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15/02/2010 - 22h07

Mulheres que traem

Atualizada em 15/02/2010 - 22h10
Sob a condiçao do anonimato, mulheres dão depoimentos que revelam: a líbido está ganhando de valores como segurança e fidelidade.

*Por Melissa Diniz

Traição feminina


Imagem: Reprodução / MdemulherClique para ampliarFoto: Getty Images(Imagem:Reprodução / Mdemulher)Foto: Getty Images
Tudo começa com um olhar sedutor e uma gentileza gratuita, como segurar a porta do elevador para você entrar. Em seguida, vem um elogio. Pode ser sutil, quase inocente. Ou desconcertante. Seja como for, uma boa cantada melhora o astral de qualquer mulher, inclusive das comprometidas. Algumas disfarçam, fingem que nada aconteceu. Outras aproveitam a deixa para viver uma tórrida aventura sexual.

"Sentir atração por outro homem, mesmo tendo parceiro, é totalmente natural. A paquera é muito saudável para circular a libido e erotizar a vida. Se, a partir daí, vai acontecer alguma coisa e se isso implicará conflito, depende da mulher e do acordo entre os parceiros", afirma Vera Furia, mestre em psicologia clínica pela PUC-SP e autora do livro "Mulher, Arquivo Confidencial" (Ed. Arx).

Na opinião de Vera, sentir-se desejada ou atraída por outro pode apimentar a vida a dois. "Ninguém consegue ficar apaixonado para sempre. O flerte pode trazer de volta o encanto e enriquecer a relação", diz.

Tesão e carência

Para a psicanalista e terapeuta de casais Léa Michaan, pós-graduada em psicoterapia psicanalítica pela USP, além de excitante, a paquera funciona como válvula de escape para aliviar tensões. "Devido à carga moral presente em nossa cultura, é comum as mulheres se culparem ao sentir atração por outro que não seja o companheiro oficial, mas trocar olhares não faz mal a ninguém. Pode até consistir numa fonte de energia extra", afirma.

O problema é transferir para o flerte a carência afetiva, passando a buscar em outros homens o que queria receber do marido ou namorado. "Mulheres que usam a paquera de forma compulsiva para satisfazer sua insegurança emocional ficam cada vez mais insatisfeitas e acabam se machucando", alerta Vera Furia.

Como saber, então, quando vale a pena se entregar completamente ou frear os impulsos? Não há manual para isso, mas refletir ajuda. "Ponha na balança seu desejo, as regras da sua relação, os riscos que corre e como lidará com eventuais sentimentos de culpa. Não é a atração que faz alguém ser irresponsável, e sim agir sem pensar nas consequências", diz Vera.

Léa Michaan concorda que só a escolha consciente vale a pena. Assim, a mulher não se arrepende por ter recuado - e deixado escapar aquele homem imperdível - nem se corrói de culpa por ter experimentado uma paixão fugaz. "Tente descobrir o que a faz feliz, seja como for. O pior é querer dar uma de liberal ou de puritana quando na realidade não é", aconselha.

Imagem: Reprodução / MdemulherClique para ampliarFoto: Getty Images(Imagem:Reprodução / Mdemulher)Foto: Getty Images
Paquera virtual


"Há três anos, conheci um homem pela internet. Na época, meu casamento, de cinco anos, não ia bem e o amigo virtual me cobria de elogios, falava tudo que queria fazer comigo e aquilo aguçava meu desejo. Então, descobri que meu marido estava tendo um caso. Parei de me sentir culpada pelo romance no computador e me separei. Mas, quando íamos nos divorciar, resolvemos tentar de novo. A partir daí, nossa relação mudou. Tivemos outro filho e revelei a ele minhas fantasias. Hoje nossa vida sexual é maravilhosa. Parece loucura, mas a traição dele e minha paquera virtual foram a melhor coisa que nos aconteceu!"
SOFIA*, 27 ANOS, CASADA, SECRETÁRIA, DE SÃO PAULO
Nomes trocados a pedido das entrevistadas



Diversão sem culpa

"Separo sexo de amor e, mesmo comprometida, não dispenso uma oportunidade de me divertir. Apesar de gostar muito do meu ex-namorado, não deixei de ficar com outros enquanto estávamos juntos. Um dia, transei com um colega de trabalho na sala de aula depois que os alunos já tinham ido embora. Ele veio com uma cantada direta: 'Você me atrai por ser baixinha. Parece carinhosa e boa de cama. Quer transar comigo?' Aceitei e foi delicioso. Não me senti culpada, mas já tive medo de ser descoberta porque odeio briga."
MÁRCIA*, 35 ANOS, SOLTEIRA, PROFESSORA, DE MANAUS
Nomes trocados a pedido das entrevistadas


Paixão no escritório

"Meu casamento de 18 anos estava em crise, mas eu nunca tinha traído. Há dois anos, era chefe em uma empresa e percebi os olhares de um de meus subordinados, um rapaz de 23 anos. Ele foi se aproximando aos poucos até se declarar. O interesse de um homem mais novo me animou. Comecei a me arrumar mais, entrei na academia... Embora o desejo fosse grande, pensava nos meus dois filhos, hoje com 13 e 17 anos, e me sentia culpada. Não consegui resistir. Levei nove meses para ter coragem de pedir o divórcio. Não foi fácil. Os meninos sofreram e eu passei por alguns problemas financeiros e emocionais, mas não me arrependo. Continuo namorando - estamos juntos e felizes com planos de casar e até de ter filhos".
RAQUEL*, 39 ANOS, SEPARADA, GERENTE DE RELACIONAMENTO, DE SÃO PAULO
Nomes trocados a pedido das entrevistadas


