Piauí

Tiradentes: o líder da Inconfidência Mineira

Na época do Império, apenas pequenos grupos republicanos celebravam o dia 21 de abril. E foi somente após a Proclamação da República, que o 21 de abril foi transformado em feriado nacional.

BRUNA DIAS

- atualizado

Neste 21 de abril, é comemorado o dia de Tiradentes, data criada para homenagear Joaquim José da Silva Xavier, um ativista político considerado por muitos, um herói nacional e  líder da Inconfidência Mineira. O historiador Antônio Fonseca Neto explicou a importância deste personagem para a história do país.  

"A importância dele é ser exemplo de um brasileiro que desafiou uma ordem que considerava injusta e morreu dignamente defendendo algumas ideias que julgou necessárias para mudar o país naquele momento, antes, e de lá para cá, existiram milhares de Tiradentes, a maioria no anonimato. Tiradentes deve ser lembrado no contexto de uma luta de muitos sonhadores por ideias novas. Mas não é um herói no sentido mais clássico que a própria historiografia consagra", destacou. 

  • Foto: Agostinho Rodrigues TorresHistoriador Fonseca NetoHistoriador Fonseca Neto

Tiradentes foi enforcado e esquartejado no dia 21 de abril de 1792, devido ao seu envolvimento com um movimento separatista no Brasil: a Inconfidência Mineira. Ele tinha esse apelido por exercer, além da função de ativista político, comerciante, militar, minerador e tropeiro, o ofício de dentista.

"Tiradentes foi um destacado participante de um movimento de caráter sedicioso havido em Minas Gerais, no ano de 1789, mesmo ano da deflagração da chamada "revolução francesa", em Paris. Foi o único chefe da dita sedição que foi executado com a pena capital (morte). Outros participantes, ainda que sentenciados, conseguiram se safar. A sedição da qual participaram tinha um caráter tipicamente elitista, no sentido de que eram homens de posses os seus chefes, em geral devedores de impostos à Coroa, ameaçados por uma 'derrama' (cobrança compulsória) de tributos recebidos por eles e não repassados ao Erário régio. O movimento de que participou produziu um delator, que revelaria um lado nada meritório do intento sedicioso, pois um coronel [Joaquim Silvério] que se apropriava delituosamente de dinheiro régio "público" que não lhe pertencia. Posição nada honrosa", contou o professor.  

Na época do Império (1822-1889), apenas pequenos grupos republicanos celebravam o dia 21 de abril. E foi somente após a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, que o 21 de abril foi transformado em feriado nacional, conforme explica o professor Fonseca Neto.  "A comemoração é uma decisão política dos proclamadores da República de 1889, celebrando os 100 anos da morte dele, em 1892. Antes disso, havia restrição nessa lembrança", disse. 

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