Política

Temer pede ao STF para ter acesso a novo áudio de delações da JBS

O áudio foi levado ao Ministério Público Federal no último dia 31 de agosto e, segundo o procurador-geral, Rodrigo Janot, o conteúdo é "gravíssimo”.

- atualizado

A defesa do presidente Michel Temer pediu, nesta terça-feira (5), ao Supremo Tribunal Federal (STF) para ter acesso à nova gravação entregue pelos delatores da JBS à Procuradoria Geral da República (PGR). O áudio foi levado ao Ministério Público Federal no último dia 31 de agosto e, segundo o procurador-geral, Rodrigo Janot, o conteúdo é "gravíssimo”.

  • Foto: Dida Sampaio/Estadão ConteúdoRodrigo JanotRodrigo Janot

A PGR decidiu apurar se os delatores omitiram informações. O acordo será revisado e pode ser rescindido. Janot diz ainda que as provas serão mantidas e eventuais novas denúncias não estão inviabilizadas.

  • Foto: Dida Sampaio/Estadão ConteúdoMichel TemerMichel Temer

Os advogados do presidente também pediram ao STF para ter acesso a outros áudios, apagados do gravador usado por Joesley Batista, dono da empresa, mas posteriormente recuperados pela Polícia Federal.

Ex-procurador

Em uma gravação revelada nesta segunda (4) pela Procuradoria Geral da República (PGR), Joesley Batista e Ricardo Saud, um dos diretores da JBS, conversam sobre uma suposta ajuda prestada pelo ex-procurador Marcelo Miller para os delatores fecharem o acordo. À época, Miller trabalhava na PGR, de onde saiu em abril para atuar como advogado num escritório de advocacia que atuou no acordo de leniência da J&F, que controla a JBS.

Ainda nesta segunda, a defesa do ex-procurador divulgou a seguinte nota: "Marcello Miller tem convicção de que não cometeu qualquer crime ou ato de improbidade administrativa e informa que está à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos."

Tramitação

Caberá ao relator da Operação Lava Jato no STF, ministro Edson Fachin, autorizar o acesso de Temer às gravações. Elas foram entregues pela PGR ao STF no início da tarde e ainda serão analisadas pelo ministro. Fachin poderá retirar o sigilo na íntegra ou parcialmente, já que partes da conversa entre Joesley e Saud tratam da vida privada de terceiros, não investigados no caso.

Eventual denúncia

Nesta terça, a defesa de Temer também protocolou um novo pedido para impedir que Janot denuncie o presidente com base nas investigações da delação da JBS. Um primeiro pedido para afastar Janot do caso já havia sido negado por Fachin na semana passada, mas a defesa recorreu e agora quer suspender a apresentação de uma nova denúncia.

Desde que passou a ser investigado no STF a partir da delação da JBS, Temer tem questionado a forma como o acordo foi negociado, principalmente pelo envolvimento de Marcello Miller no caso. O presidente disse que ele deveria ter cumprido quarentena, período de inatividade entre sua saída da PGR e a atuação como advogado.


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