Existe uma epidemia silenciosa avançando no país — e não estamos falando de vírus, bactérias ou novos agentes infecciosos. A ameaça, desta vez, vem de dentro do próprio sistema de saúde: a crescente formação de médicos inseguros, despreparados, saindo das faculdades sem o conhecimento necessário para atuar com segurança na vida das pessoas.

Nunca tivemos tantas escolas médicas abertas em tão pouco tempo. Porém, quantidade não é sinônimo de qualidade. Muitas instituições não possuem estrutura mínima, professores qualificados ou vagas de residência suficientes para formar profissionais completos. O resultado? Jovens médicos chegam ao mercado sem domínio clínico, sem segurança para diagnosticar e sem preparo para decidir — e a medicina é feita de decisões críticas.

E quando o médico não está preparado, alguém paga o preço. Esse alguém é a população. Paga quando recebe diagnósticos errados. Paga quando tratamentos inadequados são indicados. Paga quando vidas poderiam ser salvas — mas não são — por falta de conhecimento básico.

O que mais assusta é que isso não aparece nos noticiários. É uma epidemia silenciosa, que se espalha sem sintomas visíveis, mas com consequências graves: aumento de erros médicos, sobrecarga dos serviços de saúde, insegurança do paciente e perda de confiança na própria medicina.

A solução passa por algo simples, mas difícil: colocar qualidade acima de lucro.

Fortalecer programas de residência, fiscalizar rigorosamente faculdades, exigir infraestrutura real e professores capacitados. Porque medicina não é curso para improviso; é profissão que lida com vidas.

Sem anúncio no momento

*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1