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Fone: 86 3233-1286    redacao@gp1.com.br Terça-feira, 6 de janeiro de 2009
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Sueli Castillo
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Psicóloga

Um feliz Ano novo: Realmente Novo!!!

Receita de Ano Novo - Carlos Drummond de Andrade

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens? passa telegramas?).

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Um texto antigo do grande poeta Drummond, mas contemporâneo por excelência. A física, a matemática, os estudos  atuais que tratam da origem da vida mostram que o universo esta em constante expansão e uma hipótese futura é que essa enorme expansão cause uma ruptura em relação ao tempo e espaço: "grande rasgo" no universo.  E nós continuamos os mesmos em relação há esse nosso tempo. A cada ano "novo", novas propostas que deverão ser engavetadas em nossa memória. Sonhos não realizados, desejos frustrados e esse tempo tão esperado para vir a realizar, acaba sempre não consumado.

Parafraseando Drummond, proponho a todos nós nesse ano que se inicia: Vamos acordar desse eterno cochilo?

Que tenhamos um excelente NOVO ANO!!!

Postada em 30/12/2008 12:09h

Então é natal: dezembro de 2009!!!

Então é Natal
E o que você fez?
O ano termina e nasce outra vez
Então é natal
A festa cristã
Do velho e do novo
Do amor como um todo
Então bom natal e o ano novo também
Que seja feliz quem, souber o que é o bem.
(John Lennon)

Natal, dia de comemoração, dia de reencontro, dia de família, dia de presentes, dia de felicidade. Natal, dia de reflexão, dia de paz, dia de comemoração. Passa-se o ano vivendo intranqüilidades, dores, medos, inseguranças, tristezas, solidão e quando chega o natal espera-se tudo o que não foi obtido e conquistado. Espera-se que a solidão transforme-se em multidão, que o fantasma do desemprego seja exorcizado, que a insegurança da fome se torne fartura, que a escassez do amor se torne abundante, que os conflitos pessoais sejam pacificados, que a doença se torne sadia, que a miséria se torne abastada, que o ódio se cubra de amor. As magoas ficam camufladas, o bem esquecido e o mal abafado.

Não, não me arrependo de nada,
Esta tudo pago, apagado, esquecido,
Não me importa o passado
Com as minhas recordações
Acendi o fogo
As minhas magoas, os meus prazeres já não preciso mais deles,
Apagado os amores e todos os meus temores
Recomeço do zero.
( Edith Piaff)

Porque não acender então nesse natal o fogo e queimar as mágoas, queimar o desejo do retorno ao passado, queimar os medos e recomeçar do zero? Porque não sanar as diferenças, porque não pedir desculpas verdadeiras e não banais e recomeçar a vida sem essa herança maléfica?
Porque esperar o próximo natal para pensar em tudo isso? Porque esperar o próximo ano para sentir a necessidade de estar com a família, com os amigos?

A vida atual nos coloca em uma grande roda viva. Como é importante se colocar como pessoa dentro dessa roda, e com ela rodar quilômetros e mais quilômetros de vida com equilíbrio, com desprazeres e prazeres, não em um mundo mágico, colorido artificialmente, mas extraindo sim colorido da realidade por mais difícil que ela se apresente.

Então é natal e o que você fez, o ano termina e nasce outra vez!!! Recomeçar uma nova etapa de vida cabe a cada pessoa, mas acompanhado de amor, de família, de companheirismo e de amigos sempre é gratificante.
 

Recomecemos juntos nesse Natal!!! Feliz Natal é o meu desejo mais sincero a nós todos.

 

 

 

Postada em 23/12/2008 21:22h

O paraíso artificial das drogas!

