Piauí

Mulheres buscam a ciência para realizar o sonho de serem mães

Para o doutor Anatole Borges, especialista em Reprodução Assistida pela Faculdade de Medicina de Jundiaí, acredita-se que cerca de 25% dos casais em idade fértil sofrem de problemas para engravidar.

BRUNA VELOSO

- atualizado

Ser mãe não é algo simples. Acompanhar o crescimento de uma pessoa, tanto físico, quanto pessoal e espiritual é algo que pede tempo, cuidado, atenção e, principalmente, vontade. Não se trata de fazer algo por ser obrigada a fazer, mas de fazer por amor.

Ter filhos não é tarefa fácil. Não é só acompanhar a vida escolar e participar das reuniões de pais e professores. Não é apenas cuidar quando estiver doente, ou acompanhar nas consultas médicas. É estar presente em todos os momentos. É acordar no meio da madrugada por conta de um pesadelo. É acompanhar o estresse antes de provas ou exames difíceis. É dar colo para os momentos de tristeza e saber ensinar que eles fazem parte da vida. É acompanhar o desenvolvimento de alguém que saiu de dentro de você e torná-lo uma pessoa que lhe dê orgulho em chamar de filho.

Não é uma coisa que pode ser feita qualquer jeito. E ainda assim, conhecendo todas as dificuldades em cuidar de outro ser humano, muitas mulheres fazem de tudo para realizar o sonho de ser mãe. Infelizmente, algumas lidam com situações que dificultam a concretização desse sonho.

O doutor Anatole Borges, especialista em Reprodução Assistida pela Faculdade de Medicina de Jundiaí, contou ao GP1 que, hoje, acredita-se que cerca de 20% a 25% dos casais em idade fértil sofrem de problemas para engravidar. Ele explicou que ao perceber o problema para iniciar uma gestação, a pessoa deve logo encaminhar-se ao médico. “Quando se está há pelo menos um ano tendo relações frequentes sem usar nenhum método e a gravidez não vem, nesse caso, o casal deve procurar um médico especialista em fertilidade”, contou.

  • Foto: DivulgaçãoDr. Anatole Borges, especialista em  Reprodução AssistidaDr. Anatole Borges, especialista em Reprodução Assistida

Mas nem tudo está perdido. Segundo o especialista, são vários os tratamentos que podem ser realizados, dependendo do caso de cada pessoa. “Podem ser desde uma orientação, tratamento medicamentoso, uma indução e, em alguns outros casos, a paciente vai precisar realmente de inseminação assistida, que é a inseminação e a fertilização”, explicou. Dependendo de cada caso, o tratamento pode ter alta taxa de sucesso. “A chance varia muito de acordo com a idade. Quanto mais jovem, mais fácil, portanto, tem taxa de sucesso maior. Uma fertilização numa faixa etária abaixo de 30 anos de idade é de 50% a 60% de chance de gravidez”.

Uma prova disso é a missionária Mônica dos Santos, de 30 anos, que aos 17 anos foi diagnosticada com ovários micro policísticos, uma enfermidade que impede que os ovários ovulem e causa problemas no ciclo menstrual. “Desde os 17 anos eu tive a certeza de que teria dificuldade para engravidar, mas eu sabia que não era impossível, sabia que tinha problemas que eu poderia fazer e iria engravidar”, contou.

Ela se casou aos 24 anos e decidiu esperar para tentar a gravidez, visto que ela e o marido teriam de se mudar para outro país em função do trabalho na Igreja. Aos 27, eles decidiram que seria a hora de ter um filho, mas não imaginavam que seria um processo tão difícil. “Esperei no ano inteiro de 2014 engravidar naturalmente, o que não aconteceu. Em 2015, nós começamos a fazer um tratamento com um medicamento para estimular o ovário a ovular e eu consegui engravidar na quarta tentativa. Aquilo nos deixou muito feliz, mas no terceiro mês aconteceu um aborto. Perdemos o bebê e foi muito difícil e eu precisava me recuperar, mas o médico me pediu que eu continuasse tomando o estimulante e eu tomei, só que isso prejudicou meus ovários e surgiram alguns cistos, que me impediam de engravidar”, contou.

  • Foto: Facebook/Mônica dos SantosMonica e George após a notícia de que esperam um bebêMônica e George após a notícia de que esperam um bebê

Esses problemas não fizeram em momento algum que Moôica desistisse de sonho de se tornar mãe, de ter em seus braços um filho gerado dentro de si. E foi graças a isso, a essa perseverança, que ela teve a notícia que tanto esperava ainda no começo deste ano.

“De abril até o final de 2016 eu fiquei esperando esses cistos desaparecerem, mas eu nunca pensei em desistir. Então começamos a nos preparar, assim que o diagnóstico saiu de que os ovários estavam recuperados, nós pensamos em começar mais uma vez o tratamento para engravidar. Nós tínhamos pensado em iniciar no mês de fevereiro de 2017, mas em janeiro eu comecei a ter alguns mal-estares, comecei a passar mal e eu achava que era por conta dos ovários. Fui ao médico para conferir o útero e ver as condições para engravidar e descobri que eu já estava grávida”, contou.

A felicidade foi tanta, que Mônica fez questão de dividir sua história em um grupo de mães no Facebook. Na postagem, ela conta que após tantos problemas, chegou a pensar em se conformar e desistir. Mas graças a sua fé, aquilo que era fruto de sua maior vontade acabou se tornando realidade. “Hoje estou com 22 semanas de gravidez, esperando um bebê para nascer na segunda semana de setembro. Graças a Deus fomos abençoados com esse bebezinho”, relatou.

Ser mãe é isso. É passar pelas adversidades e, ainda assim, insistir naquilo que sempre foi seu sonho. É ver que, mesmo que tudo se mostre contra, sempre existe esperança. E é, principalmente, saber passar essa esperança para aquele que se formou dentro do seu ventre. O caso de Mônica é apenas um entre tantos outros de mulheres que já eram mães antes mesmo de engravidar. Que buscaram aquilo para si como uma meta de vida. E conseguiram. Mães são guerreiras e são elas que fazem da gente querer nos tornar pessoas melhores. São nosso principal exemplo. E por isso, merecem sim um feliz dia. Mesmo que ainda não tenham um filho.

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