Polícia

Veja como funcionava esquema que fraudou concurso dos Bombeiros

Ao todo, foram expedidos 36 mandados de prisões, além de 71 mandados de buscas e apreensões e 35 mandados de conduções coercitivas.

JOCIARA LUZ

- atualizado

Documentos em posse do GP1 mostram como funcionava a organização criminosa que fraudava concursos públicos no estado do Piauí. No último dia 17 de novembro, o Greco deflagrou a Operação Vigiles, com o objetivo de investigar fraude no concurso do Corpo de Bombeiros, que havia ocorrido em 2014. Trinta e uma pessoas foram presas.

Ao todo, foram expedidos 36 mandados de prisões, além de 71 mandados de buscas e apreensões e 35 mandados de conduções coercitivas. A operação se desencadeou após informações obtidas durante as investigações de fraude no concurso do Tribunal de Justiça do Piauí, em março deste ano, ocasião em que foi realizada outra operação, denominada Veritas. Também foi constato que o grupo também atuou no certame para agente penitenciário e planejou fraudar o concurso da Guarda Municipal de Teresina.

Os documentos também apontam que houve fraude no concurso do Hospital Universitário e alguns dos investigados de participarem no esquema fraudulento também foram aprovados no referido certame. O inquérito já foi concluído e enviado para apreciação da Justiça. O delegado Carlos César Camelo afirmou que dez pessoas permanecem presas e cinco ainda estão foragidas, mas não informou nomes.

  • Foto: Lucas Dias/GP1Delegado Carlos CésarDelegado Carlos César

Abaixo, confira a lista das pessoas que integravam o grupo e como funcionava a participação de cada uma no esquema criminoso:

Cristian Alcântara Santiago: principal membro da organização criminosa e apontado como mentor no esquema de fraude do Concurso do Corpo de Bombeiros. Provas da sua participação ficaram evidentes em conversas por meio do aplicativo Telegram em que fica claro que Cristian teve acesso a prova e a comercializou com alguns candidatos. O histórico de chamadas de Cristian também mostra “intenso contato telefônico mantido pelo investigado com vários dos candidatos aprovados no certame do Corpo de Bombeiros”. O acusado já havia sido preso durante a Operação Veritas, que investigava fraude ao concurso do Tribunal de Justiça.

Josué Brito Modesto: um dos principais membros da organização criminosa que havia sido preso na Operação Veritas, tinha o papel de comercializar os gabaritos dos concursos que eram fraudados pelo grupo. A investigação aponta que Josué manteve contato com candidatos aprovados no concurso, bem como em dias anteriores à prova.

Evilásio Rodrigues de Oliveira Cortez: o advogado foi preso na Operação Veritas e também no dia da prova do concurso para Agente Penitenciário, o que demonstra que ele não deixou de participar das fraudes. Manteve contato com aprovados no concurso do Corpo de Bombeiros no dia da prova, bem como em dias anteriores.

Gabriel Alves Costa Pereira: além de beneficiário do esquema, também é dos principais integrantes da organização que foi preso na deflagração da operação Veritas e tinha a responsabilidade de comercializar os gabaritos e falsificar documentos utilizados por candidatos nos concursos que eram fraudados pelo grupo. Gabriel manteve contato com membros da organização criminosa no dia da prova e em dias anteriores, bem como com candidatos aprovados no certame. Ainda consta que ele foi afastado do curso de formação por ter reprovado em mais de três disciplinas, visto que não conseguiu atingir a nota mínima para passar, que é de 6,0 pontos.

Evelyn Mariane Oliveira Ferreira: integrante da organização, foi presa no dia da prova do concurso do Tribunal de Justiça e conduzida coercitivamente na deflagração da Operação Veritas. Além de beneficiária do concurso do CBM, Evelyn também tinha a responsabilidade de comercializar os gabaritos e fazer as provas no lugar de outras candidatas nos concursos fraudados pelo grupo. Manteve contato com outros fraudadores do concurso. Ela também foi desligada do curso de formação por ter reprovado em mais de três disciplinas.

Maria Izabel Sampaio Ribeiro: funcionária da Nucepe, atuou como fiscal em vários concursos organizados pela instituição. Ela tinha o papel de repassar as provas para Cristian. Maria Izabel é mãe de Alanna Rayene Ribeiro Trintade, que, de acordo com conversas de Cristian, é integrante do esquema criminoso.

Alanna Rayene Ribeiro Trintade: a investigação constatou que ela era responsável por conseguir as provas dos concursos em que era fiscal e repassar um dia antes da realização ao grupo liderado por Cristian.

Bruno Carvalho Miranda: apontado como também responsável por conseguir as provas dos concursos e repassá-las ao grupo criminoso.

Aluísio Abreu de Castro: possui estreita amizade com líderes da organização. Foi aprovado em terceiro lugar para soldado do corpo de Bombeiros. Apresentou enorme índice de coincidências entre seu gabarito e de outros 47 candidatos. Ele também manteve intenso contato telefônico com Cristian no dia da prova e em dias anteriores. A investigação apontou Aluísio como membro do esquema, devido sua ligação com diversos membros do grupo. Ele também foi afastado do curso de formação por reprovar em mais de três disciplinas.

ABAIXO, CONFIRA A LISTA DOS BENEFICIADOS DO ESQUEMA:

Francisco da Chagas Layson da Silva Costa: beneficiado no concurso do Tribunal de Justiça e do Corpo de Bombeiros. Apresentou igualdade de resposta em relação a outros 48 candidatos. Semanas antes da prova do concurso do CBM, Francisco das chagas manteve contato com Josué Brito Modesto.