Segundo definição do dicionário de língua portuguesa, droga significa o “nome genérico das diferentes matérias que entram em preparados farmacêuticos ou na indústria; qualquer substância medicamentosa; estupefaciente; narcótico; designação antiga das especiarias e plantas medicinais que vinham do Oriente; tecido leve de seda ou lã do Oriente; produto de má qualidade”. O termo “droga” presta-se a várias interpretações, mas ao senso comum é uma substancia proibida, de uso ilegal e que provoca sérios danos a quem as utiliza. A droga é original de determinadas plantas, de animais e de alguns minerais. Como exemplo: a nicotina (tabaco), o ópio (papoula) e o THC, tetrahidrocanabiol (cannabis). Também as drogas podem ser sintéticas fabricadas em laboratórios. No Brasil temos as drogas licitas como o fumo e o álcool e as drogas ilícitas. É importante ressaltar que tanto as licitas quanto as ilícitas causam seria dependência física e psíquica a quem as utilizam, modificando as funções, as sensações, o humor e o comportamento da pessoa. O usuário torna-se refém da droga e o preço que paga pelo uso é extremamente elevado para si próprio, para a família e para a sociedade.

O termo droga envolve uma gama de substancias que abrangem desde os analgésicos, os estimulantes, os alucinógenos, os tranqüilizantes e os barbitúricos, além do álcool e outras substâncias voláteis. As drogas podem ser absorvidas por ingestão, por inalação, via oral ou injeção intravenosa.

Estão classificadas em três categorias: as estimulantes, os depressores e os perturbadores das atividades mentais.
Depressivas - aumentam a freqüência cerebral e podem dificultar o processamento das mensagens que são enviadas ao cérebro. Exemplos: álcool, barbitúricos, diluentes, catamina, cloreto de etila, clorofórmio, ópio, morfina, heroína, maconha, haxixe, etc.

Psicodistropticas ou alucinógenarias – têm por característica principal a despersonalização em maior ou menor grau. Exemplos: Ayahuasca, cogumelos, skunk, LSD, psilocibina, e chá de cogumelo.

Psicotrópticas ou estimulantes - produzem aumento da atividade pulmonar, diminuem a fadiga, aumentam a percepção ficando os demais sentidos ativados. Exemplos: cocaína, crack, cafeína, teobromina, MDMA ou ecstasy, GHB metanfetamina, anfetaminas (bolinha, arrebite) etc.
Importante ressaltar que todas, acabam por afetar a parte cerebral e com isso o comportamento passa ser altamente comprometido, bem como o físico e o psicológico do usuário.

Incontáveis são os motivos levam alguém a provar drogas: diversão, dificuldade de se relacionar socialmente e/ou pessoalmente, influencia de amigos, adesão ao grupo, facilidade de acesso e obtenção, sensação imediata de prazer e solução aparente dos problemas, alivio da ansiedade, fuga, estimulo sensação de calma, sensação de poder, sensação de força, alivio de dores, angustias depressões, quebra de timidez, emagrecimento, necessidade de ficar acordado, insônia dentre outros. Mais uma vez é fundamental ressaltar que apenas a droga trás um alivio ultra momentâneo e para que a pessoa sinta novamente as sensações ilusórias é necessário a cada vez usar mais e mais droga. Portanto é um caminho que nada acarreta de concreto, ocasionando apenas uma seria e grave doença a quem utiliza.

 Estudo elaborado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) constatou que, no Brasil, a maioria das iniciativas de prevenção ao consumo de drogas está na periferia.
Com essa conclusão, o representante da Unesco no país, avaliou que, no Brasil, a desigualdade e a exclusão social são agravantes para o consumo de drogas.

A cada instante a sociedade é alertada dos problemas que a droga acarreta. A cada segundo pessoas matam, pessoas morrem, pessoas enlouquecem. pessoas se destroem pela droga. A cada minuto mais drogas estão no mercado. É utopia pensar em um mundo sem drogas, mas é inaceitável conviver com ela, e compactuar com os danos que ela provoca. A cada dia mais precocemente crianças estão envolvidas com as drogas.
Campanhas de prevenção, campanhas educativas e campanhas ilustrativas são obrigatórias. Não mostrar o que acontece a um usuário, esconder os surtos psicóticos, apenas promove mais overdoses. Enfrentar a vida, lutar contra as dificuldades, tentar resolver os conflitos pode não ser no imediato o caminho mais fácil, mas com certeza será em um breve futuro o caminho da saúde, da convivência social, do equilíbrio emocional. Esconder-se na droga é não ter no instante nenhum tipo de problema, mas no minuto seguinte é ter todos os problemas sendo que na maioria das vezes são indissolúveis.

