Piauí - Teresina

Relatório aponta que 55,1% dos teresinenses estão endividados

Os principais instrumentos de crédito mais utilizados pelas famílias para contrair dívidas foram os cartões de crédito com 81,9% e carnês de lojas (citados por 23,3% dos entrevistados).

FELIPE PEDRO

- atualizado

No mês de fevereiro de 2017, a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor de Teresina (PEIC), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens e Serviços e Turismo (CNC), em parceria com a Federação do Comércio do Estado do Piauí (Fecomercio-PI) revelou que 55,1% das famílias da capital do Piauí relataram possuir dívidas com cartão de crédito, carnês de lojas, crédito consignado, cheques pré, cheques especial, financiamento de casa e de carro, enquanto que no mês anterior o percentual foi de 51,6%. Dessa forma, 44,8% declararam não ter dívidas.

A proporção das famílias que se declararam muito endividadas alcançou o índice de 9,5%. no mês passado este índice foi de 8,4%.  A fatia que considerou pouco endividado foi de 22,2%. O endividamento vinha caindo nos últimos meses passando de 54,6% em novembro para 52,9% em dezembro, e de dezembro para janeiro caiu para 51,6%. Entretanto, de janeiro para fevereiro voltou a crescer atingindo 55,1%. Isto mostra que os consumidores aproveitaram uma boa parte do dinheiro extra que entrou nas suas contas, proveniente do 13º salário, para pagar dívidas atrasadas, entretanto, as famílias contraíram dívidas no final do ano e somente em fevereiro é que estão sendo vencidas as primeiras prestações.

A parcela das famílias com contas em atraso atingiu 19,8% dos endividados, aumentando 3,5 pontos percentuais em relação ao mês anterior e foi o maior índice dos últimos 46 meses quando este indicador atingiu 20,6 % em maio de 2014.

Os principais instrumentos de crédito mais utilizados pelas famílias para contrair dívidas foram os cartões de crédito com 81,9% e carnês de lojas (citados por 23,3% dos entrevistados), seguido por crédito pessoal (5,0%), financiamento de casa (3,8%), financiamento de carro (2,5%) e crédito consignado (1,7%). Pelos resultados das pesquisas anteriores constata-se que as famílias aos poucos estão se afastando desta modalidade de crédito.  Em dezembro de 2016, a participação do cartão nas dívidas dos Consumidores era de 83,6% e em novembro 83,0%.

Para o professor de Economia, Fritz Moura, não há um motivo preciso para explicar o resultado da pesquisa, porém ele destaca a desatenção da população em relação a carga tributária que no início do ano é elevada e também a falta de atenção na hora de usar o cartão de crédito. “Não tem como precisar exatamente o porquê desse endividamento, mas a gente acredita que seja por conta do aumento dos impostos que entram no início do ano. A maioria das pessoas recebe o décimo terceiro salário e se planeja para comprar presentes de natal, comprar livro e comprar uma série de gastos que são previstos no início do ano, mas elas não fazem nenhum planejamento sobre os novos impostos que são gerados a mais no mesmo período, pode ser por esta função, ou não, pode ser apenas descontrole, pois a pessoa quando vai comprar parcelado no cartão, ela não olha pro valor total do produto, ela só olha para o valor da parcela e esquece que está comprando várias coisas em prestação, quando vai somar todas as prestações já estourou o orçamento, aumentando o endividamento”, relatou o professor.

Com relação ao tempo destinado para quitar as dívidas atrasadas, 23,9% declararam que poderão realizar o pagamento até 30 dias, entretanto, 44,1% disseram que têm condição de quitá-las, mas com um prazo acima de 90 dias. Metade dos devedores que faturam acima de 10 salários mínimos declararam que podem quitar todas as dívidas atrasadas em até 30 dias e a outra metade (50%) entre 30 e 90 dias.

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