A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga as fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) pretende ouvir nesta quinta-feira (2) o ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinícius Marques de Carvalho. Ele foi convocado na condição de convidado, sem obrigatoriedade de comparecimento.
A decisão de optar por convite, e não convocação, partiu da base governista, que busca conter o desgaste político provocado pelo escândalo de descontos ilegais em aposentadorias e pensões. Às vésperas das eleições de 2026, aliados do Planalto tentam minimizar impactos sobre a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que segundo apurações teria tido conhecimento prévio das irregularidades. Um de seus irmãos também é citado como participante direto no caso.
Três requerimentos para ouvir Carvalho foram aprovados pelo colegiado, de autoria dos senadores Izalci Lucas (PL-DF) e Soraya Thronicke (Podemos-MS), além do deputado Duarte Jr. (PSB-MA), vice-presidente da CPMI. Os parlamentares querem esclarecer por que a CGU não detectou o esquema antes de sua revelação.
As fraudes, expostas em reportagens do site Metrópoles em dezembro de 2023, consistiam em descontos indevidos nos benefícios de segurados. À época, Carvalho já comandava a CGU. O esquema teria movimentado cerca de R$ 2 bilhões em um ano, com entidades ampliando receitas mesmo enquanto respondiam a milhares de ações judiciais por irregularidades em filiações.
A repercussão levou à queda do então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e do ministro da Previdência, Carlos Lupi. Agora, a comissão busca apurar se houve falhas de fiscalização ou omissão por parte do governo federal e da Controladoria, em meio às pressões políticas que cercam o caso.