Uma vida na realidade é muito frente ao paraíso artificial que a droga propicia.
(Sueli Castillo)

 

Postada em 16/12/2008 00:14h

Romance: entre a paixão e o amor!...

"Como se faz para manter um amor?"
A mãe olhou para a filha e respondeu:
"Pega num pouco de areia e fecha a mão com força...”.
A menina assim fez e reparou que quanto mais forte apertava a areia com a mão com mais velocidade a areia se escapava.
"Mamãe, mas assim a areia cai!!!"
"Eu sei; agora abre completamente a mão...”.
A menina assim fez, mas veio um vento forte e levou consigo a areia que restava na sua mão.
"Assim também não consigo mantê-la na minha mão!"
A mãe, sempre a sorrir disse-lhe:
"Agora pega outra vez num pouco de areia e a mantenha na mão semi aberta como se fosse uma colher... bastante fechada para protegê-la e bastante aberta para lhe dar liberdade.."
A menina experimenta e vê que a areia não se escapa da mão e está protegida do vento.
"É assim que se faz durar um amor..."
(autor desconhecido)

Um belo filme esta em cartaz: Romance, protagonizado por Wagner Moura e Letícia Sabatella nos papeis de Pedro e Ana. Titulo feliz para retratar o maior conflito humano: a paixão. Baseado na lenda de Tristão e Isolda, uma paixão arrebatadora com um trágico final, o filme relata a historia de um ator e diretor de teatro Pedro que inicia testes para escolher a atriz de seu novo espetáculo. Quando Ana faz o teste ele a elege atriz de seu espetáculo como também a grande paixão da sua vida.

Paixão, o termo paixão deriva do grego pathos que significa “mal” ou patologia. Paixão amplamente associada à dor, a sofrimento, a lagrima, a necessidade imediata, a saciar desejos incontroláveis. Paixão aparece na mitologia grega com Eros e Psique, mas surge fortemente no século XII, com a lenda de Tristão e Isolda. Romeu e Julieta, a famosa obra de William Shakespeare, dramaturgo do século XVI, tem as suas origens em poemas como o de Arthur Brooke, de 1562, que, por sua vez, se inspirou em lendas e contos como o de ‘Tristão e Isolda’.

As historias dos apaixonados é extremamente difícil, terminando sempre de uma maneira infeliz. Na lenda de Tristão e Isolda a paixão dura três anos e termina com a morte de ambos. Interessante comparar que essa lenda escrita há nove séculos traz esse tempo para o termino da paixão se comparada à pesquisa realizada pela professora Cindy Hazan, da Universidade Cornell de Nova Iorque:
Ela diz: "seres humanos são biologicamente programados para se sentirem apaixonados durante 18 a 30 meses". Ela entrevistou e testou 5.000 pessoas de 37 culturas diferentes e descobriu que a paixão possui um "tempo de vida" longo o suficiente para que o casal se conheça, copule e produza uma criança. A pesquisadora identificou algumas substâncias responsáveis pelo amor-paixão: dopamina, feniletilamina e ocitocina.

Essas substancias químicas são todas relativamente comuns no corpo humano, mas são encontradas juntas apenas durante as fases iniciais do flerte. Ainda assim, com o tempo, o organismo vai se tornando resistente aos seus efeitos - e toda a "loucura" da paixão desvanece gradualmente - a fase de atração não dura para sempre. O casal, então, se vê frente a uma dicotomia: ou se separa ou habitua-se a manifestações mais brandas de amor.

Pode-se deduzir que intuitivamente o escritor da lenda, no século XII, sem nenhum embasamento cientifico, sabia que a paixão não era duradoura. Mas, após viver um sentimento tão arrebatador como a paixão, como vivenciar a brandura do amor se a referencia anterior é intensa e a atual é calma.

A paixão, comparada ao amor é um estado de euforia extrema, tudo é sentido ao máximo e ao mesmo tempo, é como uma insanidade do amor, que pode acarretar doenças, delírios e alucinações. Se não correspondida, pode também levar a pessoa apaixonada a estados depressivos, e em determinadas situações à morte. Produz vícios como à vigilância constante, a ansiedade do toque do telefone a cada instante, a compulsão de ligar a todo o momento, o medo de perder, a embriagues e o ciúme patológico dentre tantos.