Fidelidade ao amante

"Sou casada há nove anos. Sexo não é importante para meu marido. Já para mim, sim, e essa diferença pesou. Como ainda existe carinho, não me separei, mas me apaixonei pelo dono de uma loja vizinha à minha. Ele é japonês, não resisto! Comecei a frequentar o local e, percebendo meu interesse, ele passou a retribuir as visitas. Soube que era casado e tentei me conter. Quatro meses depois, iniciamos um caso, que já dura mais de um ano. O problema é que apareceu outro comerciante que está me paquerando: tem 29 anos, é solteiro e lindo! Mas sou fiel ao meu amante. Se ele descobre, termina tudo comigo, e eu não suportaria."
BÁRBARA*, 31 ANOS, CASADA, LOJISTA, DE SÃO PAULO
Nomes trocados a pedido das entrevistadas


Safado e perigoso

"Namoro há quatro anos e nossa relação é calma demais. Gosto da sensação de perigo. E quem me faz sentir isso é um cliente da empresa em que trabalho. Há três meses, ele me ligou assim que saiu do escritório. Disse que fazia tempo estava de olho em mim e queria me encontrar. Desde então, nos vemos sempre. Ele é casado e sabe que sou comprometida, mas essa situação só esquenta o clima. Adoro me sentir desejada e não resisto a um cara safado!"
LETÍCIA*, 25 ANOS, SOLTEIRA, AUXILIAR DE ESCRITÓRIO, DE SÃO PAULO
Nomes trocados a pedido das entrevistadas


Busca por valorização

"Eu me casei há 14 anos, apaixonada. Nunca desconfiei do meu marido. Quatro anos atrás, descobri que ele me traía. Foi um baque e decidi me separar. Após três meses, meu filho de 7 anos pediu que eu deixasse o pai voltar. Consenti, mas minha autoestima estava abalada e, na mesma época, outro homem se aproximou. Era ótimo me sentir atraente de novo e me deslumbrei. Fiz lipo, plástica e alonguei os cabelos. Mas nossa química não bateu: o beijo e o sexo não me fisgaram, senti falta de intimidade. Terminei o caso. Depois, meu marido passou a me valorizar, embora ele nunca tenha desconfiado de nada."
ELAINE*, 35 ANOS, CASADA, ASSESSORA POLÍTICA, DE SÃO BERNARDO DO CAMPO (SP) Nomes trocados a pedido das entrevistadas

Sensação de poder

"Antes de casar, quando já namorava fazia dois anos, me envolvi com um policial militar, casado. Fiquei louca por aquele rapaz lindo e fardado. Adorava os telefonemas escondidos, os elogios sensuais. Eu me sinto poderosa quando sou paquerada. A relação terminou com o tempo e eu casei com meu namorado - o PM até foi ao casamento, com a esposa e os filhos. Acabei me separando por outros motivos, mas não me arrependo desse caso. A felicidade é feita de momentos como aqueles que vivemos juntos."
FERNANDA*, 31 ANOS, DIVORCIADA, EMPRESÁRIA, DE SÃO PAULO
Nomes trocados a pedido das entrevistadas


Segurança acima de tudo

"Nunca tive coragem de trair porque vai contra meus valores, mas o fato de já ter sido traída pelo meu marido me deixou aberta aos flertes. Sou casada há 17 anos e nossa relação está desgastada. Não recebo elogios nem me sinto amada. Isso me faz falta. Certa vez, há uns três anos, um paciente do meu consultório demonstrou que queria algo mais. Ele tinha uns 58 anos, era casado, cheiroso e muito rico. Dizia que eu era a mulher mais bonita e inteligente que conhecia. Se fosse seguir meus impulsos, teria rolado ali mesmo, mas sabia que ele nunca deixaria a esposa para ficar comigo e não sou liberal a esse ponto. Além disso, tenho um filho de 14 anos e achei que não era certo. Até hoje ele me liga. Nunca cedi. É muito bom me sentir desejada, mas preciso de segurança. É só por isso que ainda não me separei." MARIA DAS DORES*, 43 ANOS, CASADA, DENTISTA, DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO (SP)
Nomes trocados a pedido das entrevistadas

FERNANDA*, 31 ANOS, DIVORCIADA, EMPRESÁRIA, DE SÃO PAULO
Nomes trocados a pedido das entrevistadas


Sexo sem compromisso

"Meu namorado é bem mais velho que eu e nos damos muito bem. Mas permaneço aberta a novas possibilidades. Um tempo atrás, estava no avião e um rapaz interessante puxou conversa. Quando pousamos, me ofereceu carona. Acabamos no motel. Foi ótimo e nunca mais o vi. Não estou a fim de manter um caso, mas não recuso sexo sem compromisso."
ELKE, 28 ANOS, SOLTEIRA, ANALISTA DE MARKETING, DE GOIÂNIA
Nomes trocados a pedido das entrevistadas

Fonte: Mdemulher

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