O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais fez um levantamento no sul do Piauí sobre um tipo de erosão muito comum na região, a voçoroca. Nesta reportagem de Amorim Neto e Magno Bonfim veja como este fenômeno destrói o solo.
Um imenso deserto vermelho numa área que corresponde a 21% da região sul do Piauí.
A terra perdeu a consistência por causa dos desmatamentos e das queimadas. Na cidade de Gilbués, a 900 quilômetros de Teresina, as plantas estão desaparecendo.
Agora é o crescimento vertical da desertificação o que mais preocupa os pesquisadores. As rachaduras na superfície do solo logo se transformam em imensas crateras. Levadas pelas águas das chuvas, a terra que se desprende vai causar danos mais adiante.
"A quantidade de água que cai na superfície do solo vai causando aquelas erosões laminares e carreiam aquelas partes sólidas do solo para as nascentes dos rios e dos riachos. Ou seja: o solo está sumindo", explica o engenheiro agrônomo Fabriciano Corado Neto.
Quem mora por perto está assustado.
"Tenho muito medo. Fica muito pertinho da gente. Não sei o que vai acontecer", afirma o agricultor Francisco da Silva.
Terrenos planos que antes não apresentavam problemas estão sob a ameaça das voçorocas, essas erosões que destroem a terra. Uma delas, no município de Santa Filomena, surgiu há mais de 30 anos: tem um quilômetro de comprimento, 30 metros de largura e dez de profundidade. Hoje, é uma ameaça ao rio Parnaíba, o segundo maior do Nordeste.
Um geólogo pesquisador Adeodato Salviano da Universidade Federal do Piauí (UFPI) diz que o barro está aterrando o leito do rio e da represa Boa Esperança, onde funciona uma hidrelétrica.
“Já teve ter jogado aproximadamente 300 mil metros cúbicos de material dentro da barragem Boa Esperança. Isso com certeza já está reduzindo a capacidade de produção de energia", afirma.
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