Mas  a paixão surge com a garantia da impossibilidade, o desafio, o disputado, o proibido, o cobiçado,... Como ela se sustenta na impossibilidade do ter, ela obviamente se finda com a posse. Durando geralmente um curto período de tempo entre umas poucas semanas a no máximo três anos; período este em que a maioria dos relacionamentos entre casais também se finda.

A paixão é um sentimento de idealização, a pessoa é perfeita maravilhosa, linda e, transfere-se para o outro todo ideal de companheiro (a). É o sonho encantado que se tornou “realidade” durante o efeito da paixão. Cria-se uma dependência psíquica tamanha a ponto de acreditar que “sem ela (e) eu não posso viver” ou “ela (e) é minha vida” ou coisas do gênero. Portanto a paixão, na relação com o outro, carrega consigo uma cegueira, onde se enxergam apenas as virtudes reais e principalmente as idealizadas do objeto da paixão, sem nenhum tipo de defeito, mas apenas nas suas virtudes.

A paixão simplesmente acontece já o amor é construído e nutrido a cada instante da relação. Ela surge, e como um vendaval, muda a vida do apaixonado, nem sempre, contudo, para melhor. Os sentimentos entram em ebulição, descontrolados e comumente é confundida com amor que apesar de se parecerem aparentemente, esses sentimentos são distintos. A paixão depende do outro, não há sentindo na vida sem a presença do outro, a posse esta presente e com isso o desespero dos ciúmes. O amor é o oposto. É tranqüilo, mas é duradouro. Em um relacionamento a dois, quando a paixão termina e chega o amor é necessário enfrentar “os defeitos” do outro, é não se decepcionar porque esperava do outro, é não pensar pelo outro, é não permitir que a rotina destrua essa convivência.

Uma fala brilhante no personagem Pedro, no filme Romance é quando em um momento de crise ele diz: porque duas pessoas apaixonadas se casam e de repente estão brigando porque o cano da pia entupiu?

As pessoas buscam intensamente a paixão e não o amor, ou quando verbalizam que querem amar, estão na realidade tentando viver uma paixão. Mas assim, como no filme, o importante é amar e tentar sempre manter esse amor. Ele sim é que pode permanecer.


 

Postada em 05/12/2008 18:28h

O que forma uma personalidade "dona da verdade"?

Cada individuo ao nascer trás consigo características próprias que podem ser ratificadas e/ou reprimidas segundo o meio que ira viver. Uma pessoa que acredita ser a dona da verdade, que apenas suas palavras são as certas, em geral são pessoas narcisistas, egocêntricas, com baixa ou nenhuma tolerância à frustração. Esse tipo de personalidade não aceita um não. Uma criança que a cada instante é alimentada nessa característica, que a cada manifestação de desejo é prontamente satisfeita, que a cada choro ou birra consegue seu objetivo tem grandes chances de desenvolver esse tipo de personalidade. Com o passar dos tempos, essa criança desenvolve uma sensação de superioridade, onde ninguém esta aquém dela, e com isso a sensação de poder absoluto também se apresenta.
 

Analisando mais profundamente esse adulto continua uma criança grande competindo com o mundo. Ele é carente de reconhecimento e por isso precisa afirmar o tempo todo a sua posição intelectual em relação aos demais. Acredita estar acima do bem e do mal. O conhecimento lhe pertence e o mundo é apenas um divertimento em suas mãos uma vez que ele a tudo domina. Dificilmente consegue adaptar-se aos hábitos alheios e de modo algum tolera quaisquer invasões de privacidade. De uma maneira geral esse tipo de personalidade demonstra, histeria, fanatismo, inadaptação ao meio social, rebeldia, frieza, excentricidade, arrogância, prepotência e grande capricho. Diria que esse tipo é “um ignorante de si mesmo” que vive a ilusão do que gostaria de ser e não vive o que realmente é.

