No Piauí, a política nunca se faz apenas no discurso público, mas nas costuras silenciosas, nos cálculos frios e, sobretudo, na observação atenta de quem vai sobrar no fim do jogo. O ex-deputado federal e atual secretário de Assistência Técnica e Defesa Agropecuária, Fábio Abreu , encarna hoje esse dilema: permanecer no PSD de Júlio César ou buscar terreno mais fértil no Republicanos de Jadyel Alencar e, para apimentar a disputa, até o Podemos de Renata Abreu entrou na lista de possibilidades.

Em entrevista ao GP1 , Abreu foi direto ao ponto: sua permanência no PSD depende do tamanho da bancada federal do Piauí. Se o estado perder duas cadeiras, como está em discussão, a matemática eleitoral apertará. Nesse cenário, o Republicanos se mostra mais sedutor: a previsão é de que consiga duas vagas, espaço suficiente para garantir o retorno do ex-deputado à Câmara.

Foto: Lucas Dias/GP1
Fábio Abreu

Não é segredo que a entrada de Wilson Martins no PSD incomodou. O ex-governador tem peso, estrutura e uma candidatura à Câmara considerada competitiva. Júlio César, líder do partido no estado, insiste em manter tanto Wilson quanto Abreu na chapa, prometendo que a legenda pode eleger cinco deputados federais em 2026. Mas, nos bastidores, Abreu não esconde a desconfiança: dividir votos com figuras consolidadas pode significar ficar pelo caminho.

A movimentação de Fábio Abreu não é mero capricho, mas cálculo político. O Podemos, mesmo fora do radar inicial, surgiu como alternativa viável após conversa com a presidente nacional da sigla, Renata Abreu. A legenda, embora sem a força estrutural do PSD, pode se tornar uma saída estratégica para garantir uma vaga num cenário de disputa acirrada.

Enquanto isso, Wilson Martins reafirma sua pré-candidatura e descarta qualquer recuo. Ao seu lado, outros nomes de peso já compõem a engrenagem proporcional do PSD: Marcos Aurélio Sampaio, Castro Neto e Georgiano Neto, este último apontado como puxador de votos. Se o projeto de Júlio César prosperar, o PSD pode mesmo ultrapassar o PT e assumir a maior bancada federal do Piauí.

Mas a equação não é simples. Abreu tem ambições próprias e insiste em sua pré-candidatura a deputado federal. Ao declarar que acompanha “cautelosamente” a questão partidária, ele sinaliza não apenas prudência, mas também desconfiança talvez até desgaste com o rumo que o PSD vem tomando.

Sem anúncio no momento

No pano de fundo, Júlio César prepara sua própria empreitada: a disputa ao Senado em aliança com Marcelo Castro (MDB), que tentará a reeleição. O PSD, portanto, não quer abrir mão de nomes fortes na proporcional, porque sabe que o Senado se vence também com uma boa retaguarda na Câmara.

O fato é que Fábio Abreu, calejado em disputas e acostumado a medir riscos, não joga para perder. Ao manter as portas abertas no Republicanos e no Podemos, ele manda um recado claro ao PSD: promessa de vaga não basta, é preciso garantir terreno seguro. No fim, não se trata apenas de legenda, mas de sobrevivência política e, em política, quem hesita pode ficar sem cadeira quando a música parar.

*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1