Preso no Paraguai após tentar fugir do Brasil com identidade falsa, o ex-diretor da Polícia Rodoviária Federa l (PRF) Silvinei Vasques será entregue à Polícia Federal ainda nesta sexta-feira (26). As autoridades paraguaias conduzem Silvinei até a região da tríplice fronteira, em Ciudad del Este, onde ele será repassado à PF brasileira. Em seguida, será levado para Brasília, onde permanecerá preso.
A Direção Nacional de Migração do Paraguai divulgou detalhes da prisão nas redes oficiais. Condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 24 anos e seis meses de prisão por envolvimento na trama golpista e proibido de deixar o Brasil, Silvinei foi detido ao tentar embarcar no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Assunção, utilizando um passaporte falso. O voo faria escala no Panamá, com destino final em El Salvador.
Segundo o órgão paraguaio, inspetores de imigração identificaram que Silvinei tentava burlar os controles migratórios ao se passar por cidadão paraguaio, usando o nome Julio Eduardo Fernandez. A prisão foi realizada com apoio da Polícia Nacional do Paraguai.
A confirmação da identidade ocorreu após trabalho conjunto do Punto Atenas Paraguai, da Rede de Inteligência Migratória e do Comando Tripartite.
Tornozeleira eletrônica
De acordo com as autoridades, Silvinei teria rompido a tornozeleira eletrônica e tentado deixar o Brasil pelo Paraguai. Com a violação do equipamento de monitoramento, alertas foram emitidos pelas autoridades brasileiras, o que contribuiu para a prisão no país vizinho.
Ele utilizava um passaporte falso com a foto de um cidadão paraguaio identificado como Julio Eduardo Baez Fernandez. A adidância da Polícia Federal brasileira já havia alertado previamente a polícia paraguaia. A prisão ocorreu na madrugada desta sexta-feira. Do aeroporto de Assunção, partem dois voos diários para o Panamá, um às 1h44 e outro às 6h42.
Segundo fontes da diplomacia brasileira, as autoridades paraguaias mantêm contato com a adidância da Polícia Federal para viabilizar a “expulsão sumária” de Silvinei do país. A expectativa é de que ele seja entregue às autoridades brasileiras na região da Tríplice Fronteira.
Silvinei Vasques foi condenado pela Primeira Turma do STF no julgamento do núcleo 2 da trama golpista. Ele integra o grupo responsável pela elaboração da chamada “minuta do golpe”, pelo monitoramento e pelo plano de assassinato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e do ministro do STF Alexandre de Moraes, além da articulação dentro da PRF para dificultar o voto de eleitores da Região Nordeste nas eleições de 2022.