Ciência e Tecnologia

Sexo oral sem camisinha está espalhando supergonorreia

A situação atual é “muito grave”, e segundo a entidade, é “apenas uma questão de tempo” para que antibióticos mais potentes usados contra a gonorreia se tornem ineficientes no tratamento da doença.

SUYNARA OLIVEIRA

- atualizado

A Organização Mundial de Saúde (OMS) fez um alerta nesta sexta-feira (07), que o hábito de fazer sexo oral sem camisinha está produzindo e disseminando uma forma perigosa de gonorreia. Segundo a OMS, o tratamento da doença se tornou muito mais complexo, às vezes, até impossível, porque a bactéria responsável está desenvolvendo resistência a antibióticos.

A situação atual é “muito grave”, e segundo a entidade, é “apenas uma questão de tempo” para que antibióticos mais potentes usados contra a gonorreia se tornem ineficientes no tratamento da doença. Sexo oral sem preservativo, urbanização e globalização, além da precariedade na detecção da infecção e a infecção mal tratada contribuem para a disseminação da gonorreia.

  • Foto: CDC/ James ArcherIlustração mostra imagem tridimensional gerada por computador de bactérias Neisseria gonorrhoeae resistentIlustração mostra imagem tridimensional gerada por computador de bactérias Neisseria gonorrhoeae resistente

Foram coletados dados de 77 países e a OMS descobriu uma resistência generalizada a antibióticos velhos e baratos. Em alguns países, principalmente, os de alta renda, estão sendo detectadas ocorrências de infecção intratável por qualquer antibiótico conhecido, até os de última geração. No Japão, na França e na Espanha foram confirmados três casos de gonorreia impossíveis de se tratar.

A gonorreia é uma doença sexualmente transmissível (DST) e pode infectar os órgãos genitais, o reto e a garganta. Para a OMS, a infecção na garganta é a mais preocupante. Segundo Teodora Wi, especialista da organização, quando uma pessoa está infectada com gonorreia na garganta e usa antibióticos para tratar uma simples dor de garganta, o encontro do medicamento com a bactéria Neisseria gonorrhoeae (que provoca a doença) pode resultar em uma resistência.

As mulheres são mais afetadas com as complicações da gonorreia do que os homens. Entre essas sequelas estão a doença pélvica inflamatória, gravidez ectópica (quando o embrião se desenvolve fora do útero) e infertilidade, bem como um aumento do risco de infecção por HIV.

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