Incontáveis são os prejuízos que uma pessoa que se considera dona da razão causa a um parceiro ou ás pessoas que consigo convivam.
Viver sob um regime autoritário, ditatorial é o “destino” da pessoa que convive com esse “dono da verdade”. O que ele espera do parceiro ou das pessoas que convivem consigo? Submissão e aceitação de suas ordens e de suas verdades. Controlador, esse individuo gosta de saber tudo o que acontece ao seu redor, pois acredita que baseado nessas informações obtenha o controle total.

Geralmente, as pessoas que se submetem às "donas da verdade" têm algum tipo de conflito interior. Acredito que não tenham estrutura e força para lutar contra esse tipo de personalidade e acabam alimentando essa relação sado-masoquista. Insegurança, baixa auto-estima e desvalorização da auto-imagem normalmente estão presentes nessa pessoa.

Para sair de um relacionamento com uma pessoa que acha que sempre tem a razão basta utilizar as armas que ele próprio oferece: uma vez que se esta sempre errada que nada que faz é certo, que se é incompetente aos seus olhos, simplesmente argumentando que ele merece alguém melhor, que seja alguém compatível com a “onipotência” que ele acredita ter. Seria uma forma para evitar maiores conflitos.

Esse tipo de personalidade pode ter reações extremas quando contrariada ou frustrada.
As reações podem ser as mais diversas e inesperadas. Essa pessoa necessita urgentemente de um tratamento psiquiátrico para tratar esse transtorno de personalidade.
 

Postada em 24/11/2008 17:02h

Violência X Covardia Social

Cito Buda: “o louco que se diz louco, esse é prudente. Mas, o louco que se diz sábio esse é louco mesmo”.

17 de novembro de 2008...?!?
As manchetes revelam como uma avalanche: Crianças e mais crianças espancadas, abusadas sexualmente, assassinadas. Crianças simplesmente crianças, que se transformaram em fieis depositarias das frustrações, das taras, da crueldade, do sadismo, da maldade, da psicopatia, da sociopatia, do instinto “animalesco” de pessoas que passam despercebidas na multidão. Crianças, simplesmente crianças que pela fragilidade não falam, pelo medo se escondem, pelo desconhecimento se fecham, pelo desamparo se isolam, pela maldade se assustam, e com tanta violência são mortas, assassinadas, esquartejadas e finalmente enterradas.

Participamos das noticias, vivemos um momento de comoção geral, mas logo colocamos esses terríveis fatos no arquivo morto de nossa memória egoísta.

Que desconsolo, fazer parte de uma sociedade tão cruel, tão fria, que no auge das manchetes das mídias se comovem, mas tranquilamente colocam suas cabeças nos travesseiros e dormem.

Eu sei que sua mão não tem manga ou goiaba, que a nossa pelada se foi como o dia, te peço desculpas, te abraço meu filho eu sei que tentei o quanto eu podia” (Oswaldo Montenegro). Lindo verso, linda musica, mas tentamos realmente? Ou simplesmente nos escondemos em nossas cascas. O que fazemos? Nada. E continuamos nada fazendo para um basta final nessa trágica realidade infantil.


É urgentemente necessário que façamos acontecer tanto a justiça social quanto a justiça punitiva, contra esses “monstros” humanos, bem como a prevenção desses horrendos crimes. Temos sim que tomar decisões e mantê-las sem fraquejar, e unidos lutar pela dignidade, pela vida, pelo simples direito de nossas crianças crescerem e tornarem-se adultos munidos de valores e caráter éticos.

A cada noticia mais estamos assumindo essa covardia, essa apatia frente a essa realidade que parece nunca ter fim. Mas sei que podemos, portanto estarei sempre escrevendo, e lembrando-nos a cada instante que não podemos mais admitir esses trágicos fatos.

“O covarde que se diz covarde, esse é fraco. Mas o covarde que se diz guerreiro, esse é covarde mesmo”. ( Sueli Castillo)

 


 

Postada em 17/11/2008 23:31h

Obama: Um Homem, Um Objetivo, Um Presidente!!!

