Política

Supremo divulga conteúdo da delação de donos da JBS

São cerca de 2 mil páginas de depoimentos dos irmãos, e as oitivas foram gravadas em vídeo.

SUYNARA OLIVEIRA

- atualizado

O Supremo Tribunal Federal (STF) divulgou nesta sexta-feira (19), o conteúdo das delações premiadas dos empresários e donos do grupo JBS, Joesley e Wesley Batista. São cerca de 2 mil páginas de depoimentos dos irmãos, e as oitivas foram gravadas em vídeo. O ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no STF já homologou as delações.

Nessa quinta-feira (18), depois da retirada do sigilo dos depoimentos, o STF divulgou o áudio gravado pelo empresário Joesley Batista em uma reunião com o presidente Michel Temer. A prova faz parte da investigação que foi aberta contra o presidente na Suprema Corte. Os senadores Aécio Neves (PSDB-MG) e Zezé Perrela (PMDB-MG), também foram citados, além de pessoas ligadas a eles, no entanto, essa parte ainda não havia sido divulgada oficialmente.

  • Foto: Zanone Fraissat/Folhapress/ArquivoWesley (dir.) e Joesley Batista, donos da FriboiWesley (dir.) e Joesley Batista, donos da Friboi

A gravação entre Temer e Batista tem duração de cerca de 40 minutos. Os dois conversam sobre o cenário político, os avanços na economia e também citam a situação do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que foi preso na Operação Lava Jato.

Na tarde desta quinta, o presidente Temer fez um pronunciamento, onde afirmou que não renunciaria ao cargo e exigiu uma investigação rápida na denúncia em que é citado, para que seja esclarecida. "Não renunciarei. Repito não renunciarei", afirmou.

Em nota divulgada à imprensa, o Palácio do Planalto informou que o presidente não acreditou na veracidade das declarações de Joesley.

“O presidente Michel Temer não acreditou na veracidade das declarações. O empresário estava sendo objeto de inquérito e por isso parecia contar vantagem. O presidente não poderia crer que um juiz e um membro do Ministério Público estivessem sendo cooptados”, disse a assessoria do Palácio do Planalto, em nota. A expectativa do governo é que o STF investigue e arquive o inquérito”, diz a nota.