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Joesley Batista e Ricardo Saud são presos pela Polícia Federal

Vários manifestantes soltaram fogos de artifícios após as prisões. Os dois devem ser transferidos para Brasília na segunda-feira (11).

BÁRBARA RODRIGUES

- atualizado

O empresário Joesley Batista, do grupo J&F, e o executivo da empresa Ricardo Saud foram presos na tarde deste domingo, 10 de setembro. Eles decidiram se entregar para a Polícia Federal após informados que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, decidiu acatar o pedido de prisão solicitado pelo procurador-geral da república Rodrigo Janot.

A ordem de prisão foi encaminhada para a Polícia Federal ainda no sábado (9). Segundo o G1, os policiais não cumpriram os mandados porque foram informados, por meio dos advogados dos acusados, que elestinham a intenção de se entregrar. Joesley deixou a casa do pai no bairro Jardim Europa em São Paulo, e Saud saiu do seu apartamento localizado no Morumbi, rumo à superintendência da Polícia Federal, localizada na Lapa, por volta das 14h.

  • Foto: Dida Sampaio/Estadão ConteúdoJoesley Batista e Ricardo SaudJoesley Batista e Ricardo Saud

Vários manifestantes soltaram fogos de artifícios após as prisões. Os dois devem ser transferidos para Brasília na segunda-feira (11). Os mandados são para prisões temporárias, ou seja, com prazo de cindo dias, e posteriormente devem ser convertidas em preventivas.

Sobre as prisões, os acusados divulgaram uma nota afirmando que “não mentiram nem omitiram informações no processo que levou ao acordo de colaboração premiada e que estão cumprindo o acordo. Em todos os processos de colaboração, os colaboradores entregam os anexos e as provas à Procuradoria e depois são chamados a depor. Nesse caso, Joesley Batista e Ricardo Saud ainda não foram ouvidos”.

Entenda o caso

Joesley e Saud haviam fechado acordo com o Ministério Público Federal para a realização de delação premiada, onde eles se comprometem a passar todas as informações sobre propinas concedidas a políticos e outras pessoas junto ao governo federal. Com o acordo eles receberam benefícios, como por exemplo, o fato de não terem sido presos.

Só querecentes áudios repassados por eles para o procurador-geral Rodrigo Janot mostram que eles omitiram algumas informações e revelam mais coisas sobre o esquema de propina. Segundo Janot, os novos áudios entregues pelos delatores da JBS indicam que o ex-procurador da República Marcello Miller atuou na "confecção de propostas de colaboração" do acordo que viria a ser fechado entre os acusados e o Ministério Público Federal.

Os áudios que teriam sido repassados por “engano” também provariam que eles mentiram quando afirmaram que repassariam todas as informações ao Ministério Público Federal. Janot considerou que eles descumpriram o acordo fechadona delação premiada e pediu as prisões de Joesley e Saud.

Confira na íntegra a nota deles sobre as prisões:

"Joesley Batista e Ricardo Saud, da J&F, se apresentaram voluntariamente à Superintendência da Polícia Federal, na tarde de hoje, em São Paulo.

Joesley Batista e Ricardo Saud reafirmam que não mentiram nem omitiram informações no processo que levou ao acordo de colaboração premiada e que estão cumprindo o acordo.

Em todos os processos de colaboração, os colaboradores entregam os anexos e as provas à Procuradoria e depois são chamados a depor. Nesse caso , Joesley Batista e Ricardo Saud ainda não foram ouvidos.

No dia 31 de agosto, cumprindo o prazo do acordo, além dos áudios, foi entregue uma série de anexos complementares, e os dois colaboradores ainda estão a espera de serem chamados para serem ouvidos.

O empresário e o executivo enfatizam a robustez de sua colaboração e seguem, com interesse total e absoluto, dispostos a contribuir com a Justiça".

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