Barack Obama, o homem mais famoso do mundo. Obama, gerado de um pai negro africano e uma mãe branca americana. O mundo emociona-se e admira esse homem. Obama que vem das camadas sociais mais pobres, e ascende de uma maneira brilhante. Luta e persistência estão presentes nesse homem. Filas imensas para votar são vistas pelo mundo enfrentado por uma população onde nem o voto obrigatório é devido. Obama, que nesse momento conseguiu aplacar o preconceito racial arraigado na população americana. Obama, o primeiro presidente negro do país que lidera e comanda a economia de nosso mundo globalizado. Momento histórico. Sem duvida. Negros e brancos lutando e comemorando junto esse fato. Negros e brancos como sempre deveria ter sido, vivendo e convivendo naturalmente, sem preconceito, sem racismo, sem desigualdades, uma vez que a única diferença esta na cor da pele. Sem superioridade nem inferioridade. Todas as pessoas do mundo são diferentes entre si, mas nunca desiguais quanto à “qualidade” da raça humana. Todos são seres humanos, apenas “demasiadamente humanos”. As imagens falaram por si, uma multidão aclamando e vibrando com a vitória de Obama nas urnas. Visitar os Estados Unidos é visualizar não um preconceito racial velado, mas distinto e aberto. É perceber nitidamente quando estamos saindo de um bairro onde os moradores são brancos e estamos entrando em outro onde moram os negros. A diferença é gritante. Segregação absurda. Guetos intocáveis. Esse é o cenário que se perpetua por séculos. Mas minha satisfação é imensurável ao ver e sentir que esse paradigma foi quebrado. Não me iludo, sei que ainda muito tem que ser aprendido e assimilado para que as pessoas não se sintam superiores as outras. Que não exista desigualdade racial e/ou social. Mas vislumbro um caminho que apesar de árduo pode encontrar o equilíbrio: as pessoas com os mesmos direitos e deveres, pessoas não se sentindo melhores ou piores e sim apenas seres humanos convivendo e lutando por um objetivo único: a preservação da "qualidade de vida" tanto no presente quanto no futuro. Utopia, não mais. Idealismo, também não. Talvez, como ouvi ontem na mídia, “o pesadelo acabou”. Dificuldades ainda teremos muitas, mas nesse momento estamos munidos de esperanças concretas que essa saga de preconceitos iniciou seu processo de extinção. Obrigada Obama, a população mundial agradece, pois somos nós os maiores agraciados com a sua conquista.

“Enquanto a cor da pele for mais importante que o brilho dos olhos haverá guerra” (Bob Marley)
 

Postada em 06/11/2008 14:13h

Queda nas bolsas, alta do dólar e salário em pobres "reais"!!!

Apesar de estar claro para todos nós, simples brasileiros mortais que a economia é globalizada, mesmo assim é revoltante ler, ver e ouvir os noticiários que diariamente assolam a mídia mundial: a queda das ações das bolsas de valores e a alta do dólar.
Para nós que trabalhamos arduamente, que nem passamos próximo às corretoras de ações, que não investimos em dólar e que simplesmente recebemos em “pobres reais” é quase inconcebível o entendimento de tal reflexo em nosso bolso. Percebemos que o mundo esta mais pobre, tentamos entender, mas ao mesmo tempo essa crise promove ganho de “fortunas” por parte de alguns, de acordo também com a mídia. Alguns ganhando enquanto a maioria esta pagando.
 

Aprendemos que uma das teorias que norteiam a economia mundial é a da Teoria da Utilidade Esperada. Essa teoria da ênfase na capacidade da racionalidade humana “como ponto inicial”, que postula ser a pessoa egoísta, autocentrada e capaz de fazer as melhores escolhas possíveis, a partir das informações que dispõe, alem de adquirir experiência com o aprendizado. Bonita teoria que valoriza a capacidade de escolha e valoriza a todos os indivíduos a não ser por  vivermos em um mundo onde o consumo é altamente estimulado; com isso as compras indusidas e/ou compulsivas acontecem a cada instante; compramos sem necessidade e sim por apenas comprar; as decisões domesticas nem sempre estão embasadas nas necessidades reais e sim por ideais de consumo que nos são impostos subliminarmente pelos anúncios diversos aos quais somos submetidos a cada instante. Propaganda e marketing são o que nos sustenta e nos alimenta em nosso mundo de “ilusão”. O meio ambiente também nos cobra agressivamente: como você ainda não tem essa “novidade”?, seja ela vestuário, meio de locomoção, ou mesmo o item mais supérfluo. Crédito então, oferecido a todo instante por todos os setores. Cito como um dos exemplos aquele oferecido aposentados pelo INSS e descontado em folha. Como resistir a parcelas mensais, mesmo que ela represente a metade de seu salário. Juros, nada alem de abusivo e desonesto, mas com algumas quarenta ou sessenta parcelas mensais estaremos “livres” dessa “prestação”. E ainda fomos e continuamos sendo estimulados a poupança, apesar de: os juros recebidos ficam anos luz distante dos juros pagos quando necessitamos.

