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Veja todas acusações feitas na delação dos donos da JBS

Os donos do grupo JBS, Joesley e Wesley Batista fizeram acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República.

SUYNARA OLIVEIRA

- atualizado

Nesta sexta –feira (19), o Supremo Tribunal Federal (STF) divulgou o conteúdo das delações premiadasdos empresários e donos da JBS, Joesley e Wesley Batista.

Veja o que de mais importante Joesley Batista e seus executivos contaram à força-tarefa da Lava Jato em seus depoimentos.

Propina a Temer

  • Foto: Dida Sampaio/Estadão ConteúdoPresidente Temer diz que não renunciará ao cargoPresidente Temer diz que não renunciará ao cargo

Joesley diz que neste ano o presidente Michel Temer pediu “vantagem indevida” para resolver um assunto de grande interesse do grupo – ao fim do monopólio da Petrobras no fornecimento de gás natural. O auxílio também se estenderia a outras demandas da companhia, como o “destravamento das compensações de créditos de Pis/Cofins com débitos do INSS”.

O presidente da República, segundo ele, receberia 5% dos valores em questão. Joesley Batista cita ainda o repasse, em 2014, de valores próximos a R$ 15 milhões para Temer “em troca da atuação favorável aps interesses do grupo J&F”. A J&F é a holding da qual faz parte o frigorífico JBS.

Pagamentos a Lula e Dilma no exterior

  • Foto: Alex Silva/Estadão ConteúdoDilma e LulaDilma e Lula

O dono da JBS diz que transferiu para uma conta no exterior, a título de “vantagens indevidas”, US$ 50 milhões destinados ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e mais US$ 30 milhões em outra conta, também no exterior, em favor da ex-presidente Dilma Rousseff. Os repasses, disse ele, foram feitos por intermédio do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega.

Ajuda de Temer no STF

Joesley Batista diz que ouviu do presidente Michel Temer que poderia ajudar Eduardo Cunha, preso desde o ano passado, no Supremo Tribunal Federal. O presidente afirma que teria como auxiliar o ex-deputado junto a dois ministros da Suprema Corte.

Campanha de Dilma

O empresário diz ter repassado R$ 30 milhões ao ex-ministro Antonio Palocci a pretexto de ajudar na campanha de Dilma Rousseff em 2010.

Pagamento ao presidente do Senado

Segundo Ricardo Saud, um dos principais executivos de JBS, o senador Eunício Oliveira recebeu R$ 5 milhões para ajudar na aprovação de uma medida provisória que tratava da cobrança de PIS e Cofins, um tema de grande interesse da companhia.

Propina a Aécio Neves

  • Foto: Dida Sampaio/Estadão ConteúdoAécio NevesAécio Neves

Os donos e executivos da JBS contam que o senador afastado Aécio Neves, do PSDB, recebeu em 2014 valores próximos a R$ 63 milhões para defender interesses da J&F, a holding da qual faz parte a JBS. Aécio ajudaria, por exemplo, a liberar créditos de ICMS devidos à empresa. Joesley Batista cita ainda o repasse de 2 milhões ao tucano “em razão da aprovação da lei de abuso

Repasse para José Serra

  • Foto: Donaldo Hadlich /Framephoto/Estadão ConteúdoJosé Serra José Serra

Segundo Joesley Batista, o ex-ministro das Relações Exteriores, recebeu R$ 20 milhões. O dinheiro foi repassado, diz ele, a pretexto de auxiliá-lo em campanha eleitoral.

Repasses a Eduardo Cunha

  • Foto: Theo Marques/Fotoarena/Estadão ConteúdoEduardo Cunha Eduardo Cunha

O delator diz que, por meio de um sistema de conta corrente gerenciado pelo operador de mercado Lúcio Funaro, foram repassados entre os anos de 2009 e 2014 cerca de R$ 50 milhões a Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados.

Os pagamentos foram feitos em troca de facilidades em financiamentos da Caixa Econômica Federal. A movimentação do dinheiro se dava em uma espécie de conta corrente. Josley também cita um pagamento de R$ 20 milhões a Cunha em troca de alterações na legislação para desonerar a folha de pagamento de funcionários – um tema que beneficiava financeiramente a JBS. Ele relata ainda o repasse de mais R$ 30 milhões para que Cunha, enquanto presidente da Câmara, apoiasse as demandas do grupo empresarial no Congresso.

Propina ao ministro do Desenvolvimento

O ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Marcos Pereira, é citado como beneficiário de propina. Ele recebeu repasses de dinheiro em troca da aprovação de um empréstimo de R$ 2,7 bilhões junto à Caixa.

Dinheiro para Marta Suplicy

A senadora do PMDB, ex-petista, recebeu R$ 1 milhão do grupo a pretexto de auxílio à campanha eleitoral de 2010. Outros R$ 3 milhões, segundo Joesley, foram repassados em troca de “possíveis negócios caso Marta Suplicy vencesse aeleição para a Prefeitura de São Paulo”.

Dinheiro para Gilberto Kassab

Wesley Batista, irmão de Joesley, e o executivo Ricardo Saud contam que o ministro das Comunicações de Temer e ex-prefeito de São Paulo também recebeu “vantagens indevidas”.

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