A Coluna obteve acesso, com exclusividade, aos nomes de todos alvos da Operação Indébito , que foram presos na ação que desarticulou um grupo acusado de aplicar golpe do site falso em clientes da Humana Saúde , Unimed, BV Financeira e Banco Toyota, causando um prejuízo de cerca de 500 mil reais em 200 vítimas no estado do Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará.
Das 43 ordens de prisão deferidas pelo Poder Judiciário do Piauí, a Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) da Polícia Civil do Piauí , conseguiu localizar e prender 18 alvos, dois deles foram liberados, após colaborarem com as investigações e os demais, a seguir, permanecem presos. São eles: Felipe dos Santos Freitas, Carlos Roberto de Freitas, Pedro Gabriel do Nascimento Dias, Luís Carlos do Nascimento Oliveira , Emanuelly da Silva Nascimento , Melissa Faria Bortolucci, "Kathleen Carolayne Conceição Rodrigues Oliveira", Alexsandro Canavesi De Souza, Bianca Jesus Santos, Taynara Eugênia Pereira da Silva, Pablo Teodoro da Silva Ferreira, Leonardo da Silva Antônio, Jandeclea Ribeiro Prisco, Kaick Ribeiro Prisco, Eloy Anthony Sorrilha do Amaral e Naira Katiuce Bandeira Duarte Oliveira Franco.
De acordo com o delegado Humberto Mácola, responsável pela investigação, o principal alvo do grupo, identificado como Felipe dos Santos Freitas, foi localizado na Paraíba. Ele, segundo apontou o delegado, era a pessoa que criava sites falsos, com as mesmas características dos sites oficiais das empresas, as quais as vítimas possuíam vínculos contratuais, seja operadoras de planos de saúde ou financeiras de veículos automotores. “Ele criava e hospedava os sites falsos, impulsionava via Google Ads e fornecia todo o suporte para que outros núcleos executassem os golpes. O esquema era muito bem articulado e atingiu centenas de vítimas em todo o país”, explicou o delegado Humberto Mácola.
O delegado Humberto Mácola informou que a polícia seguirá monitorando o grupo, tomando medidas para que possa indiciar os acusados e as vítimas tenham seus prejuízos minimizados, evitando ainda que novas pessoas caiam nos golpes. “Nosso trabalho agora é garantir que os responsáveis respondam pelos crimes e que as vítimas tenham seus prejuízos minimizados”, disse Humberto Mácola.
Como funcionava o esquema
A investigação policial constatou inicialmente que vários clientes da Humana Saúde, em Teresina-PI, procuraram a Polícia Civil, em 2023, alegando que ao realizar buscas ao site da operadora do plano, para emitir segunda via de boletos, eles forneciam informações pessoais no suposto site, geravam o boleto, realizavam o pagamento, no entanto, tempos depois começaram a receber cobranças da Humana Saúde, dando conta que os clientes estavam em débito com a empresa. Com isso, os clientes passaram a perceber que haviam caído em um golpe.
Com o avanço das investigações, a Polícia Civil do Piauí descobriu um grupo formado por mais de 40 pessoas, que possuíam tarefas definidas dentro do esquema fraudulento, que ludibriou 200 vítimas no Piauí e demais estados da federação.
Áudios obtidos pelo GP1 revelam a atuação dos criminosos
Em um dos áudios, um dos golpistas afirma que a vítima – cliente Humana Saúde, somente saberia que caiu em um golpe, após ser cobrada pela empresa prestadora do serviço, que entraria em contato, posteriormente, cobrando o valor da parcela do plano de saúde.
Confira o áudio a seguir
Em outra troca de mensagens entre membros do grupo criminoso, um deles fala que é necessário o número do contrato de financiamento da BV Financeira, para que eles possam obter acesso ao valor da parcela do contrato e demais informações, como saldo devedor, por exemplo. Com todos os dados, eles contatam a vítima, produzem um boleto falso com o mesmo valor da parcela e o responsável pelo financiamento acaba realizando o pagamento do boleto fraudulento, ficando no prejuízo.
Confira o áudio a seguir
Rapidinhas
Decisão de Moraes pode prejudicar investigações policiais em todo o país
Na última quarta-feira (20), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acatou pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), que solicitou a suspensão, em âmbito nacional, do andamento de todos os processos que questionam provas obtidas pelo Ministério Público e polícias de todo o país por meio do compartilhamento de dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sem autorização judicial.
A decisão a qual o Coluna obteve acesso, atinge todos os processos que tratem da mesma controvérsia do Tema 1.404 da Repercussão Geral, nos termos do art. 1.035, § 5º, do Código de Processo Civil.
Segundo o documento, o Superior Tribunal de Justiça tem adotado interpretações restritivas da jurisprudência firmada pelo STF no Tema 990, que trata do compartilhamento de relatórios de inteligência financeira (RIFs) sem autorização judicial, desde que os procedimentos sejam formalmente instaurados e com garantias de sigilo.
Reflexos da decisão em operação do DENARC
Poucas horas após a decisão de Moraes, as defesas dos investigados em uma megaoperação que mirou Alandilson Passos e pessoas ligadas a ele, suspeitas de lavagem de capitais oriundos do tráfico de entorpecentes, entraram com pedido de suspensão da referida ação na Justiça, alegando a decisão do ministro da Suprema Corte.
Se o Judiciário piauiense acatar a petição assinada pelo advogado Breno Nunes Macedo, será um duro golpe contra a Polícia Civil, sobretudo, em função das investigações em andamento que tem por base relatórios do COAF, sem autorizações judiciais.
*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1