Maria Regina Sousa, natural de União (PI), conciliou, na infância, os estudos com o trabalho como lavradora e quebradeira de coco. Graduou-se em Letras, com habilitação em Francês e Português, pela Universidade Federal do Piauí (UFPI), onde também militou no movimento estudantil. Exerceu o magistério até ser aprovada em concurso para o Banco do Brasil.
Bancária, Regina presidiu o Sindicato dos Bancários, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Partido dos Trabalhadores (PT) no Piauí. Foi a primeira piauiense a ocupar uma cadeira no Senado Federal, de 2015 a 2018. Depois de 52 homens terem governado o estado, a garota que quebrava coco babaçu e plantava milho, arroz e feijão assumiu o governo do Piauí entre 31 de março de 2022 e 1º de janeiro de 2023.
Essa é uma síntese da trajetória da única mulher piauiense que ocupou cargos antes exclusivamente ocupados por homens. Antes e depois dela, as mulheres do estado têm encontrado espaço majoritariamente em câmaras municipais, na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados, ainda assim, em percentual reduzido.
A representação feminina no Piauí
Embora várias mulheres já tenham sido eleitas prefeitas em municípios piauienses, Teresina nunca teve uma prefeita. Se teve, que me digam.
Em 2026 haverá eleições para a Presidência da República, Senado, Câmara dos Deputados e Assembleias Legislativas. No Piauí, apenas duas mulheres estrearam na Alepi em 2022: Bárbara do Firmino e Gracinha Mão Santa. Ana Paula retornou à Casa e Janaína Marques foi reeleita — quatro mulheres entre 30 homens.
Na Câmara dos Deputados, Rejane Dias (PT) foi reeleita, mas renunciou em 26 de janeiro de 2023 para assumir o cargo de conselheira do Tribunal de Contas do Estado. Sem ela, as dez cadeiras da bancada federal piauiense hoje são ocupadas exclusivamente por homens.
Eleições de 2026: baixa expectativa para mulheres
Para 2026, não há perspectiva de aumento significativo da participação feminina na Assembleia e na Câmara. Até o momento, apenas o PT reúne mulheres suficientes para preencher a cota mínima de 30%: nove pré-candidatas à Assembleia e três à Câmara dos Deputados.
Para o Senado, nenhum partido sinalizou ter candidatura feminina. A advogada Margarete Coelho, ex-deputada estadual, ex-vice-governadora, ex-deputada federal e atual diretora do Sebrae, chegou a ser anunciada como pré-candidata do Progressistas ao governo. Mas o partido já se movimenta nos bastidores para substituir seu nome pelo de Joel Rodrigues, ex-prefeito de Floriano.
As urnas dirão se haverá avanço na presença feminina na Alepi, na Câmara, no Senado e, quem sabe, até no governo do Estado. Até agora, tudo é especulação — e o caminho até a realidade é longo.
Movimentações no PT para 2026
No PT, o cenário já está definido. É pelo partido que o deputado estadual Evaldo Gomes (Solidariedade) tentará a reeleição para um quinto mandato em 2026. Também pelo PT, Breno Macedo buscará manter a cadeira conquistada por sua esposa, a deputada Bárbara do Firmino, eleita pelo Progressistas em 2022 com apoio do senador Ciro Nogueira.
O vereador Dudu, liderança petista em Teresina, que alardeou a filiação do vereador Draga Alana (PSD), eleito em 2024 com 9.233 votos, acabou surpreendido: a direção estadual e municipal do PT afirmam que não há vaga para Draga disputar a Alepi pelo partido. Mesmo assim, Dudu diz que será candidato a deputado estadual pelo PT.
Resta saber se conseguirá convencer, “no gogó”, os presidentes estadual e municipal da sigla.
Sem espaço no PT, o deputado Georgiano Neto (MDB) sinalizou a Draga Alana uma possível vaga no MDB. Mas o deputado João Madson afirmou, em nome da bancada, que o partido também não o quer. Agora, o vereador aposta no apoio do governador Rafael Fonteles para conseguir abrigo em algum partido da base governista.
Derrota do Sindicato na Câmara de Teresina
Na Câmara Municipal de Teresina, nesta quarta-feira, o prefeito Sílvio Mendes venceu por ampla margem o confronto contra o Sindicato dos Servidores Municipais.
Dos vereadores, 28 votaram a favor do projeto que extinguiu a eleição direta para diretores das escolas da rede municipal. Apenas João Pereira (PT) votou contra. Os demais petistas seguiram o líder do prefeito, Bruno Vilarinho (PRD), e ajudaram a pôr fim ao processo adotado desde os tempos do prefeito Wall Ferraz.
Lista tríplice para o TJ-PI
Três nomes compõem a lista tríplice que o presidente do Tribunal de Justiça do Piauí, desembargador Aderson Nogueira, enviará ao governador Rafael Fonteles para indicação ao cargo de desembargador: Sigifroi Moreno, Mário Basílio e Gisela Freitas.
Alguém arrisca um palpite? Se os critérios aplicados pelo presidente da República servirem de parâmetro, não será a mulher nem o “moreno”. Mas, por via das dúvidas, torçamos para que os critérios sejam outros — e que o TJ ganhe mais uma desembargadora.
*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1