Jacqueline Alves Brandão: juntamente com o irmão, Luciano Alves Brandão, foi beneficiária no concurso do TJ, tendo inclusive sido presa temporariamente durante a Operação Veritas. Apesar de não participar do curso de formação do CBM, ela aparece como beneficiada pois apresentou igualdade de gabarito com outros 48 candidatos, além de manter contato com membros da organização criminosa e outros beneficiários do grupo.

Clécio Fernandes de Souza: amigo de membros da organização criminosa. Foi beneficiado pelo esquema e apresentou igualdade de gabarito com outros 48 candidatos. Clécio é acusado de apresentar documentos escolares que não foram reconhecidos como autênticos pela Secretaria Estadual de Educação.

Anderson José de Araújo Santiago: reside na mesma casa e é sobrinho de Cristian, também foi aprovado no concurso do CBM e assim como outros investigados também apresentou igualdade de gabaritos com outros 48 candidatos. Também possui relação de amizade com outros membros da organização.

Juniel Gomes de Sousa: também apresentou igualdade de gabaritos com outros candidatos. Possui amizades com membros do esquema, inclusive realizando serviços de “capanga” para Cristian, provas mostram que o líder da organização teria pedido que Juniel intimidasse uma pessoa do Hospital Universitário por uma suposta dívida.

Ângelo José Fontenele dos Anjos, Hermeson José da Silva , Dinael Monteiro de Araújo, Ítalo Cesar da Silva Damasceno e Maria José de Oliveira Rodrigues: apresentaram gabaritos praticamente iguais entre si. Estes também mantinham relação com Cristian e outros membros da organização criminosa.

Antônio Marcos Lopes Melo: além de apresentar coincidência entre seu gabarito e de outros candidatos, ele também manteve contato reiteradas vezes, no dia da aplicação do concurso do CBM, com Josué Brito Modesto.

Gessyel Antônio Rodrigues Sampaio, Janaira Pessoa dos Santos, Jardel Pessoa dos Santos: tiveram os gabaritos praticamente iguais entre si. Outro fato que chamou atenção é o parentesco entre os dois últimos, que são irmãos, e que Janaira e Gessyel colocaram o mesmo número de telefone fixo durante a inscrição para o concurso.

Wagner Brandão Barbosa: apresentou coincidência entre seu gabarito e de outros candidatos, além de manter contato no dia da aplicação do concurso do CBM com Josué e Cristian.

Monnuery Pacheco dos Santos, Valéria Vanessa Cabral e Emerson Araújo da Silva: tiveram gabaritos praticamente iguais e mantiveram contato entre si antes do dia da prova e minutos antes da realização desta. Eles também possuem relação com outros membros do esquema. Monnuery é irmão de Helder Richard Pacheco Cavalcante, preso na Operação Veritas por ser apontado como beneficiário do esquema.

Valéria: é ex-esposa de José Vilomar Nunes Pereira, também preso na Operação Veritas e apontado como um dos líderes da organização criminosa que foi desarticulada na ocasião. Eles mantiveram contato minutos antes da prova do concurso do CBM e logo depois o término desta.

Andrea Gomes Oliveira, Helano Magalhães Correia, Alexandre Augusto Oliveira da Silva e Neyrisdenis Oliveira Porto: tiveram gabaritos praticamente iguais e mantiveram contato com membros da organização. Andrea e Helano ainda apresentaram o mesmo número de telefone durante a inscrição para o certame, o que mostra a ligação entre eles.

João Gabriel Cardoso Mangueira e Christina Cardoso Mangueira: vários fatos apontam para sua participação na fraude, como os gabaritos praticamente iguais entre si e outros candidatos. Eles são irmãos e também apresentam ligação parental (cunhados) com o advogado Evilásio, que é casado com Christiana Cardoso Mangueira. João Gabriel e Chistina mantiveram contato com Evilásio no dia do concurso.

Também consta que Christiana Cardoso Mangueira foi conduzida coercitivamente na Operação Veritas por suspeita de que ela tinha conhecimento da fraude que ocorreu no concurso do TJ. Além disso, há provas de que ela recebeu uma mensagem de texto durante a prova da TRE Maranhão, em que era candidata. Segundo interrogatório de alguns alvos da Operação Veritas, um grupo de candidatos de Teresina foi à São Luís do Maranhão realizar a citada prova utilizando-se do esquema fraudulento de envio de gabarito via SMS. Christiana e Chistina também constam como aprovadas no concurso do HU.

Miguel José de Carvalho Neto e Jardeany Kessya Pereira da Luz: eram casados quando da aplicação do concurso e apresentaram gabaritos praticamente iguais. Miguel foi afastado do curso de formação por ter reprovado em mais de três disciplinas.

Rayssa Kelly Alexandre de Carvalho: irmã de Miguel José, ela ficou entre os classificáveis do concurso do CBM. No dia 18 de setembro, Rayssa foi presa em flagrante por tentativa de fraude no concurso da Sejus para Agente Penitenciário. Na ocasião ela foi flagrada com um papel que continha o gabarito da prova em manuscrito. Rayssa afirmou que um amigo do seu irmão havia lhe passado as respostas.

Segundo a denúncia, Rayssa Kelly, Miguel José e Jardeany Kessya teriam pago R$ 5 mil pelo gabarito do concurso do CBM.

Polícia divulga fotos dos presos na Operação "Vigiles"


Link do texto:

Veja como funcionava esquema que fraudou concurso dos Bombeiros
http://www.gp1.com.br/noticias/veja-como-funcionava-esquema-que-fraudou-concurso-dos-bombeiros-405117.html

© 2007-2016 GP1 - O Primeiro Grande Portal do Piauí. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do GP1.