O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, avaliou nesta terça-feira (18), durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal, que é plausível esperar, em um futuro "não muito distante", um "espaço relevante" para redução da taxa básica de juros.
Atualmente, a taxa de juros está em 13,75% ao ano. Na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, colegiado responsável pela definição da taxa Selic, houve interrupção, em outubro, do processo de elevação da taxa Selic que vigorava desde abril de 2008. Na ata da reunião, porém, o BC avisou que pode voltar a subir os juros no futuro para conter pressões inflacionárias. Mesmo assim, o mercado financeiro manteve a previsão de que os juros permanecerão em 13,75% ao ano até dezembro de 2009.
Na avaliação de Luciano Coutinho, o impacto inflacionário da alta do dólar na inflação, que acontece neste momento - com a moeda norte-americana sendo negociada a R$ 2,30 nesta terça-feira, contra o piso de R$ 1,55 em meados deste ano - será "transitório". "Terá baixo poder de propagação", previu ele.
Ao mesmo tempo, acrescentou o presidente do BNDES, acontece em todo mundo uma "onda deflacionária" que atingirá o Brasil com mais intensidade no "médio prazo". Segundo ele, os impactos já começaram a acontecer no Brasil, com a queda dos preços das "commodities" (petróleo, aço e alimentos, entre outros).
"A recessão já está instalada nos Estados Unidos e Japão e tende a se instalar na Europa. É plausível pressão deflacionária nas economias desenvolvidas por um período razoavelmente longo. Ainda não recebemos totalmente o impacto dessa onda deflacionária. Recebemos em parte, pelas commodities", disse Luciano Coutinho a senadores.
Fonte: G1Mais acessadas