O Ministério Público do Estado do Maranhão , por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas ( GAECO ), apresentou denúncia contra 13 pessoas investigadas por integrar uma organização criminosa interestadual. A ação é resultado da Operação Barão Vermelho 03, desdobramento das operações Integração I, Mormaço e Barão Vermelho 01 e 02.

A denúncia foi assinada no dia 17 de novembro de 2025 pelos promotores Francisco Fernando, Tharles Cunha, Fernando Berniz, Ana Carolina Cordeiro, Marcos Valentim e Raphael Bruno.

Entre os denunciados estão Edney de Sousa, Dayrlane Vilarinho e Silva, Josimar Barbosa de Sousa, Tereza Cristina de Sousa Pacheco Barbosa, Caio Felipe Pacheco Fortunato, Angélica Florinda Pacheco Barbosa Barros, Joison Gomes Machado, Jefferson de Moraes Marinho Filho e Josiel Meneses de Carvalho Júnior, além de outros investigados citados na denúncia.

Segundo o MP, o grupo é suspeito de atuar de forma estruturada em crimes como tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, receptação de veículos roubados, falsificação de documentos, agiotagem e ocultação de patrimônio ilícito. As investigações tiveram início em 2020 e avançaram com a análise de documentos, além de quebras de sigilo bancário e telemático.

De acordo com a denúncia, a organização criminosa contava com empresários, operadores financeiros e familiares utilizados como interpostas pessoas, conhecidas como “laranjas”. O objetivo era dar aparência de legalidade às atividades ilícitas, que teriam movimentado milhões de reais ao longo dos anos.

Empresas de fachada e lavagem de dinheiro

Um dos principais eixos da denúncia do GAECO é o uso de empresas para lavar dinheiro proveniente de atividades criminosas. Entre as empresas investigadas estão a Barão Veículos e a ACF Comércio e Serviços Automotivos Ltda., ambas de responsabilidade de Josimar Barbosa de Sousa, alvo de diversas operações do GAECO.

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Segundo o Ministério Público, embora uma das empresas registrada como de Pequeno Porte, movimentou valores superiores a R$ 100 milhões por exercício financeiro, montante considerado incompatível com seu porte econômico.

As investigações também identificaram saques fracionados e frequentes, estratégia utilizada para driblar os mecanismos de controle do sistema financeiro. Em alguns casos, foram constatados saques que chegaram a R$ 1,5 milhão em um único dia.

O esquema envolvia ainda a utilização de contas bancárias de terceiros, conhecidas como “contas de passagem”, para ocultar a origem e o destino dos recursos ilícitos.

Conexão com a facção Família do Norte

A denúncia aponta ainda conexões entre o grupo investigado e a facção criminosa Família do Norte (FDN), uma das maiores organizações do tráfico de drogas do país. O principal elo seria William Romário de Carvalho Aquino, apontado como um dos líderes do esquema.

Mesmo após ter sido preso em Fortaleza, em 2023, ele teria continuado a comandar ações criminosas de dentro do sistema prisional, com apoio de colaboradores em liberdade. A comunicação ocorreria por meio de familiares, intermediários e bilhetes manuscritos apreendidos durante diligências, fato que deu nome à Operação Cela 03.

Conversas interceptadas, sob ordem judicial, indicam negociações relacionadas ao transporte de drogas em regiões de fronteira, como Ponta Porã (MS), próxima ao Paraguai e à Bolívia, áreas consideradas estratégicas para o narcotráfico internacional. O MP sustenta que depósitos bancários realizados por integrantes ligados à FDN reforçam a atuação conjunta entre a facção e o núcleo financeiro investigado.

Uso de familiares como “laranjas”

Outro ponto central da investigação, apresentada pela denúncia do GAECO, é o uso de familiares e pessoas próximas como interpostas pessoas para registrar empresas, movimentar contas bancárias e adquirir bens. As investigações apontaram que filhos, esposas, mães e irmãos dos principais investigados figuravam formalmente como proprietários, enquanto a gestão real permanecia com os líderes do grupo.

Segundo o Ministério Público, os investigados tinham consciência do esquema e colaborado voluntariamente para ocultar o patrimônio ilícito e dificultar o rastreamento dos valores. Relatórios do Laboratório de Lavagem de Dinheiro (LAB-LD) apontaram movimentações incompatíveis com a renda declarada dos envolvidos.

Braço armado e episódios de violência

Além do núcleo financeiro, a denúncia descreve a existência de um braço armado da organização criminosa, no qual integrantes atuavam em cobranças, intimidações, ocultação de armas e destruição de provas.

O MP constatou episódios de violência relacionados a disputas internas por valores desviados. Em um dos casos, disparos de arma de fogo foram efetuados contra a residência de um integrante suspeito de se apropriar de recursos da organização. Também há indícios de negociação e circulação de armas de fogo entre os membros do grupo.

*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1