam sendo abordados por uma suposta assistente social, que propôs a venda dos órgãos de Valter. O hospital abriu sindicância para investigar o caso. 

De acordo com o relato dos familiares, uma pessoa identificada apenas como Conceição se apresentou como assistente social e ofereceu auxilio à família, inclusive, organizando o velório de Valter. O que causou estranheza foi o fato de Conceição falar insistentemente aos familiares sobre a doação de órgão, mesmo antes do falecimento do treinador. 

  • Foto: Lucas Dias/GP1HUTHUT

“A Comissão de Doação de Órgão do HUT só entra em contato com a família após atestar a morte do paciente. E essa Conceição fazia essa proposta de doação antes mesmo de ser aberto o protocolo de morte encefálica”, informou a assessoria do HUT. 

O hospital esclarece que Conceição não é funcionária da unidade e que sua entrada no local está proibida, informou ainda que está sendo investigado se algum funcionário do HUT tem ligação com o caso. Após a morte, a Comissão de Doação de Órgãos do HUT entrou em contato com a família, realizando o procedimento padrão, mas os familiares resolveram não fazer a doação. 

Falecimento

  • Foto: Divulgação/APPMTécnico Valter MaranhãoTécnico Valter Maranhão

Valter Maranhão faleceu no início noite da quarta-feira (12), após passar cinco dias internado em virtude de um Acidente Vascular Cerebral. Valter passou mal no último sábado (08) e logo depois deu entrada no HUT com um AVC hemorrágico. Ele foi sepultado na manhã desta sexta-feira (14). 

Na terça-feira (11), foi retirada a sedação de Valter Maranhão e deu-se início a abertura do protocolo de morte encefálica, comprovada no fim da tarde de quarta-feira, após a realização de três exames.

Ex-treinador do Flamengo do Piauí, River e Barras, Valter Maranhão, atualmente, estava comandando a equipe do time de Timon, que disputou recentemente a série B do campeonato piauiense 2016.

Confira a nota enviada pelo HUT:

Com relação as matérias veiculadas na imprensa sobre a doação de órgãos do paciente Valter Lima Vieira, 60 anos, que foi a óbito na última quinta-feira (13), às 13h20, a direção do Hospital de Urgência de Teresina (HUT) informa que já abriu sindicância para apurar os fatos relatados pela família e já encaminhou ordens expressas vetando a entrada da pessoa identificada como “Conceição”, em denúncia feita também à Ouvidoria do HUT pela família.

Segundo o depoimento dos filhos de Valter, Conceição foi contatada por uma amiga da família no intuito de acompanhar o atendimento no HUT. Conceição se identificou como assistente social da Assembleia Legislativa.

A direção do HUT esclarece que essa pessoa não possui nenhum vínculo com o Hospital. Portanto, não tem autorização de falar em nome do HUT sobre qualquer tipo de assunto, inclusive no que concerne ao estado de saúde de pacientes ou tratamentos/procedimentos realizados.

Com relação ao processo de doação de órgãos o HUT comunica que os trâmites seguidos obedecem à legislação federal. A Comissão Intra Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT) do HUT é formada por profissionais especializados e comprometidos com a ética e a lisura exigida pelo trabalho desenvolvido. A CIHDOTT nunca autorizou ninguém a tratar do assunto com familiares de pacientes do Hospital.

O Hospital esclarece ainda que o processo de doação de órgãos só se inicia após o fechamento do protocolo de morte encefálica, a confirmação de ausência de atividade cerebral e a autorização da família. Apenas familiares de primeiro e segundo graus, além dos cônjuges podem assinar os documentos autorizando a doação. Após o cumprimento deste trâmite, a CIHDOTT do HUT aciona a Central de Transplante e a Organização da Procura de Órgãos (OPO), que iniciam o processo de captação com as equipes autorizadas.

Ana Flávia Soares

Ascom - HUT

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