Ainda faltam cerca de cinco meses para as eleições. Cinco meses para os brasileiros escolherem, entre outras figuras carimbadas da República, os próximos senadores. Mas, em política, cautela nunca é demais. Principalmente quando o assunto envolve suplência. Afinal, ninguém monta chapa pensando em perder.
Por isso, tanto Marcelo Castro (MDB) quanto Júlio César (PSD) já começaram a desenhar suas composições. E como toda boa engenharia política, as escolhas vieram aos trancos, barrancos e algumas respirações profundas nos bastidores.
Filho anda do lado do pai
Marcelo Castro aparece confortável nas pesquisas e, ao que tudo indica, dificilmente precisará desmontar a decoração do gabinete em Brasília tão cedo. Diante disso, nada mais natural do que começar a escolher quem ficará na antessala do mandato.
O nome definido pelo MDB para a primeira suplência foi o do deputado estadual Felipe Sampaio (MDB), filho do vice-governador Themístocles Filho (MDB).
E se alguém ainda alimentava esperança de mudança, o deputado estadual João Mádison (MDB) tratou de encerrar o assunto quase no grito: “Vai dar Felipe Sampaio. A palavra foi dada e acabou. Não tem mais o que discutir.” Pronto. Enterraram o debate e ainda jogaram cimento por cima.
Confesso que achei a defesa um tanto… enérgica. Fica até a curiosidade: quem estaria ousando contrariar uma decisão tão “pacificada” dentro do MDB para provocar reação tão contundente?
Mas a resposta logo veio: há um detalhe curioso nesse roteiro. Um detalhe familiar. Marcelo Castro gostaria de ver o filho, Marcelo Castro Filho (MDB), ocupando espaço na chapa.
O problema é que, aparentemente, o entusiasmo não é compartilhado integralmente pela cúpula emedebista, que repete à imprensa, sem pestanejar, que a primeira suplência pertence a Felipe Sampaio, e ponto final.
Marcelo não se deu por vencido e, ao que tudo indica, a segunda suplência parece caminhar justamente para Marcelo Filho.
Novela ganha um novo capítulo
Só tem um detalhe: no ano passado, o próprio Marcelo Castro confirmou publicamente o nome da advogada Vanessa Tapety (MDB) como segunda suplente. Mas o anúncio evaporou no ar político e nunca mais se falou nisso. Foi para o limbo eleitoral. Se ela não se incomodou, certamente não serei eu a criar caso.
Júlio César está com o “pé no acelerador”
Do outro lado da avenida política, Júlio César parece andar com o pé no acelerador. E a frase, registre-se, é dele próprio. Confiante no cenário eleitoral, o parlamentar escolheu como primeira suplente Iasmin Dias (PT), filha do ministro Wellington Dias (PT).
A justificativa nos bastidores atende pelo elegante nome de “reciprocidade política”. Afinal, Jussara Lima (PSD), esposa de Júlio César, ocupa justamente a primeira suplência de Wellington Dias no Senado. Quase uma ciranda institucionalizada da política piauiense. Bonito de ver. Ou preocupante. Depende do ponto de vista.
Wellington confirmou a esta colunista que a filha possui aval para assumir a suplência “se assim desejar”. Se desejar? Fica a dúvida sincera: o que exatamente faria alguém recusar uma cadeira tão próxima do Senado Federal?
Ainda mais depois de sinais bastante convenientes. Recentemente, Yasmim reapareceu nas redes sociais, reativou o Instagram e deu aquela clássica espanada na poeira digital que costuma anteceder projetos eleitorais. Em política, ninguém reaparece online por acaso.
Apesar disso, há quem diga nos bastidores que o anúncio oficial segue sendo segurado (porque o pai quer o melhor para a filha) e, nesse caso, o motivo seria simples: ainda existe gente no próprio meio político que não crava, com absoluta convicção, a vitória de Júlio César ao Senado. Em alguns círculos, a dúvida já deixou de ser sobre vitória. Passou a ser sobre candidatura.
Segunda suplência bem mais pacificada
O nome mais forte hoje é o do advogado Pedro Rocha , assessor especial do Governo do Estado e filiado ao PT. Nos bastidores, o nome agrada a praticamente todo mundo: Georgiano Neto (PSD), Júlio César (PSD) e o governador Rafael Fonteles (PT) estariam alinhados em torno da escolha.
E ele? Bem… imagino que queira.
*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1