Nesta terça-feira (16), o desembargador do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), Macário Ramos Júdice Neto , foi preso na segunda fase da Operação Unha e Carne , da Polícia Federal, que apura o vazamento de informações sigilosas a integrantes do Comando Vermelho.
Júdice Neto é o relator do processo que envolve o ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos , conhecido como TH Joias , preso por ligação direta com a facção. As informações apontam que o magistrado repassava informações e atuava de modo a beneficiar a organização criminosa.
Em 2023, Macário Ramos Júdice Neto voltou à magistratura e foi promovido a desembargador, após permanecer afastado por 18 anos, em razão de sua atuação considerada polêmica como juiz federal no Espírito Santo. O afastamento por quase duas décadas ocorreu com base em denúncias do Ministério Público Federal (MPF).
O primeiro afastamento foi determinado pelo TRF-2, em 2005, no âmbito de uma ação penal que apurava a suposta participação de Júdice Neto em um esquema de venda de sentenças ligado à máfia dos caça-níqueis. Em 2015, ele foi absolvido nesse processo, mas permaneceu afastado em razão de um processo administrativo disciplinar (PAD) que tratava do mesmo tema.
Em 2022, após o PAD — marcado por inúmeros recursos e disputas jurídicas — chegar ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o órgão decidiu que o prazo para julgamento havia sido extrapolado. Com isso, foi determinada a reintegração do magistrado. Ainda assim, havia outra decisão de afastamento por improbidade administrativa, proferida pelo próprio TRF-2.
De acordo com informações publicadas no site da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Macário Júdice Neto foi nomeado desembargador federal em maio de 2023, por decisão unânime do tribunal, com indicação formal encaminhada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.