Tenho 56 anos, acompanho a política brasileira há mais de três décadas e já vi muitas tentativas de “renovação” que terminaram em frustração. Mas o que está acontecendo agora com a ascensão dos jovens da direita é diferente. Não se trata apenas de rostos novos em partidos velhos, mas de um movimento real, orgânico, que está mudando a forma como o poder se constrói no Brasil. É impossível ignorar essa onda. E digo mais: ela já não é uma marola passageira, é uma correnteza forte que arrasta multidões.

O maior exemplo é Nikolas Ferreira , do PL de Minas Gerais, hoje com 28 anos, que em 2022 se tornou o deputado federal mais votado do país com quase um milhão e meio de votos. Nikolas não nasceu em gabinete nem em diretório partidário, nasceu nas redes sociais, na fala direta, no embate com a esquerda e na defesa da fé, da família e da liberdade. Ele é a materialização do que a velha política nunca entendeu: o povo não quer discursos técnicos e mornos, quer clareza, convicção e coragem. Ao lado dele, em Minas, há também Bruno Engler, 26 anos, também do PL, hoje deputado estadual e nome certo no radar nacional. Engler é daqueles que não se escondem: vai para o embate, cutuca feridas, fala a língua da juventude conservadora e não teme ser rotulado.

Foto: Alef Leão/GP1
Nikolas Ferreira

No Nordeste, esse fenômeno também deu frutos. Rodrigo Valadares, sergipano do União Progressistas, hoje com 35 anos, é prova de que a direita jovem não é exclusividade do Sudeste. Eleito deputado federal, Rodrigo faz da defesa da liberdade econômica, da segurança e da fé cristã sua marca. Já em Santa Catarina, Ana Campagnolo, 38 anos, do PL, representa um contraponto essencial no debate educacional. Enfrentou de frente a doutrinação ideológica e se consolidou como referência nacional em um dos temas mais sensíveis e estratégicos da disputa cultural: a escola.

E é aqui que entro com minha análise: o fenômeno da nova direita jovem não é apenas sobre idade, é sobre coragem. É sobre falar aquilo que boa parte da sociedade pensa, mas que durante anos foi tratado como tabu pela elite política e intelectual. É sobre dizer que família importa, que fé não deve ser escondida, que empreender não pode ser sufocado por impostos, que educação deve formar cidadãos livres e não militantes. Essa geração assumiu o risco de pagar o preço por dizer a verdade, e o povo, cansado do teatro, resolveu premiá-los com voto.

No Piauí, onde a política ainda é dominada por velhas oligarquias, esse fenômeno já começa a despontar. E aqui faço questão de registrar o nome de um jovem de apenas 20 anos: Trabulo Neto. Ele simboliza a ousadia de uma nova safra que não quer apenas comentar política, mas fazer política. Um rapaz que encara os caciques de frente, que se apresenta como voz conservadora em um estado sufocado há décadas pelo mesmo projeto de poder. Promissor? Sem dúvida. Mas mais do que isso: necessário. O Piauí precisa de jovens como ele para não ficar à margem da mudança que já acontece em outros estados.

Agora, como analista político, arrisco uma projeção: se a velha política continuar tratando esse fenômeno como “moda”, vai ser atropelada. Porque o que se desenha não é um fogo de palha. É um processo de substituição geracional que já se consolidou nas urnas e vai se aprofundar nas próximas eleições. Nikolas, Bruno, Rodrigo, Ana e tantos outros já mostraram que há espaço para lideranças jovens, autênticas e convictas. E Trabulo Neto pode ser a versão piauiense desse movimento.

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É curioso: ao longo dos anos, sempre ouvi que a direita não formava lideranças jovens, que era um campo conservador e sem energia. Pois bem, isso acabou. O que se vê agora é uma direita com juventude, com energia e com narrativas próprias. Não é exagero dizer que estamos diante da mais importante virada política das últimas duas décadas. Se a esquerda não conseguiu se reinventar, a direita achou na juventude a sua grande arma.

E deixo aqui minha opinião pessoal, fruto de 56 anos de observação da política: não adianta torcer contra. Esse movimento não tem mais volta. A juventude conservadora decidiu ser protagonista, e quando a juventude decide assumir o protagonismo, a história muda de rumo.

José Trabulo Júnior é consultor de marketing político, jornalista, cientista político, publicitário, escritor e palestrante, abordando atualmente o tema: “Narciso, a cultura do espelho”, título de seu novo livro, com lançamento previsto para outubro de 2025. Possui MBA em Gestão, Empreendedorismo e Marketing; pós-graduação em Gestão, Governança e Setor Público; pós-graduação em Novas Tecnologias, Transformação Digital e Agilidade; pós-graduação em Ciências Humanas: Sociologia, História e Filosofia; e pós-graduação em Comunicação Eleitoral e Marketing Político. Escreve  às segundas-feiras no Portal GP1.

CEO da X Conexões Consultoria - Transformando Ideias em Resultados -  E-mail: consultor@xconexoes.com.br.

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