A Coluna obteve, com exclusividade, a relação com os nomes dos 14 presos na Operação Falso Advogado , deflagrada pelo Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), da Polícia Civil do Piauí , nessa quarta-feira (04), nos estados do Ceará, Pernambuco, Goiás e Amazonas.
Os alvos foram identificados como: Lia Fontenele Cavalcante, Gleidson Lopes de Lima, Bergson da Silva Rabelo, Clóvis Henrique Ferreira da Penha, Maria Janaele Medeiros de Sousa, Rafael da Silva Cunha, João Paulo Ribeiro Alves, Maria Andressa da Silva Oliveira, Michael da Silva Rocha, Luiz Eduardo Castelo Branco, Maria Janaele Medeiros de Sousa, Júlio Cesar Lopes de Souza, Nilza Lopes de Souza e Janielly Vasconcelos Pereira.
Segundo a investigação da Polícia Civil do Piauí, os investigados acessavam processos no sistema do PJe, obtinham cópias de petições iniciais e despachos e, a partir dessas informações, entravam em contato com as vítimas se passando pelos advogados responsáveis pelas ações. Para dar credibilidade ao golpe, eles criavam perfis no WhatsApp com foto e nome dos profissionais e informavam que a causa havia sido julgada procedente, exigindo o pagamento antecipado de supostas custas para liberação de valores. As transferências eram feitas para contas de terceiros, utilizados como “laranjas”.
Para o sucesso da empreitada criminosa, o grupo se utilizava de técnicas avançadas de engenharia social e acesso indevido a dados processuais sigilosos para induzir vítimas ao pagamento de 'taxas judiciais' inexistentes, sob o falso pretexto de liberação de alvarás, por meio de perfis falsos de advogados.
Prejuízo de meio milhão de reais
A estimativa inicial da Polícia Civil apontou um prejuízo de cerca de R$ 500 mil, mas o delegado Humberto Mácola, responsável pelas investigações, ressaltou que o montante bloqueado nas contas ainda está sendo apurado. O bloqueio foi realizado por meio de comunicação do Banco Central às instituições financeiras, atingindo contas vinculadas aos investigados.
“Alguns indivíduos acessavam processos da justiça do PJE e depois que viu que tinham acesso a petição inicial e outros despachos eles passavam a manter contato com as vítimas, se fazer passar pelo advogado que ajuizou a ação, inclusive pesquisar uma foto do advogado, fazer um WhatsApp, colocar aquela foto e dizer, olha, sua ação aqui foi julgada procedente, que você tem, por exemplo, 50 mil reais para receber, você tem que pagar 10 mil de custos. E dava ali um número de uma conta, de algum laranja, e a vítima transferia. E depois que ela não recebia, ali ia entrar em contato com o advogado verdadeiro, que não estava sabendo de nada. Então, basicamente, o golpe era esse e os advogados passaram a procurar a delegacia e, nesse contexto, a OAB foi muito importante, que nos auxiliou muito. A estimativa de valor do prejuízo das vítimas foi em torno de R$ 500 mil, mas do que foi aprendido nós ainda não temos a estimativa de valores, porque foi um bloqueio. O Banco Central manda para todas as contas de vários bancos”, afirmou o delegado Humberto Mácola.
Rapidinhas
Golpistas se passavam por servidores do Tribunal de Justiça
A Polícia Civil atestou que algumas vítimas chegaram a receber videochamadas em que, do outro lado da tela, aparecia um suposto servidor com crachá do Superior Tribunal de Justiça ou do Tribunal de Justiça do Estado do Piauí, se passando por funcionário do órgão.
“Temos casos de vítimas que perderam R$ 70 mil nesse golpe. Elas foram informadas de que tinham quase R$ 1 milhão a receber e que, para liberar o valor, precisariam pagar 10% antecipadamente. E o esquema funcionava assim: inicialmente, a vítima era procurada por um falso advogado. Ele informava que havia um valor alto a ser recebido e dizia que, para confirmar os dados e orientar sobre a liberação, um servidor do Tribunal de Justiça ou do STJ faria uma videochamada. Essa etapa servia para dar mais credibilidade ao golpe, reforçando a engenharia social e criando um ambiente de pressão psicológica. A vítima, cercada por essa falsa estrutura, advogado e suposto servidor, acabava se sentindo segura e, ao mesmo tempo, pressionada, sem conseguir perceber a fraude, realizando a transferência”, explicou o delegado Humberto Mácola.
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