Política

Moro vê ‘ganância desmedida’ de Sérgio Cabral e aliados

Cabral foi condenado por Moro por propina de R$ 2,7 milhões, em 2008, nas obras do Comperj, a 14 anos e 2 meses de prisão.

SUYNARA OLIVEIRA

- atualizado

Nesta terça-feira (13), o juiz federal Sérgio Moro condenou o ex-governador do Rio Sérgio Cabral(PMDB) e seus aliados Wilson Carlos e Carlos Miranda por corrupção e lavagem de dinheiro. Segundo Moro, os três tinham ‘ganância desmedida”.

Cabral já é réu em 10 ações na Operação Lava Jato, sendo uma em Curitiba e nove no Rio de Janeiro e foi condenado por Moro por propina de R$ 2,7 milhões, em 2008, nas obras do Comperj, a 14 anos e 2 meses de prisão.

Para o juiz, esse valor é ‘bastante expressivo’. Ele disse que o crime de Cabral se insere em um contexto de ‘cobrança sistemática pelo ex-governador e seu grupo de um percentual de propina incidente sobre toda obra pública no Estado do Rio de Janeiro’.

Veja sentença na íntegra

  • Foto: Fábio Motta/Estadão ConteúdoSérgio CabralSérgio Cabral

“Não se pode ainda ignorar a situação quase falimentar do Governo do Estado do Rio de Janeiro, com sofrimento da população e dos servidores públicos, e que ela, embora resultante de uma série de fatores, tem também sua origem na cobrança sistemática de propinas pelo ex-Governador e seus associados, com impactos na eficiência da Administração Pública e nos custos dos orçamentos públicos”, anotou o juiz.

“As aludidas circunstâncias da cobrança da vantagem indevida, que se inserem em um contexto maior de cobrança de propina sobre toda obra realizada no Rio de Janeiro, indicam ganância desmedida, o que também merece reprovação especial.”

Segundo Moro, não existe “ofensa mais grave” do que um político que trai a confiança da população que nele foi depositada para “obter ganho próprio”.

“A culpabilidade é elevada. O condenado recebeu vantagem indevida no exercício do mandato de Governador do Estado do Rio de Janeiro. A responsabilidade de um Governador de Estado é enorme e, por conseguinte, também a sua culpabilidade quando pratica crimes”, observou.