Uma investigação conduzida pelo Departamento de Repressão ao Narcotráfico ( Denarc ) da Polícia Civil do Piauí revelou um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico de drogas, que utilizava empresas de fachada para movimentar recursos ilícitos e dar aparência de legalidade ao dinheiro obtido com o crime.
Segundo as investigações do Denarc, que culminaram com a deflagração de uma operação na última quinta-feira (23), que terminou com oito pessoas presas, essas empresas recebiam recursos oriundos do tráfico de drogas e eram utilizadas tanto para ocultar a origem ilícita do dinheiro quanto para branquear capitais por meio de movimentações financeiras simuladas.
O relatório destaca que o CNPJ da empresa Gigante Materiais de Construção, inicialmente vinculado ao empresário João Paulo Melo de Carvalho , foi posteriormente alterado e passou a operar sob o nome fantasia Amazon Car Mecânica Automotiva , localizada na Rua Pernambuco, nº 1100, bairro Pirajá, zona Norte de Teresina.
A empresa foi formalmente registrada em nome de G. de M. A., casada com V. A. F. Entretanto, segundo a investigação, há fortes indícios de que ela atuava como “laranja” no esquema criminoso.
O Denarc apontou ainda que a condição financeira declarada pela proprietária é incompatível com o capital social da empresa, avaliado em R$ 250 mil. G. de M. A. reside em um bairro periférico da capital e havia sido proprietária de uma microempresa no ramo alimentício, chamada Sabor de Mel, com capital de apenas R$ 1 mil.
Durante diligências no endereço registrado da Amazon Car, os investigadores constataram que não havia qualquer oficina automotiva no local. Em vez disso, funcionavam quitinetes para aluguel, o que reforça a tese de que se tratava de uma empresa de fachada, criada apenas para ocultar o dinheiro do tráfico de drogas.
As informações levantadas indicam que a Gigante Materiais de Construção/Amazon Car, de propriedade de João Paulo, era utilizada para lavar dinheiro do tráfico de drogas, registrando-se em nome de terceiros sem vínculo com a atividade criminosa.
As investigações continuam sob responsabilidade do Denarc, que busca identificar todos os envolvidos no esquema e o volume total de recursos movimentados pelo grupo.
Rapidinhas
Mais empresas eram usadas para lavar dinheiro do tráfico, diz DENARC
A investigação conduzida pelo Denarc revelou ainda que mais empresas estavam sendo utilizadas em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico de drogas em Teresina.
Na primeira reportagem publicada nesta quarta-feira (29), a Coluna mostrou como a loja Favorita Girls era usada para o branqueamento de capitais. Já nesta quinta-feira (30), novas informações obtidas com exclusividade indicam que outras empresas também faziam parte do esquema criminoso.
Além da Amazon Car Mecânica Automotiva, apontada anteriormente como uma empresa de fachada registrada em nome de terceiros, o Denarc identificou ainda dois outros CNPJs vinculados às atividades ilícitas: JC Comércio e Serviços (CNPJ 46.952.013/0001-61) e Bruna Moreira Closet (CNPJ 32.858.568/0001-34).
De acordo com o Denarc, essas empresas recebiam recursos oriundos do tráfico de drogas e eram usadas para simular transações comerciais legais, ocultando a origem do dinheiro e dificultando o rastreamento dos valores movimentados.
As investigações apontam que os responsáveis pelas empresas mantinham ligação direta com integrantes de uma organização criminosa voltada à distribuição de entorpecentes e à lavagem de dinheiro em larga escala.
*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1