Durante décadas, a população foi submetida a uma verdadeira campanha de medo. A gordura da carne foi apontada como uma das grandes responsáveis pelas doenças cardiovasculares, e milhões de pessoas passaram a evitar alimentos naturais acreditando que estavam protegendo a própria saúde.

Enquanto isso, quase sem resistência, os produtos industrializados e ultraprocessados conquistaram espaço nas prateleiras dos supermercados, nas escolas e dentro das casas. Biscoitos recheados, refrigerantes, salgadinhos, embutidos, macarrões instantâneos, refeições prontas e uma infinidade de produtos altamente processados passaram a substituir a comida de verdade.

Foto: Arquivo pessoal/Demóstenes Ribeiro
O escândalo alimentar do século: demonizaram a carne gorda e liberaram os ultraprocessados

O resultado dessa transformação alimentar é visível. Obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão, gordura no fígado, doenças cardiovasculares, alguns tipos de câncer e até demências atingem números cada vez mais preocupantes. Nunca se consumiu tantos ultraprocessados. E nunca houve tantas pessoas dependentes de medicamentos para controlar doenças crônicas.

É claro que nenhum alimento deve ser consumido em excesso. Porém, é impossível não questionar um modelo que passou anos demonizando alimentos naturais enquanto os ultraprocessados avançavam sem encontrar a mesma resistência.

A carne in natura, os ovos, as frutas, os legumes e as verduras acompanharam a humanidade durante milhares de anos. Já os ultraprocessados surgiram recentemente na história humana e coincidem com uma explosão sem precedentes de doenças relacionadas ao estilo de vida.

Talvez tenha chegado o momento de rever prioridades. Em vez de travar uma guerra contra alimentos naturais, deveríamos concentrar esforços em reduzir o consumo dos produtos que mais dominam a alimentação moderna: os ultraprocessados.

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A verdadeira ameaça à saúde da população não está, necessariamente, na gordura de um pedaço de carne. Ela pode estar escondida dentro de embalagens coloridas, repletas de ingredientes artificiais, consumidos diariamente por milhões de pessoas sem sequer perceberem os riscos envolvidos.

Quanto mais comida de verdade houver no prato, maior a chance de saúde. Quanto mais espaço os ultraprocessados ocuparem na alimentação, maior será a conta que a população pagará no futuro.

*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1