Piauí - Picos

Padre Walmir é denunciado ao Ministério Público Federal no Piauí

O prefeito explicou que não eram escolas, mas sim salas de aulas: "Não tem sentindo manter uma sala, não é uma escola, é uma sala sem estrutura para funcionar com 10 alunos, quatro alunos", disse.

RAISA BRITO

- atualizado

O prefeito de Picos, Padre Walmir, foi denunciado ao Ministério Público Federal no Piauí por diversas irregularidades no município. A denúncia foi feita, na última segunda-feira (17), por Raimundo de Chicar, do movimento Salva Picos. 

Raimundo denunciou o fechamento de dois postos de saúde nas localidades de Tabatinga e Angical dos Domingos, que funcionavam há 20 e 10 anos, respectivamente, e o fechamento de duas escolas nas localidades de Altos dos Canutos e Alegre. 

“Na semana passada, a Prefeitura de Picos fechou os dois postos de saúde, sem nenhuma justificativa e sem prévia consulta às comunidades. As duas comunidades somam aproximadamente 2 mil pessoas entre adultos e crianças”, disse Raimundo na denúncia.

Outra reclamação é que a prefeitura não possui ambulâncias suficientes para atendimento da demanda da comunidade. Raimundo citou como exemplo o caso de um recém-nascido que precisou ser transferido para Teresina, no último sábado (15), mas que por não haver ambulância disponível foi preciso recorrer ao município vizinho de Aroeiras do Itaim, que emprestou a ambulância.

  • Foto: José Maria Barros/GP1Padre WalmirPadre Walmir

“Além disso foram fechadas, neste ano, duas escolas nas localidades de Altos dos Canutos e Alegre, sob justificativa de que o número de alunos estava pouco”, afirmou.

Raimundo informou ainda que o veículo responsável pelo transporte de alunos para o povoado Torrões não dispõe de um assistente para acompanhar os alunos.

Outro lado

Procurado pelo GP1, na noite desta quarta-feira (19), o prefeito Padre Walmir negou as denúncias. "Não foi fechado nenhum posto de saúde, nós apenas diminuímos a frequência nos anexos. Todos nós sabemos que o Ministério da Saúde não admite que se construa dois postos com menos de 6 km de distância entre cada um, esses locais eram anexos aos postos próximos, existem os postos, a equipe do PSF (Programa de Saúde da Família) vai sair daquele posto pra visitar a comunidade, uma ou duas vezes na semana, no local onde estava o anexo", afirmou.

O prefeito reafirmou que "nunca foi posto de saúde, era o anexo do posto e não foi fechado apenas foi diminuída a frequência, que geralmente ficava simplesmente uma casa alugada, aberta e sem funcionamento, não tinha frequência da equipe, apenas diminuímos os dias que vão estar abertos, vai estar aberto e com a atendente nos dias em que a equipe do PSF do posto ao qual esse anexo faz parte vai estar presente. Todos os postos dos municípios funcionam com recursos federais, por exemplo, nós temos 36 postos, nós recebemos recursos pra 36 postos, mas hoje funcionamos muitos mais que 36 com esses anexos, porém esses anexos são bancados todos com recursos do município, nós não podemos botar a mão ou o pé onde não é capaz de se alcançar. Agora, no dia que a equipe do PSF com o médico estiver presente aquele anexo é aberto, é feita a limpeza, a atendente vai fazer a marcação e receber o pessoal juntamente com a equipe".

Sobre o fechamento das escolas, Padre Walmir explicou que não eram escolas, mas sim salas de aulas, sem nenhuma estrutura: "Todos nós sabemos que a metodologia do Governo Federal há muitos anos é nuclear, construir grandes centros educacionais com grande estrutura, com boas equipes e dar funcionamento e transporte adequado, nós sabemos também que o Ministério da Educação no tempo de avaliação da Provinha Brasil, do Enade, precisa de uma certa quantidade de alunos para serem feitas essas avaliações, se não tem quantidade, não tem avaliação. Não tem sentindo manter uma sala, não é uma escola, é uma sala sem estrutura pra funcionar com 10 alunos, quatro alunos", relatou.

Segundo o gestor, a prefeitura está nucleando as escolas, "ou seja, as escolas mais próximas e com quantidades suficientes para se manter um colégio aberto, nós estamos oferecendo transporte, alimentação, professores, porque não tem sentido você ter um número de alunos inferior ao número de funcionários, e também o repasse aos municípios é feito de acordo com a quantidade de alunos, cada aluno tem um valor, e se uma sala de aula com 10 alunos, naquela sala funcionando quatro séries ao mesmo tempo, não dá pra aprender, nós estamos oferecendo qualidade, acabando com as multisseriadas, nós encontramos no município várias classes multisseriadas, sem qualidade, um professor dava aula de 1º, 2º, 3º ano ao mesmo tempo", explicou.

"Hoje se eu quero conseguir uma escola modelo FNDE de 10 salas, uma creche, ele vai perguntar a quantidade de alunos, da demanda e se eu não tenho, eu não recebo, é pensando na qualidade, na estrutura, em nos adequar à realidade do plano de educação. Hoje nós temos vários municípios no Brasil e também no Piauí que aderiram à nucleação e o IDEB e a qualidade subiu, melhorou e nós vamos, com muita dificuldade, enfrentando a ignorância de pessoas de mente pequena, para melhorar como já melhoramos o IDEB", declarou.

Em relação à ausência de assistente em veículos que fazem o transporte de alunos na comunidade Torrões, Padre Walmir afirmou que: "Nós temos, nos carros, nas comunidades onde nucleamos e botamos transporte pra carregar o infantil, é obrigação e nós temos o cuidador dentro do carro".

Sobre as ambulâncias, a secretária de Saúde, Socorro Carvalho, já havia enviado nota informado que "o município conta com duas ambulâncias, uma para viagens a Teresina e outra para circulação em Picos. Ambas estão paradas por problemas mecânicos. Uma delas foi consertada há pouco mais de 15 dias, mas voltou a ter problema".