A Coluna apurou que o promotor de Justiça Elói Júnior foi afastado do cargo na 48ª Promotoria de Justiça de Teresina. A informação foi confirmada por fontes internas do Ministério Público do Piauí (MPPI) e ocorre em meio a denúncias que apontam sua atuação irregular na gestão de Barro Duro, município administrado por seu pai, o prefeito Elói Pereira (PSD).
Segundo relatos encaminhados ao MP, o promotor estaria exercendo influência direta na administração municipal, atuando como uma espécie de gestor paralelo, com poder de decisão sobre questões internas da prefeitura.
Ministério Público em silêncio
A assessoria do Ministério Público do Piauí declarou, no dia 10 de novembro de 2025, apenas que o caso tramita em segredo de Justiça, sem confirmar o afastamento do promotor. A procuradora-geral de Justiça, Cláudia Seabra, também não se manifestou.
Promotor não foi encontrado na Promotoria
Foi tentado contato presencial com o promotor na sede da 48ª Promotoria. Na primeira visita, no dia 17 de novembro deste ano, o colunista Brunno Suênio foi informado de que ele não havia comparecido ao expediente. No dia seguinte, porém, servidores afirmaram que Elói Júnior estaria de férias, informação que não foi confirmada oficialmente.
Denúncias que motivaram a crise
O nome de Elói Júnior entrou no centro das investigações após o Ministério Público identificar um suposto “estado de coisas ilícitas” em Barro Duro, envolvendo desvio de recursos públicos. A apuração ganhou força com uma ação cautelar ajuizada em 6 de julho de 2023, que apontava irregularidades no pagamento, sem licitação, de mais de R$ 1 milhão a uma empresa considerada de fachada, entre 2021 e 2022.
A partir desse procedimento, o subprocurador jurídico João Malato Neto ingressou com uma nova ação cautelar pedindo o afastamento de Elói Júnior para aprofundar o caso. Malato também requereu o afastamento por 90 dias, ao alegar uma possível “terceirização da administração pública”, indicando que o filho do prefeito estaria assumindo funções decisórias dentro da prefeitura, atuando como uma espécie de gestor paralelo.
Acordo de Não Persecução Penal
Já em 6 de novembro de 2023, o subprocurador jurídico João Malato propôs um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) no âmbito da investigação que apurava a suposta prática de usurpação de função pública por Elói Júnior. O procedimento indicava que, desde 1º de janeiro de 2021, o promotor estaria, na prática, exercendo o comando da Prefeitura de Barro Duro: determinando nomeações e exonerações, delegando funções a secretários, visitando obras, realizando atendimentos na sede da administração e participando de inaugurações, atribuições exclusivas do prefeito.
O ANPP foi assinado por Elói Júnior em 19 de abril de 2024. Pelo acordo, ele ficou proibido de se aproximar da Prefeitura de Barro Duro e de outros órgãos da administração municipal, além de impedido de interferir em qualquer assunto relacionado à gestão do pai. O documento também estabeleceu o pagamento de R$ 10 mil ao Fundo de Modernização do MPPI, a renúncia ao porte de arma e o compromisso de comunicar periodicamente o Juízo da Execução Penal.
Nova denúncia agrava o cenário
O caso ganhou novos desdobramentos quando o GP1 noticiou, com exclusividade, o depoimento da ex-secretária de Cultura, Aline Maciel Matos Alencar , prestado em 27 de março deste ano a João Malato. Ela também firmou um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) com o Ministério Público do Estado do Piauí para evitar condenação criminal após ser acusada de contribuir para o crime de usurpação de função pública na Prefeitura de Barro Duro.
Aline relatou que o promotor Elói Pereira Júnior interferia diretamente na administração municipal, comandada pelo pai dele, o prefeito Elói Pereira. Ela ainda declarou que a gestão da cidade seria, na prática, conduzida por Elói Júnior e afirmou que ele teria dito que “o prefeito não consegue resolver mais nada”.
Coluna segue acompanhando o caso
A Coluna continua em busca de novas informações e tenta novamente contato com o promotor e com a chefia do MPPI para esclarecer a situação.
*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1