A cobrança de taxas para a realização de corridas de rua vai na contramão de tudo o que a ciência e a saúde pública defendem. Em vez de estimular hábitos saudáveis, esse tipo de medida cria barreiras que dificultam a organização de eventos e, principalmente, limitam a participação da população em uma das formas mais simples, acessíveis e eficazes de combate ao sedentarismo.
As corridas de rua têm um papel social e sanitário extremamente relevante. Elas incentivam pessoas de todas as idades a se movimentarem, promovem integração social, ocupam os espaços públicos de forma positiva e funcionam como porta de entrada para um estilo de vida mais ativo. Para muitos, é a primeira experiência com a prática regular de atividade física. Ao aumentar custos por meio de taxas e burocracias, o poder público acaba afastando organizadores e encarecendo as inscrições, o que exclui justamente a parcela da população que mais precisa dessas iniciativas.
O sedentarismo é hoje um dos principais fatores de risco para doenças crônicas como hipertensão, diabetes, obesidade, depressão e doenças cardiovasculares. Ele gera um impacto direto no aumento dos gastos com saúde pública. Diante desse cenário, a lógica deveria ser clara: investir em prevenção, e não criar obstáculos.
Cobrar taxas para corridas de rua passa uma mensagem equivocada à sociedade: a de que se movimentar é um privilégio, e não um direito. Espaços públicos existem para serem usados pela população, especialmente quando o uso está diretamente ligado à promoção da saúde e da qualidade de vida. Em vez de dificultar, o correto seria incentivar, apoiar e facilitar a realização desses eventos, seja por meio de isenção de taxas, simplificação de processos ou parcerias institucionais.
Se o objetivo é uma população mais saudável, ativa e menos dependente do sistema de saúde, o caminho é óbvio. Estimular a prática de atividade física deve ser prioridade. Criar barreiras financeiras e burocráticas para corridas de rua é, na prática, incentivar o sedentarismo.
*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1