Deixaram-nos endividados de desejos e para muitos endividados de contas a pagar. Agora com essa crise o credito passa a ser reduzido e temos  em contrapartida a taxa de juros mais alta do mundo.
Vivemos sim, um mundo baseado em poder, em um egoísmo puro, onde alguns se beneficiam e muitos pagam abusivamente pela vantagem que esses alguns levam.
Como ter discernimento, poder de gastar nossos parcos “reais” se as informações que chegam nunca condizem com a realidade da economia e se somos induzidos a cada instante a “consumir e consumir”.
Sei que não sou uma especialista em economia, mas sei que faço parte da maioria dos brasileiros que apesar de não ter esse “tal” conhecimento, já está pagando pelo erro dos “grandes especialistas” da área e pela ganância dos grandes empreendedores e investidores mundiais.

Independentemente das estruturas e regimes politicos e economicos a sordida natureza dos gananciosos nos faz rever o filme em que "todos são iguais perante a lei porem alguns são mais iguais".
 

Sinto-me como “brasileiro potocó”, não sem informação mais sim “presa” a um sistema dentro do qual não tenho nenhuma força para extingui-lo, mas recusando-me veementemente em aceitá-lo.
E vocês, como se sentem frente a tal “fato”?


 

Postada em 28/10/2008 02:06h

Parabéns Piauí!!!

Torquato Neto, piauiense, ao compor essa musica estava realmente desiludido com a nação brasileira. E baseada nessa letra, de grande protesto, que quero parabenizar toda a população do Piauí por mais um aniversario desse Estado. Povo forte, guerreiro, lutando heroicamente pela sobrevivência há 186 anos. Dificuldades? Incontáveis!

Eu, brasileiro, confesso.
Minha culpa,
Meu pecado,
Meu sonho desesperado
Meu bem guardado segredo,
Minha aflição.

Seca, falta de trabalho, falta de escolas para si e para os filhos, atendimento medico e hospitalar publico, precário. O Piauiense é um forte! Um forte lutando contra tudo, mas otimista frente à vida. Por vezes desesperado, por vezes aflito, mas crente que sempre algo ira acontecer para melhorar a vida em sua Cidade, em seu Estado, em seu País.

Minha terra tem palmeiras
Onde sopra o vento forte
Da fome, do medo e muito
Principalmente da morte

Por mais que o vento sacuda as palmeiras, o piauiense sabe que ele não será sacudido, sabe que ele enfrenta qualquer situação e que o medo ainda persiste, pois enfrentar a fome, os vendáveis da vida e a violência que parece ter se cristalizado em nosso país é assustador. Mas o medo não paralisa o piauiense, apenas o fortalece e ele continua em sua árdua missão: ter uma vida digna, cumprindo seus deveres, mas exigindo seus direitos.

A bomba explode lá fora
E agora, o que vou temer?
Oh, yes, nós temos banana.
Até pra dar e vender
Olelê, lalá

Cansado de sentir o efeito das bombas que lá fora explodem, sem ter participado de sua execução e nem ao menos acendido o estopim, não se contenta mais com as bananas para dar e vender. O piauiense quer e exige seus direitos como cidadão. Simplesmente já passou do momento do governo “lembrar-se” que o Piauí é um Estado brasileiro e assim como tal deve ser tratado com “igualdade”.

