A Polícia Federal requereu a realização de perícia no aparelho celular apreendido com a vereadora de Piripiri, Francinalva Coelho de Melo , conhecida como Nalvinha Melo, presa em flagrante na última quarta-feira (24), após sacar R$ 500 mil em espécie em uma agência do Banco do Brasil no município.

Conforme documentos obtidos pela Coluna , os investigadores solicitaram a extração completa dos dados armazenados no aparelho, incluindo registros de ligações, agenda telefônica e mensagens trocadas por aplicativos como WhatsApp, Telegram e Messenger.

A medida integra a investigação instaurada para apurar suspeitas de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.

Foto: Reprodução/Instagram
Francinalva Coelho de Melo

Segundo a PF, o pedido de perícia busca identificar possíveis interlocutores, rastrear movimentações financeiras e reunir elementos que possam esclarecer a origem dos recursos apreendidos.

Investigação teve origem em alerta do COAF

As investigações tiveram início após o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) emitir Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) apontando o provisionamento de um saque de R$ 500 mil em espécie na agência do Banco do Brasil de Piripiri.

De acordo com a Polícia Federal, análises preliminares identificaram movimentações financeiras consideradas atípicas nas contas vinculadas à parlamentar entre os anos de 2025 e 2026, com créditos que ultrapassariam R$ 2 milhões.

Sem anúncio no momento

Ainda conforme a investigação, Nalvinha Melo alegou que o dinheiro seria utilizado na compra de um imóvel na zona urbana do município. Entretanto, os investigadores destacaram que transações imobiliárias realizadas com grandes quantias em espécie podem dificultar o rastreamento dos recursos, sobretudo quando há suspeitas envolvendo verbas públicas.

Empresas e contratos públicos estão na mira

No relatório policial, a PF ressaltou que a vereadora figura como gestora ou possui ligação com diversas empresas que mantêm contratos com entes públicos.

Uma das empresas encontradas pelos investigadores recebeu cerca de R$ 14,3 milhões de prefeituras entre os anos de 2022 e 2026, incluindo pagamentos realizados pelos municípios de Piripiri- PI e Icó-CE. As apurações também apontam que a parlamentar participou da administração de outras sete empresas, algumas delas com movimentações financeiras consideradas suspeitas pelos órgãos de controle.

Vereadora permaneceu em silêncio

Ao ser abordada pelos policiais federais na agência bancária, no fim do expediente, Nalvinha Melo confirmou a realização do saque e apresentou o montante de R$ 500 mil, que acabou sendo apreendido.

Durante o interrogatório, a vereadora exerceu o direito constitucional de permanecer em silêncio.

Diante dos indícios levantados, a Polícia Federal formalizou o indiciamento de Francinalva Coelho de Melo pelo crime de lavagem de dinheiro. A investigação prossegue para aprofundar a análise dos documentos, movimentações financeiras e do conteúdo extraído do aparelho celular apreendido.

Rapidinhas

Contrato públicos e transferências milionárias estão na mira da PF

A Polícia Federal também está de olho nos contratos públicos e a movimentação financeira das empresas ligadas à vereadora Nalvinha Melo. Conforme relatório policial, a parlamentar possui participação ou ligação com diversas pessoas jurídicas que mantêm contratos com órgãos públicos.

Outras empresas também entraram no radar da investigação

As apurações apontam ainda que Nalvinha Melo exerceu função de sócia ou administradora em outras sete empresas. De acordo com os investigadores, algumas dessas pessoas jurídicas apresentaram movimentações consideradas suspeitas pelos órgãos de inteligência financeira, levantando indícios de possível ocultação e dissimulação de recursos.

Aplicativo piauiense reforça produção de provas digitais

Desenvolvido pelo Oficial Investigador da Polícia Civil do Piauí, Wilson Sousa, atualmente lotado na FICCO em Parnaíba, o aplicativo REDIL (Registro de Evidências Digitais com Localização) surge como uma importante ferramenta tecnológica voltada à atividade investigativa. Disponível para dispositivos Android, a plataforma permite o registro de evidências digitais com geolocalização, data, horário e assinatura digital.

Fotos e vídeos ganham características forenses

O diferencial do REDIL está na incorporação automática de informações diretamente nas imagens e vídeos capturados. Cada registro recebe dados como coordenadas geográficas, endereço completo e QR Code com direcionamento para o local exato no Google Maps, aumentando a confiabilidade e dificultando tentativas de adulteração das evidências.

Ferramenta auxilia diligências em campo

Além do registro de evidências, o aplicativo oferece funcionalidades voltadas ao planejamento e execução de diligências, como importação de planilhas com alvos e rotas, armazenamento seguro dos dados, autenticação biométrica e banco de dados criptografado no padrão AES-256.

Relatórios podem ser gerados automaticamente

Outro destaque da ferramenta é a geração automática de relatórios de diligência externa em formatos PDF, DOCX e TXT. Os documentos podem reunir informações institucionais, dados do investigado, fotografias, localização, observações de campo e assinatura digital, reduzindo o tempo gasto na produção documental.

Inovação criada no Piauí

Criado a partir da experiência prática na atividade policial, o REDIL representa uma inovação desenvolvida no Piauí para fortalecer a cadeia de custódia, ampliar a rastreabilidade das diligências e garantir maior segurança jurídica às investigações realizadas em campo.

*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1