No final da manhã desta sexta-feira (19), o deputado federal cassado Alexandre Ramagem (PL-RJ) se pronunciou após a perda de seu mandato, decidida pela Mesa Diretora da Câmara dos Deputados.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Ramagem afirmou que a cassação ocorreu por meio de uma “canetada” da Mesa Diretora e acusou a decisão de desrespeitar as normas internas da Casa e a Constituição Federal. Segundo ele, o processo não teria observado a vontade do plenário nem seguido os trâmites previstos.

“O presidente da Câmara dos Deputados cassou o meu mandato na canetada, pela Mesa da Casa, por pura covardia. Uma decisão que não respeitou as regras da própria Câmara, nem a vontade do voto em plenário, muito menos o texto claro da Constituição”, afirmou.

Na mesma publicação, Ramagem citou uma declaração do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que teria dito: “Fiz o que tinha que fazer”. Para o deputado cassado, a postura demonstra subordinação a outro Poder. “Infelizmente, são palavras de um boneco, de uma marionete nas mãos de um ministro do STF. Covardia é ter consciência do que é certo e não fazê-lo”, escreveu na rede social X.

Ainda em seu pronunciamento, Ramagem afirmou que Hugo Motta não teria coragem de defender, dentro da legalidade, a autonomia da Câmara e os mandatos parlamentares. Segundo ele, o presidente da Casa estaria “subordinado a um ministro de outro Poder”.

Também nesta manhã, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) se manifestou publicamente após ter o mandato cassado pela Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, em decisão tomada na tarde de quinta-feira (18). A medida foi formalizada pelo presidente da Casa com base no acúmulo de ausências do parlamentar nas sessões plenárias.

Sem anúncio no momento

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Eduardo Bolsonaro negou qualquer irregularidade criminal e sustentou que a cassação teve motivação política. Segundo ele, sua permanência nos Estados Unidos, onde está desde fevereiro, não representou um afastamento improdutivo. O deputado afirmou que sua atuação no exterior teria gerado impactos no cenário internacional, citando sanções norte-americanas contra autoridades brasileiras.

Para Eduardo, a perda do mandato não simboliza derrota, mas reconhecimento por sua atuação política. “Acabaram de cassar o meu mandato. Não por corrupção, por ter encontrado dinheiro na minha cueca ou por envolvimento com tráfico de drogas. Muito pelo contrário. Cassaram o meu mandato por eu fazer exatamente aquilo que os meus eleitores esperam de mim”, declarou. Ele também agradeceu aos eleitores, lembrando ter sido o deputado federal mais votado da história do país.

“Para mim, o que fica é uma medalha de honra, não a perda de um mandato. Tenho certeza de que essa história não acabou. Com apenas 41 anos de idade, ainda haverá muitos capítulos dessa história”, concluiu.