Parabéns Piauí. Parabéns Piauienses! Parabéns por esse dia!!! E continuem assim como são, povo sofrido, lutador, mas alegre com o simples fato de viver e com muito orgulho ser piauiense...

A cajuína cristalina em Teresina!!!
(Caetano Veloso)


 

Postada em 19/10/2008 05:04h

Ensaio sobre a Cegueira!?... Olhar, Ver ou Enxergar.

Brilhante, em seu livro José Saramago cria uma historia fictícia onde a população de uma cidade passa a ser acometida por uma cegueira branca. Altamente contagiosa essa cegueira vai se disseminando pela população e os “cegos” por ordem dos políticos, são confinados em um asilo, guiados pelos olhos da protagonista, a única que não adquire o não ver. Baseado nesse livro o diretor Fernando Meirelles mostra a sociedade dessa cidade, “civilizada”, exposta a essa cegueira branca e sua degradação frente à falta de condições de conforto e de segurança.
Incomodo e desassossego, foram as sensações que senti ao assistir esse filme.
Consigo apenas interpretar essa cegueira não como física, mas como a possivel fundamental cegueira humana.

Primeiro interpreto essa cegueira como à incapacidade que os seres humanos têm de não perceberem o que acontece ao seu redor, de ver, mas não enxergar, a realidade que se apresenta.
Segundo, que sem uma liderança saudável, a sociedade vivencia uma anarquia em seu mais alto grau, priorizando os instintos mais primitivos dos seres humanos. O poder ditatorial acima de qualquer sensibilidade humana.
E terceiro, o descrédito na raça humana. Sem normas sociais e morais, “vale tudo”, a violência predominando, o roubo, a falta de lealdade, a falta de solidariedade, a falta de amor, a satisfação dos desejos sexuais, o escravismo, a submissão, a desvalorização total e absoluta da vida.

O individualismo também se apresenta quando a protagonista, a única que vê, deseja apenas cuidar e proteger seu marido, diante de uma coletividade em pânico, sem nenhuma visão do que realmente acontece naquele asilo. Apenas vê e repara nos acontecimentos, mas quase nada faz para quebrar essa prisão.
A dignidade humana dá lugar à sobrevivência indigna, onde uma alegoria de poder é criada e pessoas se submetem a esse poder pelo simples fato de ver, mas não “enxergar” que poderiam sim lutar contra essa cegueira.

Desassossego!?! Continuo com essa desagradável sensação mesmo agora ao escrever esse texto. Será essa a essência humana? Será esse incontrolável instinto, talvez sem nome, sem uma definição clara para nós “civilizados”, que nos reduz a um mundo animalesco? Essa cegueira, essa essência, esse “nada” parece traduzir um universo atualmente ilusório para nós. Trancafiados, em um lugar sem ordem, sem regras, sem governo nos desgovernamos totalmente. Essa realidade espantosa que é mostrada no filme nos remete apenas um momento de muita sensibilidade, que me promoveu perceber um sentimento de lealdade e igualdade intenso: quando uma das mulheres que trocou seu corpo por alimento para seu grupo, foi morta violentamente durante o ato sexual. Ao retornarem, todas as mulheres a trouxeram, nos braços e deitaram o corpo da mulher na cama. Silenciosamente iniciaram um ritual de despedida, limpando o corpo de toda a sujeira que ela absorveu durante sua atitude de ter se doado em prol de seus companheiros de cela.
Também no final fica claro que quando as pessoas começam a recuperar a visão, a protagonista que enxergava começa a perceber que não mais terá o papel que exercia naquele grupo e fica subentendido que a partir de então, juntamente com a perda da função ela não mais precisara ou devera enxergar.
Posso dizer que o filme nos remete a:
Metáforas? Muitas. Desconforto? Grande. Medo de enxergar à possibilidade de ser essa a essência dos seres humanos? Imenso.

Um excelente filme, uma bela adaptação do romance para as telas, um filme que realmente mobiliza as pessoas de uma maneira inesperada. Acredito que Meireles tenha pensado nisso ao produzi-lo e talvez provocar nas pessoas um grande questionamento: isentos de qualquer tipo de pré-conceito, quem realmente somos?

 


Postada em 07/10/2008 09:41h
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