A Polícia Civil do Piauí representou pela prorrogação do inquérito policial, que desencadeou na Operação Lente Oculta, em Teresina, e resultou na prisão no dia 29 de maio de um homem identificado como José Cleuton da Silva, suspeito de gravar relações sexuais com mulheres sem consentimento delas e revender os vídeos no Telegram.
De acordo com a investigação da Polícia Civil, José Cleuton da Silva comercializava esses materiais íntimos por meio de perfis e automatizações (bots) no aplicativo Telegram, cobrando o valor de R$ 75,00 pelo acesso às imagens. Os registros dessas relações ocorreram há mais de 10 anos.
A primeiras vítimas procuraram a polícia no dia 21 de maio, o que encorajou outras mulheres a denunciarem o suspeito, e a polícia não descarta a existência de outras vítimas. “A identificação iniciou com um relato de pelo menos sete vítimas que chegaram aqui desesperadas, porque vídeos delas tinham sido divulgados no Brasil inteiro, inclusive pessoas do Rio de Janeiro ligando para elas, informando que esses vídeos tinham sido vazados, com cenas de sexo explícito, incluindo menores de idade. Então nós iniciamos, tornou-se uma prioridade da DRCC e conseguimos chegar até essa pessoa que foi presa hoje”, afirmou o delegado Humberto Mácola, coordenador da delegacia especializada.
Segundo a apuração do DRCC, o suspeito escondia câmeras para filmar os atos sexuais. “Ele atraía as vítimas, fazia pagamento para elas, e no momento dessas filmagens, utilizava um artifício para elas não perceberem que estavam sendo filmadas. Ele utilizava algumas pastas com orifícios que estavam ali mascarados, estavam escondidos e conseguia fazer essas filmagens. Além de participar da imagem, ele produzia, divulgava como se fosse uma rede de filmagem, de produção, de elenco, inclusive com uma publicidade em cima desse material pornográfico”, detalhou o delegado.
O investigado deve responder pelo crime de divulgação de cena de sexo, cuja pena, segundo o Código Penal, é de quatro a 10 anos de reclusão e multa, se o fato não constituir algo mais grave. A conduta também será enquadrada no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), uma vez que algumas vítimas eram menores de idade na época dos fatos.
Telegram derrubou conteúdos
A plataforma Telegram foi notificada e excluiu todos os conteúdos ilícitos, de acordo com o coordenador do DRCC. “O Telegram foi solícito ao nosso pedido. Imediatamente protocolamos esse pedido junto ao Telegram, foi derrubado esse vídeo e pedimos inclusive uma inovação para que todos os vídeos que forem indexados dessas vítimas, que porventura venham a ser publicados, que sejam também derrubados em qualquer plataforma”, frisou.
Flagrante
No endereço de José Cleuton, os policiais encontraram diversas bebidas e lacres de marcas caras de uísque, levantando indícios de falsificação, razão pela qual ele também foi preso em flagrante. “Ao adentrarmos na residência, encontramos um número excessivo também de bebidas alcoólicas, de lacres, tampas de uísque de marcas famosas, o que denota uma possível falsificação ou mesmo uma utilização até de algum produto nocivo à saúde. Claro, isso será encaminhado para a perícia”, explicou Humberto Mácola.
Rapidinhas
Novas testemunhas são ouvidas
À Coluna, fontes ligadas à investigação revelaram que nessa segunda-feira (08), novas testemunhas foram ouvidas no inquérito policial e que novas informações estão sendo levadas ao procedimento, a fim de auxiliar o delegado responsável pelo inquérito.
Polícia Civil vai extrair dados de celular apreendido e espera avançar investigação
A extração e análise dos dados do aparelho celular apreendido com José Cleuton da Silva podem representar um passo decisivo para o avanço das investigações conduzidas pela Polícia Civil. A expectativa é que o trabalho técnico realizado no dispositivo forneça novas informações capazes de reforçar as provas já reunidas e esclarecer detalhes ainda pendentes do caso.
Fontes ligadas à investigação, apontam que o conteúdo armazenado no celular poderá revelar elementos que ampliem o alcance das apurações, incluindo a possível identificação de outros crimes eventualmente relacionados aos fatos já investigados.
Até o momento, o Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC) tem reunido informações por meio de depoimentos, documentos e outros elementos probatórios. Com a perícia digital no aparelho, os investigadores esperam obter dados que possam confirmar suspeitas, identificar novos envolvidos e aprofundar a compreensão sobre a dinâmica dos fatos.
A análise do material apreendido seguirá os procedimentos técnicos e legais previstos para a preservação da cadeia de custódia das provas, garantindo a validade das informações que eventualmente venham a ser utilizadas no inquérito policial.
Análise de dados pode demandar mais tempo para conclusão do inquérito
A extração de dados do aparelho celular é considerada uma etapa fundamental porque os dispositivos móveis costumam armazenar uma grande quantidade de informações que podem auxiliar na reconstrução dos fatos investigados. Em casos envolvendo crimes cibernéticos, o conteúdo de um celular pode fornecer evidências diretas ou indiretas sobre a atuação do investigado, seus contatos, comunicações e atividades realizadas em ambientes digitais.
Neste caso, a perícia poderá permitir o acesso a mensagens, registros de chamadas, e-mails, arquivos, fotografias, vídeos, histórico de navegação, dados de aplicativos e outras informações que, se legalmente acessíveis e relevantes para a investigação, podem corroborar depoimentos já colhidos, esclarecer contradições e indicar a existência de possíveis vítimas, colaboradores ou novos fatos criminosos.
*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1
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