O advogado-geral da União, Jorge Messias , iniciou nesta terça-feira (25) uma maratona de articulações no Senado após ser escolhido pelo presidente Lula para ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal. Determinado a consolidar apoio, Messias afirmou que pretende conversar pessoalmente com cada um dos 81 senadores até o dia de sua sabatina, marcada para 10 de dezembro.
“Não deixarei de vir ao Senado nenhum dia. Estarei aqui diariamente até a sabatina”, declarou o indicado, após se reunir com o senador Otto Alencar (PSD-BA), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A comissão será responsável por analisar sua indicação, e o relatório ficará a cargo do senador Weverton Rocha (PDT-MA). A busca individual por votos, conhecida nos bastidores como “beija-mão”, é uma tradição para candidatos ao STF.
Apesar da ofensiva de Messias, a indicação enfrenta resistências em diferentes espectros políticos. Parlamentares conservadores questionam o AGU, classificando-o como alguém “mais identificado com o PT do que com o segmento evangélico”, citando como exemplo um parecer sobre aborto que teria desagradado o grupo. Ainda assim, ele conta com o apoio do ministro André Mendonça, também evangélico.
Já movimentos progressistas ligados ao feminismo negro criticaram a escolha de um homem branco justamente no Dia da Consciência Negra, destacando a ausência de diversidade racial na Corte. Paralelamente, a decisão provocou desconforto entre o Palácio do Planalto e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que defendia o nome de Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a vaga.
A cadeira no Supremo ficou disponível após Luís Roberto Barroso anunciar sua saída antecipada — ele só seria obrigado a se aposentar em 2033. Caso seja aprovado pelo Senado, Jorge Messias poderá permanecer na Corte até 2055, cinco anos depois da aposentadoria prevista de Cristiano Zanin, o último ministro nomeado. A renovação do STF seguirá nos próximos anos: o futuro presidente da República terá direito a três indicações, com as aposentadorias de Luiz Fux (2028), Cármen Lúcia (2029) e Gilmar Mendes (2030).